[Artes Plásticas & Música] Claudia Hersz inaugura exposição "Mostra Sua Cara", sábado(26) no Paço Imperial

 CLAUDIA HERSZ: MOSTRA SUA CARA 

Exposição no Paço Imperial reúne cerca de 140 Obras da artista carioca e revisita Imagens, Símbolos e Contradições do Brasil Contemporâneo 

 

Obras da exposição: Nas laterais: Série “Brasil mostra sua capa” - Colagem em papel cartão; Ao centro: "Fúngico" - Madeira rádica, folhas de palmeira, cogumelos e resinas acrílicas - Técnica mista. 


“Eu faço arte pra tocar no rádio.” 

Com essa frase, Claudia Hersz define sua trajetória e a atitude que constrói sua nova exposição: uma prática em que conversa com o que reconhece, para depois deslocar esse “reconhecível” e revelar nele outras camadas de sentido. Mostra sua cara reúne cerca de 140 obras, a maioria inéditas, produzidas entre 2018 e 2026, incluindo objetos, instalações e vídeos. 

Com curadoria de Fernanda Lopes, a exposição será inaugurada em 26 de setembro, no Paço Imperial, no Rio de Janeiro. O título, inspirado na canção de Cazuza, sintetiza a proposta da artista:Olhar de novo para imagens familiares do Brasil e fazer com que elas revelem outros sentidos. 

Ao longo da exposição, o país aparece rasgado, espelhado, colado, costurado e reorganizado. A cartografia, elemento recorrente na obra da artista, deixa de servir apenas para localizar um território e passa a ser matéria de transformação.

Na série Brasil mostra sua capa, capas de disco são rasgadas e remontadas em novas geografias, restando visíveis apenas os olhos dos artistas retratados, um jogo entre reconhecimento e estranhamento. Estojos de CD, vinis e máquinas de costura, objetos do cotidiano da artista, reaparecem transformados, aproximando memória pessoal e história coletiva.

Há mais de duas décadas, Claudia Hersz trabalha por apropriação e remix de referências da arte, da cultura e da história, um método que ela descreve como “o jogo do óbvio”, em que o cotidiano, levemente deslocado, ganha estranheza. 

COVIDIANAS - A série Covidianas nasceu da experiência cotidiana da pandemia, quando higienizar cada objeto que entrava em casa se tornou parte da rotina. Claudia Hersz percebeu as marcas deixadas pelos borrifos de álcool 70 sobre notas fiscais — documentos que acompanhavam grande parte dos objetos que chegavam por delivery — e passou a utilizá-las como matéria para seus trabalhos. O rápido apagamento das marcas sobre o papel levou a artista a buscar outros suportes para preservar essas imagens, que aparecem aqui reorganizadas em novas composições. Na imagem abaixo, uma das obras da série Covidianas, cujo tamanho natural de 30cm será ampliado para 1,5m na exposição.

Anjo da série Covidianas. Estêncil, álcool 70 sobre cupons fiscais

A exposição Mostra sua Cara ocupa o Paço Imperial em ano de celebração: o edifício, com história que remonta ao século XVIII, completa quatro décadas como centro cultural. Ao expor ali, Claudia Hersz insere sua produção em um espaço que é, ele próprio, testemunho material da formação do Brasil, convidando o público a atravessar as obras e, ao mesmo tempo, reconhecer o edifício como parte da experiência. 

 

Sobre a artista

Claudia Hersz é artista carioca, graduada em Arquitetura e Urbanismo pela UFRJ, e atua como artista visual desde 2002. Formou-se em cursos e workshops na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, com nomes como Anna Bella Geiger, Fernando Cocchiarale, Rosangela Rennó e Nelson Leirner. Ao longo de mais de duas décadas, construiu uma obra marcada pela apropriação, pelo humor e pelo diálogo com a história da arte e da cultura, em trabalhos que vão de objetos em miniatura e assemblages a pinturas, desenhos e gravações em tapeçaria e porcelana. Foi selecionada para integrar o programa Rumos Itáu Cultural 2011-2013. Já realizou individuais no Museu Chácara do Céu, na Casa França Brasil, no Centro Cultural São Paulo e na Galeria Portas Vilaseca, entre outros espaços, e integra coleções públicas como as do MAR, do MAM Rio (Coleção GilbertoChateaubriand), Fundação Rômulo Maiorana, Museu Nacional de Belas Artes e a Coleção de Arte de São Paulo. 

Sobre a curadora

Curadora e pesquisadora, Fernanda Lopes é doutora em História e Crítica de Arte pelo Programa de Pós Graduação da Escola de Belas Artes da UFRJ. Foi diretora artística da galeria Athena (2022–2024), curadora adjunta do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (2016–2020) e curadora associada em Artes Visuais do Centro Cultural São Paulo (2010–2012). Entre suas principais curadorias estão a Sala Especial do Grupo Rex na 29ª Bienal de São Paulo (2010), a curadoria adjunta da exposição Maria Martins: Desejo Imaginante, no MASP (2021) e na Casa Roberto Marinho (2022), e Em Polvorosa – Um panorama das coleções MAM Rio, pela qual recebeu, ao lado de Fernando Cocchiarale, o Prêmio Maria Eugênia Franco da Associação Brasileira dos Críticos de Arte (ABCA) de 2016. É autora dos livros “Éramos o time do Rei” – A Experiência Rex (Funarte, 2006), Área Experimental: Lugar, Espaço e Dimensão do Experimental na Arte Brasileira dos Anos 1970 (MinC/Funarte, 2012) e Francisco Bittencourt: Arte-Dinamite (Tamanduá-Arte, 2016, organizado com Aristóteles A. Predebon), além de diversos ensaios e artigos sobre arte brasileira. 

 

Serviço 

Claudia Hersz: Mostra sua cara 

Curadoria: Fernanda Lopes 

Local: Paço Imperial — Praça XV de Novembro, 48, Centro, Rio de Janeiro – RJ 

Abertura: 26 de setembro, de 14h às 19h 

Visitação: 26 de setembro a 22 de novembro de 2026 

Horário: Terça a domingo e feriados, das 12h às 18h 

Entrada: gratuita 

Apoio institucional: Portas Vilaseca 

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