[Crítica] O gênio do crime
Sinopse:
O Gênio do Crime acompanha um grupo de amigos que passa a investigar um esquema de falsificação de figurinhas da Copa do Mundo em São Paulo. Durante o evento, colecionar o álbum de figurinhas da competição é a maior febre no Colégio Tres Bandeiras. Gordo é o líder de um grupo que está empenhado em completar o álbum. O problema é que uma operação de figurinhas falsas entra no caminho dos amigos. Agora, com a ajuda de seus colegas, em especial a esperta Berenice, por quem Gordo se apaixona, o jovem colecionador precisará desvendar esse mistério repleto de suspense, aventura e humor.
O quê eu achei?
Eu li a obra de João Carlos Marinho(que assinava como J.C.Marinho e faleceu em 2019 aos 83 anos) quando era pré-adolescente e adorei! Estava um dia na Livraria da Travessa com minha mãe vendo os livros e quando achei aquela edição de bolso da Ediouro, ela disse que tinha lido a história em sua juventude e que valia a pena. Compramos e logo se tornou um dos meus clássicos nacionais favoritos.
Descobri há pouco tempo que iria ter uma segunda(a primeira foi feita em 1973, quatro anos após a publicação, mas que nunca cheguei a assistir) adaptação para o cinema em uma parceria da Globo Filmes com a Boutique Filmes e fiquei animada para conferir.
Primeiro eu direi minha opinião apenas como espectadora, como não tivesse lido o livro que deu origem ao filme, e depois direi minha opinião como leitora que está vendo o livro ser adaptado.
São Paulo, 2026, época da Copa do Mundo. Bolacha(apenas para os íntimos, para o resto é João) Pituca e Edmundo são três amigos alunos do colégio Três Bandeiras que tem um clube de detetives em que investigam pequenos casos e sonham em se tornarem como seu ídolo, Mr.Mistério(Marco Veras). Assim como quase todos os meninos de 11 anos, eles estão colecionando as figurinhas do álbum da Copa do Mundo, porém falta uma super rara. Usando a inteligência de Bolacha(Francisco Galvão) eles conseguem encontrar a figurinha que faltava e vão na fábrica Escanteio tentar clamar o prêmio, porém ao chegar lá, descobrem que o pobre dono, o simpático Seu Tomé(Ailton Graça)está desesperado pois várias crianças conseguiram completar o álbum graças à uma fábrica clandestina que está vendendo figurinhas falsificadas e estão ameaçando depredar a fábrica.
O trio bola um plano inusitado para ajudá-lo e ganham uma aliada: Berenice(Bella Allelaf)-ou Berê, como ela prefere ser chamada-por quem Bolacha acaba se apaixonando. Juntos, eles terão que concorrer com o Mr.Mistério para ver quem soluciona o mistério primeiro e lidarão com perigos inimaginários.
Destaque para o elenco infantil que rouba as cenas com seu carisma e para os momentos de descontração entre eles; o protagonista Bolacha, o engraçado Bituca e o sério Edmundo com a esperta Berê. O elenco adulto também é bom e não ofusca o brilho dos mais novos. A resolução é inteligente e bem amarrada, não deixa pontas soltas.
Agora o veredito como alguém que leu o livro:
(ALERTA DE SPOILER-PARE DE LER AQUI SE NÃO QUISER SABER):
Achei interessante a mudança da identidade e da motivação do vilão; quem leu, vai se lembrar que o gênio do crime era um anão que conseguia imitar qualquer voz humana que queria enriquecer; já nesse longa dirigido por André Felipe Binder(que trabalhou em novelas como Cabocla e O outro lado do paraíso) o gênio do crime é o professor e ex-jogador de futebol Caíque, que queria se vingar de Seu Tomé por não ter sido um dos jogadores escalados para a seleção que provavelmente jogaria na Copa. Essa reviravolta é revelada quando ele estende o braço numa cena e vemos uma tatuagem de um galo vermelho-o codinome usado durante uma ligação telefônica da quadrilha que as crianças tinham ouvido- e Bolacha mata a charada.
Outra mudança foi a do detetive; no livro era um escocês chamado Mister John Smith Peter Tony, que possuía o título de Detetive Invicto porque nunca tinha perdido um caso- até conhecer as crianças brasileiras. Nesse filme, ele é BR mesmo, um tipo bonachão interpretado por Marcos Veras.
Há várias referências que apenas os leitores irão pegar como a cena da perseguição ao avesso criada por Bolacha e elementos como a mãe super protetora de Bolacha e a estética que remete à SP da década de 60-em que a trama original é ambientada, embora seja dito que eles vivem na atualidade, em 2026-o que só enriquece a história.
Um ponto essencial da trama que também foi mantido: o uso do ácido corrosivo que dissolve até os ossos, para garantir que os corpos de quem descubra o segredo nunca sejam encontrados e nenhuma prova seja deixada.
E uma curiosidade que vale a pena mencionar: a produção decidiu que o nome verdadeiro do Bolacha seria João em homenagem ao autor João Carlos Marinho.
Ao mesmo tempo em que homenageia o clássico, essa nova versão abre caminhos para toda uma possível nova safra de adaptações baseada nas obras de João Carlos Marinho, pois justamente na cena final, as crianças ouvem falar de outra série de acontecimentos fora do comum.
Deixo aqui minha torcida para que façam mais adaptações, pois João Carlos Marinho merece ser conhecido pelas gerações mais novas e há bastante terreno a ser explorado, pois ele escreveu treze histórias da turma do Gordo.
Estreia nos cinemas com distribuição da Paris Filmes no dia 14 de maio.
Trailer:



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