[News] De José de Alencar a Titãs: o que mudou na literatura dos vestibulares do Paraná
Listas de UFPR, UEL, UEPG, Unicentro e Unioeste reúnem diferentes períodos, gêneros e vozes e exigem do candidato mais do que memorização
Clássicos continuam nas listas dos vestibulares paranaenses de 2027, mas já não estão sozinhos: obras de escritoras mulheres, autores negros e indígenas, literatura contemporânea, teatro e até música também entram em cena. Nas principais universidades do estado, os títulos escolhidos reúnem diferentes épocas, gêneros e visões de mundo, ampliando o repertório exigido dos candidatos e mudando também a maneira como eles precisam se preparar.
Essa convivência entre tradição e novas abordagens aparece nas obras indicadas. Ao lado de títulos consagrados, como O Demônio Familiar, de José de Alencar, Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo, e A Falência, de Júlia Lopes de Almeida, estão obras que apresentam outras experiências, contextos e formas de expressão.
Rodrigo Wieler, especialista em Literatura Brasileira e História Nacional e assessor pedagógico de Literatura e Arte no Centro de Inovação Pedagógica, Pesquisa e Desenvolvimento (CIPP) dos colégios da Rede Positivo, cita outros exemplos desse movimento. Entre eles estão O Quinze, de Rachel de Queiroz, que traz a perspectiva de uma mulher sobre a seca e a vida dos retirantes; O Sol na Cabeça, de Geovani Martins, que apresenta o cotidiano de comunidades do Rio de Janeiro; e Eu sou Macuxi e outras histórias, de Julie Dorrico, autora indígena da etnia Macuxi.
Para Wieler, essa transformação torna as listas mais plurais e representativas, o que também muda a forma de estudar. “Essa diversidade exige que o estudante desenvolva uma leitura mais atenta e menos baseada na memorização. Não se trata apenas de saber o enredo ou decorar características de uma escola literária. Cada obra tem uma linguagem, uma estética, um contexto e uma maneira própria de construir seus personagens e suas ideias”, garante.
Preparação vai além da leitura
Segundo Wieler, mesmo com pouco tempo disponível, o estudante deve priorizar o conhecimento integral do maior número possível de obras. Aulas, análises e questões de vestibulares anteriores podem ajudar nesse processo, mas funcionam como complemento.
O mesmo vale para os resumos, os quais são uma alternativa para organizar a revisão, porém não substituem o contato com a obra completa. “Ao condensar o conteúdo, eles deixam de lado detalhes do enredo, características dos personagens, recursos de linguagem, símbolos e outros elementos que podem aparecer nas questões”, explica.
Para avançar no conteúdo sem comprometer a leitura, o professor recomenda alternar obras de diferentes formatos. “Intercalar um romance mais longo com contos, poemas ou peças ajuda a manter o ritmo e evita que o estudante fique semanas preso a uma única obra”.
Linguagens diferentes exigem atenção
Wieler também chama atenção para a variedade de linguagens e formatos presentes nas listas. Na UEL, o álbum Cabeça Dinossauro, dos Titãs, pode parecer uma escolha simples por ser bastante conhecido, mas exige atenção à análise das letras e dos recursos literários. “O aluno pode pensar que basta ouvir as músicas, mas as questões estarão relacionadas às letras e aos recursos da teoria literária”, esclarece.
O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, também exige atenção por sua estrutura pouco convencional, com situações que se alternam e personagens de nome parecido, como Abelardo I e Abelardo II. Na poesia, Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade, incluído na lista da UEPG, exige cuidado na interpretação.
Já Eu, de Augusto dos Anjos, uma das novidades da UFPR, é considerado por Wieler um dos títulos mais desafiadores de 2027. A obra combina referências científicas, pessimismo, vocabulário pouco usual e uma construção poética rigorosa. “Mesmo com um glossário explicando o significado das palavras, os alunos muitas vezes têm dificuldade para compreender a obra”, esclarece.
Na UEPG e na Unicentro, Ay Kakyri Tama: Eu moro na cidade, de Márcia Wayna Kambeba, reúne poemas que mesclam a língua portuguesa com elementos da língua Kambeba e abordam questões relacionadas à identidade e ao território.
De acordo com o professor de Literatura, a preparação, portanto, precisa considerar as características de cada formato. “Uma peça de teatro não se lê da mesma maneira que um romance. Um poema pede outra atenção, assim como um álbum musical também tem uma construção própria. O estudante precisa entender a lógica de cada linguagem”, observa.
O professor enfatiza ainda que fazer anotações e retomar os trechos mais relevantes ajuda a organizar o pensamento, fixar o conteúdo e aprofundar a compreensão da obra. “Mais do que concluir a leitura, é importante compreender os pontos centrais da obra. No vestibular, essa atenção pode fazer a diferença na hora de interpretar questões e chegar à resposta certa”, conclui.
Confira as listas completas de obras das universidades citadas:
UFPR
Clássicos continuam nas listas dos vestibulares paranaenses de 2027, mas já não estão sozinhos: obras de escritoras mulheres, autores negros e indígenas, literatura contemporânea, teatro e até música também entram em cena. Nas principais universidades do estado, os títulos escolhidos reúnem diferentes épocas, gêneros e visões de mundo, ampliando o repertório exigido dos candidatos e mudando também a maneira como eles precisam se preparar.
Essa convivência entre tradição e novas abordagens aparece nas obras indicadas. Ao lado de títulos consagrados, como O Demônio Familiar, de José de Alencar, Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo, e A Falência, de Júlia Lopes de Almeida, estão obras que apresentam outras experiências, contextos e formas de expressão.
Rodrigo Wieler, especialista em Literatura Brasileira e História Nacional e assessor pedagógico de Literatura e Arte no Centro de Inovação Pedagógica, Pesquisa e Desenvolvimento (CIPP) dos colégios da Rede Positivo, cita outros exemplos desse movimento. Entre eles estão O Quinze, de Rachel de Queiroz, que traz a perspectiva de uma mulher sobre a seca e a vida dos retirantes; O Sol na Cabeça, de Geovani Martins, que apresenta o cotidiano de comunidades do Rio de Janeiro; e Eu sou Macuxi e outras histórias, de Julie Dorrico, autora indígena da etnia Macuxi.
Para Wieler, essa transformação torna as listas mais plurais e representativas, o que também muda a forma de estudar. “Essa diversidade exige que o estudante desenvolva uma leitura mais atenta e menos baseada na memorização. Não se trata apenas de saber o enredo ou decorar características de uma escola literária. Cada obra tem uma linguagem, uma estética, um contexto e uma maneira própria de construir seus personagens e suas ideias”, garante.
Preparação vai além da leitura
Segundo Wieler, mesmo com pouco tempo disponível, o estudante deve priorizar o conhecimento integral do maior número possível de obras. Aulas, análises e questões de vestibulares anteriores podem ajudar nesse processo, mas funcionam como complemento.
O mesmo vale para os resumos, os quais são uma alternativa para organizar a revisão, porém não substituem o contato com a obra completa. “Ao condensar o conteúdo, eles deixam de lado detalhes do enredo, características dos personagens, recursos de linguagem, símbolos e outros elementos que podem aparecer nas questões”, explica.
Para avançar no conteúdo sem comprometer a leitura, o professor recomenda alternar obras de diferentes formatos. “Intercalar um romance mais longo com contos, poemas ou peças ajuda a manter o ritmo e evita que o estudante fique semanas preso a uma única obra”.
Linguagens diferentes exigem atenção
Wieler também chama atenção para a variedade de linguagens e formatos presentes nas listas. Na UEL, o álbum Cabeça Dinossauro, dos Titãs, pode parecer uma escolha simples por ser bastante conhecido, mas exige atenção à análise das letras e dos recursos literários. “O aluno pode pensar que basta ouvir as músicas, mas as questões estarão relacionadas às letras e aos recursos da teoria literária”, esclarece.
O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, também exige atenção por sua estrutura pouco convencional, com situações que se alternam e personagens de nome parecido, como Abelardo I e Abelardo II. Na poesia, Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade, incluído na lista da UEPG, exige cuidado na interpretação.
Já Eu, de Augusto dos Anjos, uma das novidades da UFPR, é considerado por Wieler um dos títulos mais desafiadores de 2027. A obra combina referências científicas, pessimismo, vocabulário pouco usual e uma construção poética rigorosa. “Mesmo com um glossário explicando o significado das palavras, os alunos muitas vezes têm dificuldade para compreender a obra”, esclarece.
Na UEPG e na Unicentro, Ay Kakyri Tama: Eu moro na cidade, de Márcia Wayna Kambeba, reúne poemas que mesclam a língua portuguesa com elementos da língua Kambeba e abordam questões relacionadas à identidade e ao território.
De acordo com o professor de Literatura, a preparação, portanto, precisa considerar as características de cada formato. “Uma peça de teatro não se lê da mesma maneira que um romance. Um poema pede outra atenção, assim como um álbum musical também tem uma construção própria. O estudante precisa entender a lógica de cada linguagem”, observa.
O professor enfatiza ainda que fazer anotações e retomar os trechos mais relevantes ajuda a organizar o pensamento, fixar o conteúdo e aprofundar a compreensão da obra. “Mais do que concluir a leitura, é importante compreender os pontos centrais da obra. No vestibular, essa atenção pode fazer a diferença na hora de interpretar questões e chegar à resposta certa”, conclui.
Confira as listas completas de obras das universidades citadas:
UFPR
A Falência, de Júlia Lopes de Almeida
Eu, de Augusto dos Anjos
Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo
O Demônio Familiar, de José de Alencar
O Drible, de Sérgio Rodrigues
O Quinze, de Rachel de Queiroz
O Sol na Cabeça, de Geovani Martins
Poema Sujo, de Ferreira Gullar
UEL
Eu, de Augusto dos Anjos
Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo
O Demônio Familiar, de José de Alencar
O Drible, de Sérgio Rodrigues
O Quinze, de Rachel de Queiroz
O Sol na Cabeça, de Geovani Martins
Poema Sujo, de Ferreira Gullar
UEL
O Rei da Vela, de Oswald de Andrade
O Seminarista, de Bernardo Guimarães
Niketche, de Paulina Chiziane
Torto Arado, de Itamar Vieira Junior
Melhores Poemas, de Fernando Pessoa
Chove sobre minha infância, de Miguel Sanches Neto
Cartas Chilenas, de Tomás Antônio Gonzaga
Cabeça Dinossauro, dos Titãs
UEPG
O Seminarista, de Bernardo Guimarães
Niketche, de Paulina Chiziane
Torto Arado, de Itamar Vieira Junior
Melhores Poemas, de Fernando Pessoa
Chove sobre minha infância, de Miguel Sanches Neto
Cartas Chilenas, de Tomás Antônio Gonzaga
Cabeça Dinossauro, dos Titãs
UEPG
Clara dos Anjos, de Lima Barreto
Olhos d'água, de Conceição Evaristo
Torto Arado, de Itamar Vieira Junior
Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade
Ay Kakyri Tama: Eu moro na cidade, de Márcia Wayna Kambeba
Unicentro
Olhos d'água, de Conceição Evaristo
Torto Arado, de Itamar Vieira Junior
Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade
Ay Kakyri Tama: Eu moro na cidade, de Márcia Wayna Kambeba
Unicentro
A árvore que dava dinheiro, de Domingos Pellegrini
Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
A Falência, de Júlia Lopes de Almeida
Extremo Oeste, de Paulo Fehlauer
Seminário dos Ratos, de Lygia Fagundes Telles
Eu sou Macuxi e outras histórias, de Julie Dorrico
Contos Negros, de Ruth Guimarães
Melhores Contos, de Guimarães Rosa
Ay Kakyri Tama: Eu moro na cidade, de Márcia Wayna Kambeba
Também guardamos pedras aqui, de Luiza Romão
Alguma Poesia, de Carlos Drummond de Andrade
Histórias que os jornais não contam, de Moacyr Scliar
Unioeste
As obras da Unioeste são distribuídas entre as três séries do Ensino Médio.
1ª série
Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
A Falência, de Júlia Lopes de Almeida
Extremo Oeste, de Paulo Fehlauer
Seminário dos Ratos, de Lygia Fagundes Telles
Eu sou Macuxi e outras histórias, de Julie Dorrico
Contos Negros, de Ruth Guimarães
Melhores Contos, de Guimarães Rosa
Ay Kakyri Tama: Eu moro na cidade, de Márcia Wayna Kambeba
Também guardamos pedras aqui, de Luiza Romão
Alguma Poesia, de Carlos Drummond de Andrade
Histórias que os jornais não contam, de Moacyr Scliar
Unioeste
As obras da Unioeste são distribuídas entre as três séries do Ensino Médio.
1ª série
Que falta nesta cidade? ... Verdade, de Gregório de Matos
A cativa, de Luís Gama
Na rede, de Casimiro de Abreu
Minha mãe, de Casimiro de Abreu
A cruz da estrada, de Castro Alves
2ª série
A cativa, de Luís Gama
Na rede, de Casimiro de Abreu
Minha mãe, de Casimiro de Abreu
A cruz da estrada, de Castro Alves
2ª série
Conto de escola, de Machado de Assis
O leito, de Alphonsus de Guimaraens
Ismália, de Alphonsus de Guimaraens
Tercetos, de Olavo Bilac
O voto feminino, de Josefina de Azevedo
3ª série
O leito, de Alphonsus de Guimaraens
Ismália, de Alphonsus de Guimaraens
Tercetos, de Olavo Bilac
O voto feminino, de Josefina de Azevedo
3ª série
Dona Isabel, de Mestre Toni Vargas
A Nova Califórnia, de Lima Barreto
Natal na barca, de Lygia Fagundes Telles
O que é a que é, de Alice Ruiz
Psicologia de um vencido, de Augusto dos Anjos
Versos íntimos, de Augusto dos Anjos
O negro Bonifácio, de Oliveira Silveira
O avesso da pele, de Jeferson Tenório
Fogo morto, de José Lins do Rego
A Nova Califórnia, de Lima Barreto
Natal na barca, de Lygia Fagundes Telles
O que é a que é, de Alice Ruiz
Psicologia de um vencido, de Augusto dos Anjos
Versos íntimos, de Augusto dos Anjos
O negro Bonifácio, de Oliveira Silveira
O avesso da pele, de Jeferson Tenório
Fogo morto, de José Lins do Rego

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