[News] Decidir em segundos virou vantagem competitiva e o esporte de alto rendimento pode ensinar líderes corporativos a fazer isso
Decidir em segundos virou vantagem competitiva e o esporte de alto rendimento pode ensinar líderes corporativos a fazer isso
Em um ambiente de negócios marcado por transformações rápidas, excesso de informação e pressão constante por resultados, a velocidade na tomada de decisão se tornou um fator crítico para empresas que desejam manter competitividade. Enquanto muitas organizações enfrentam estruturas burocráticas que tornam decisões estratégicas lentas, o esporte de alto rendimento opera em um cenário onde escolhas precisam ser feitas em questão de segundos e com alto impacto no resultado final.
Para Paulo Coco, auxiliar-técnico da Seleção Brasileira Feminina de Vôlei, essa dinâmica oferece aprendizados valiosos para o mundo corporativo. Segundo ele, o funcionamento de equipes esportivas de alto desempenho revela que decisões rápidas não são fruto de improviso, mas resultado de preparação, estratégia clara e confiança entre liderança e equipe.
“Em uma partida de vôlei, as decisões precisam acontecer em frações de segundo. Não existe tempo para longas análises. O que permite essa agilidade é o fato de que a equipe já entra em quadra com um plano de jogo bem definido e com cada atleta sabendo exatamente qual é o seu papel”, explica.
De acordo com Coco, muitas empresas enfrentam dificuldades justamente por não estruturarem previamente seus processos de decisão. Quando o planejamento estratégico não está claro ou quando as responsabilidades dentro da equipe são difusas, o resultado costuma ser a paralisia na hora de agir.
Entre os sinais mais comuns desse problema, segundo ele, estão reuniões excessivas para validar decisões, líderes inseguros em assumir responsabilidade por escolhas estratégicas e equipes que dependem constantemente de aprovação hierárquica para executar tarefas simples. “Quando a estratégia é bem definida e o time está alinhado, as decisões se tornam muito mais naturais e rápidas, como numa quadra”, afirma.
No esporte de alto rendimento, esse processo é construído nos treinamentos. As comissões técnicas trabalham com simulações de cenários e situações de pressão para preparar os atletas a reagirem com rapidez durante a partida. A lógica pode ser replicada no ambiente corporativo.
“No esporte, a partida não é o momento de criar estratégia, é o momento de executar aquilo que já foi treinado. Muitas empresas acabam tentando pensar na estratégia somente quando o problema aparece, ao invés de se prevenir para quando a situação ocorrer”, observa.
Outro ponto central está na autonomia das equipes. Mesmo com um técnico liderando a partida, grande parte das decisões acontece dentro da quadra, a partir da leitura de jogo feita pelas atletas. Para Paulo, essa lógica também pode ser aplicada ao mundo corporativo.
“Se cada decisão depender exclusivamente da liderança, a organização perde velocidade. O papel do líder é estruturar a estratégia e desenvolver pessoas capazes de tomar decisões dentro desse direcionamento. Assim como na quadra/campo, o líder está nos bastidores, e não em ação direta”, diz.
A capacidade de operar sob pressão também é um fator determinante. No esporte de alto nível, pressão faz parte do processo e não pode ser evitada. O diferencial está na preparação da equipe para agir bem mesmo em cenários adversos.
“A pressão não desaparece. O que muda é a forma como a equipe reage a ela. Quando existe preparo e confiança no processo, as decisões acontecem de forma mais clara e assertiva”, afirma o técnico.
A aproximação entre práticas do esporte de alta performance e modelos de gestão corporativa pode ajudar empresas a desenvolver equipes mais alinhadas, líderes mais estratégicos e processos de decisão mais ágeis, características cada vez mais essenciais em mercados altamente competitivos.
Sobre
Paulo Coco é técnico de voleibol e auxiliar-técnico da Seleção Brasileira Feminina, com uma trajetória marcada pela formação de atletas e pessoas. Pernambucano de Olinda, iniciou no esporte ainda na adolescência e construiu carreira como jogador profissional por uma década, passando por clubes como Banespa e Palmeiras/Parmalat. Desde 2003, integra a comissão técnica da Seleção ao lado de José Roberto Guimarães, acumulando medalhas olímpicas e títulos internacionais. Nos últimos anos, expandiu sua atuação para os Estados Unidos, onde comanda a LOVB Atlanta, liga profissional feminina norte-americana, sendo eleito melhor técnico da primeira temporada.

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