[News] O último maxixe, de Igor Miguel Pereira
O último maxixe, de Igor Miguel Pereira
Ficção histórica acompanha a icônica compositora Chiquinha Gonzaga
e seu provável encontro com a eclosão do samba e do cinema falado no Brasil
O lançamento será no dia 02 de setembro, na Livraria Alento, no Flamengo,
com bate-papo do autor com o músico, podcaster e pesquisador musical, Dennis Novaes
Lundu, maxixe, jongo, choro, polcas, valsas, tangos e marchinhas. Maaas… e o samba? Chiquinha Gonzaga, a célebre musicista carioca, foi pioneira em unir a sofisticada música erudita europeia às batidas populares de origem africana, criando as bases da Música Popular Brasileira.
A pianista ainda era atuante quando o gênero começou a se popularizar, para logo depois se transformar no símbolo da identidade nacional. No entanto, o samba moderno não aparece em seu vasto e consagrado repertório. Foi pensando nesse encontro, que o escritor e roteirista Igor Miguel Pereira criou seu romance de estreia, O último maxixe (Patuá).
“Ela estava viva quando a Mangueira ganhou o seu primeiro Carnaval, quando as primeiras músicas de Ismael Silva e Noel Rosa estouraram no rádio. Esse encontro de alguma forma existiu, só não sabemos o que ocorreu. Então, só me restou imaginá-lo. A ideia para o livro nasceu a partir dessa inquietação”, revela o autor, codiretor do documentário “Chiquinha Gonzaga: Música Substantivo Feminino”, exibido, em 2023, no Festival In Edit e pelos canais Curta! e Amazon Prime.
Além disso, “qual teria sido sua opinião sobre as transformações provocadas pela chegada do rádio, do cinema falado, e pela ascensão do samba como ritmo dominante?”, pergunta o autor. Conhecedor de sua rica biografia, e apaixonado pelo samba, ele decidiu transformar esses questionamentos no enredo de O último maxixe, ficção histórica, que mistura personagens reais e inventados, num período pouco documentado de sua trajetória.
O lançamento será no dia 02 de setembro, às 19h, na Livraria Alento, no Flamengo, com bate-papo do autor com o músico, podcaster e pesquisador musical da UFRJ, Dennis Novaes.
Um improvável encontro muito provável
Ambientado na região da Lapa carioca dos anos 1930, a história tem início quando, aos 84 anos, Chiquinha Gonzaga se vê diante de um desafio inédito. Talvez, o derradeiro. Procurada por Patrick Finnegan, um estabanado produtor norte-americano, e por Olavo Neves, um atormentado diretor de cinema, a consagrada artista é convidada a compor a trilha sonora do primeiro filme musical feito no Brasil.
Convencida a encarar a empreitada, Gonzaga começa a compor o repertório, que seria eternizado pela película da recém-criada Guanabara Filmes. Mas, durante as audições, ela conhece a atriz e dançarina Tereza dos Santos e três músicos do Estácio, que apresentam pra ela algo diferente dos tradicionais maxixes, então rebatizados como sambas, que ela dominava com maestria.
Eles traziam no corpo e no jeito de tocar o tamborim, o surdo e a cuíca, um novo tipo de samba, mais "quebrado", com um gingado mais "livre", que a experiente pianista não conseguia acompanhar. Seu desejo de decifrar o ritmo que a "driblava" e a deixava exausta, vira, então, a sua última obsessão.
Samba, cinema e carioquices e ingredientes bem brasileiros
Ao estudar as mudanças rítmicas e o contexto social das origens do samba, Pereira ficou fascinado com o mistério em torno da batida do samba do Estácio, então, única. “É muito bonito pensar a batida do samba como um enigma a ser decifrado. Me pareceu o mote perfeito”, explica. O autor encontrou nos primórdios dos musicais do cinema falado no Brasil (estes, inspirados no teatro de revista, universo no qual Chiquinha fez sua carreira), o elo ideal para unir uma coisa à outra, nessa bem-humorada fabulação.
No efervescente cenário da época, em O último Maxixe não faltam locais e personagens que influenciariam e projetariam a cultura brasileira. Na trama, estão presentes figuras como Paulo da Portela e Mário de Andrade. Há, também, participações especiais de Carmen Miranda, Cartola, Noel Rosa, Ismael Silva, Mário e Nelson Rodrigues, e grande elenco, em lugares como Cinelândia, Teatro João Caetano, Praça Tiradentes, Rua do Ouvidor e Rua Mem de Sá. Além de ingredientes bem brasileiros: a malandragem e o improviso que, desde sempre, fazem parte das nossa história.
O último maxixe é um projeto contemplado no edital de Produção de Obra Literária: Literatura do Rio ao RJ, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, sem o qual o autor não teria como se dedicar à sua escrita, publicação e lançamento.
Sobre o autor
Igor Miguel Pereira nasceu em Angra dos Reis, em 1989. Mora no Rio de Janeiro. É pai da Marina e do Francisco. É escritor, e trabalha como roteirista e redator. Integrou projetos como as séries “Poesia e Prosa com Maria Bethânia” (2016 e 2017) e “O Tempo e a Música: Noel Rosa e Tom Jobim” (2016, 2017 e 2018), ambas exibidas pelo Canal Arte 1, “Filosofia e Música” (2019), tendo como convidados Tom Zé, Marina Lima, Lenine e Nando Reis, vencedor do Prêmio de Melhor Programa de Variedades: Rio Creative Conference 2019.
Na direção de documentários participou do projeto “Dolores Duran: O Coração da Noite” (2023), exibido no Festival In Edit e pelos canais Curta! e Amazon Prime, e no Oju- Roda Sesc de Cinemas Negros- 2024. E codirigiu “Chiquinha Gonzaga: Música Substantivo Feminino” (2023), também exibido no Festival In Edit e pelos canais Curta! e Amazon Prime. E quis contar, mais uma vez, sua história agora sem a limitação dos fatos. Insiste com a literatura desde os 18 anos. Esse é o seu primeiro livro feito a partir de um edital. Espera ardentemente que não seja o último
Agenda de lançamento:
Rio de Janeiro
Dia 02 de setembro, às 19h, na Livraria Alento, com bate-papo do autor com o músico, podcaster e pesquisador musical, Dennis Novaes (R. Sen. Vergueiro, 80 - Lj A - Flamengo).
Ficha Técnica:
Título: O último maxixe
Autora: Igor Miguel Pereira
Gênero: ficção histórica
Editora: Patuá
Páginas: 232
Lançamento: setembro de 2026
Preço: R$ 60
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