[News] Barulhos volta aos palcos a partir dos sonhos de crianças de São Paulo
Barulhos volta aos palcos a partir dos sonhos de crianças de São Paulo
Espetáculo do 28 Patas Furiosas transforma sons da cidade, memórias e figuras fantásticas em uma experiência cênica sobre sonho, luto e imaginação.
Cena de Barulhos - Foto: Helena Wolfenson
A peça nasceu de relatos oníricos de crianças de 4 a 12 anos e dá continuidade à pesquisa do grupo sobre sonhos, cidade e imaginário
O que as crianças de São Paulo sonham? Para criar Barulhos, o 28 Patas Furiosas foi ouvir crianças de 4 a 12 anos de diferentes regiões da cidade. Sirenes, ruídos urbanos, personagens da cultura pop, medos, fugas, encontros e situações impossíveis apareceram nos relatos e deram origem à dramaturgia de Tadeu Renato, construída em diálogo com o coletivo. Depois de uma temporada no Sesc Avenida Paulista no início do ano, o espetáculo retorna aos palcos entre 3 de outubro e 5 de dezembro, aos sábados, às 11h, no Sesc Consolação – Teatro Anchieta.
Com direção de Valéria Rocha, Barulhos acompanha Rosa, uma menina que vive com a mãe o luto pela morte da avó. Durante o sono, ela encontra uma garota misteriosa que procura sua casa perdida. A partir desse encontro, o mundo começa a se deslocar: um barulho estranho move o chão e arrasta todas as casas, enquanto uma onça falante, uma cabeça sem corpo e uma guia cientista aparecem pelo caminho.
A história construída pelo grupo parte de uma experiência cotidiana das crianças, mas não procura reproduzir seus sonhos literalmente. Os relatos coletados durante a pesquisa funcionaram como matéria para a criação de um universo cênico em que os sons da metrópole, as memórias e o imaginário infantil se misturam. A lógica do sonho também orienta a dramaturgia, que não segue necessariamente uma narrativa linear.
Pesquisa continuada do 28 Patas Furiosas
Esse modo de criação dá continuidade a uma investigação que o 28 Patas Furiosas desenvolve desde 2020 sobre o que sonha a cidade de São Paulo. A pesquisa passou por trabalhos como Parabólica dos Sonhos (2022) e Um Jaguar por Noite, e dialoga com saberes de povos originários, especialmente Xavante, Yanomami e Guarani, além dos estudos do neurocientista Sidarta Ribeiro sobre os sonhos e suas relações com a memória, as experiências e as emoções.
Em Barulhos, essa pesquisa chega pela primeira vez a uma criação especialmente voltada às infâncias. O grupo mantém, porém, procedimentos presentes em seu percurso artístico, como a investigação de materialidades, a relação entre teatro e artes visuais e a construção de dramaturgias que não dependem de uma narrativa convencional.
O luto pela morte da avó é o ponto de partida para a jornada de Rosa. No mundo dos sonhos, ela descobre que a garota misteriosa que procura sua casa é, na verdade, sua avó quando criança. Ao compartilhar o sonho com a mãe, as duas encontram uma possibilidade de conversar sobre a perda e sobre as lembranças que permanecem.
“O sonho e a memória, que por vezes insistem em trazer à tona angústias que preferiríamos esquecer, também se tornam espaços de entendimento e elaboração”, afirma Valéria Rocha. Para a diretora, o espetáculo procura abordar a morte a partir da relação com os sonhos, criando possibilidades para que crianças e adultos possam conversar e elaborar experiências que fazem parte da vida.
Análises críticas sobre Barulhos
A crítica também identificou em Barulhos uma continuidade com a pesquisa anterior do grupo. Para Ferdinando Martins, em texto publicado no site Deus Ateu, a peça se aproxima da lógica dos sonhos e aposta em uma estrutura que não precisa obedecer a uma narrativa linear. O crítico também observa a permanência, no trabalho dirigido às crianças, de inquietações e procedimentos estéticos presentes na produção do 28 Patas Furiosas.
Simone Carleto, em texto publicado no site Bob Sousa, destaca a relação do espetáculo com a capacidade de imaginar e reconstruir mundos internos e coletivos. A recepção da primeira temporada também chamou atenção para a transformação da cidade em matéria de sonho e para a combinação entre ruídos urbanos, memória e imaginação.
“(...) Trata-se de uma obra muito interessante do ponto de vista de estender a experiência das famílias e crianças no tocante à vivência teatral, constituindo-se em um novo referencial contemporâneo, ao respeitar o repertório imagético infantil, sem tratá-lo como único e massificado". Simone Carleto, no site bobsousa.com.br
Sobre o 28 Patas Furiosas
Criado em 2013, em São Paulo, o 28 Patas Furiosas desenvolve uma pesquisa continuada em teatro, artes visuais e performance, com foco em dramaturgias autorais e na investigação de diferentes materialidades e espaços cênicos. O grupo mantém o Espaço 28, no Bom Retiro, onde realiza apresentações, festivais, oficinas e outras atividades culturais.
Entre seus trabalhos estão lenz, um outro (2014), A Macieira (2016), PAREDE (2019), Parabólica dos Sonhos (2022) e Um Jaguar por Noite, que recebeu o Prêmio Shell de Teatro de 2025 na categoria Iluminação. Barulhos é a primeira criação do grupo especialmente voltada às infâncias.
Sinopse
Barulhos acompanha Rosa, uma menina que, enquanto enfrenta com a mãe o luto pela morte da avó, passa a encontrar nos sonhos uma garota misteriosa que procura sua casa perdida. Nesse mundo onírico, um barulho estranho faz o chão se mover e arrasta todas as casas. Rosa e a menina atravessam uma jornada com uma onça falante, uma cabeça sem corpo e um guia cientista, tentando recuperar aquilo que se desloca sem parar.
Ficha Técnica
Idealização e concepção: 28 Patas Furiosas
Direção: Valéria Rocha
Texto: Tadeu Renato
Elenco: Felipe Gomes, Gabriel Bodstein, Isabel Wolfenson, Jennifer Souza, Joy Catharina e Sofia Botelho
Luz: Dimitri Luppi e Wagner Antônio
Cenário: Wagner Antônio
Direção musical: Júlia Ávila
Figurino: Valentina Soares
Costureira: Sonia Limachi
Operação de som: Júlia Ávila
Operação de luz: Dimitri Luppi e Débora Pereira
Assistência de iluminação: Débora Pereira
Colaboração no processo criativo: Pedro Stempniewski
Fotos: Helena Wolfenson
Registro em Vídeo: Marcos Yoshi
Mídias Sociais: Jorge Ferreira e Mayhara Ribeiro
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto Comunicação
Produção: Corpo Rastreado: Gabs Ambròzia
Serviço
Barulhos, do 28 Patas Furiosas
Temporada: 3/10 a 5/12/2026.
Horários: Sábados, às 11h
Sesc Consolação – Teatro Anchieta (280 lugares)
Rua Dr. Vila Nova, 245. Vila Buarque, São Paulo – SP
Duração: 60 minutos | Classificação: Livre
Ingressos: R$ 40 (Inteira); R$ 20 (Meia-entrada) e R$ 12 (Credencial Plena). Gratuito para crianças até 12 anos.
Venda on-line: a partir de 22/09 (terça), às 17h, em centralrelacionamento.sescsp.
Venda presencial: a partir de 23/09 (quarta), às 17h, nas bilheterias do Sesc São Paulo
Informações à imprensa
Canal Aberto Assessoria de Imprensa
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