[News] Pela primeira vez em São Paulo, espetáculo Egoísta entra em cartaz na CAIXA Cultural São Paulo em setembro
Pela primeira vez em São Paulo, espetáculo Egoísta entra em cartaz na CAIXA Cultural São Paulo em setembro
Protagonizado pela atriz cearense Ana Marlene, o solo debate vida nômade, maternidade e etarismo.
Crédito: Matheus Tavares
Mochileira, viajante, passageira do mundo. É assim que se define Josefa Feitosahttps://www.instagram.com/joviajando/, cearense que inspira o espetáculo Egoísta, a nova produção da Peixe-Mulherhttps://www.instagram.com/peixe.mulher/. Idealizada e dirigida por Juracy de Oliveirahttps://www.instagram.com/juracydeoliveira/ e protagonizada pela atriz Ana Marlene, a peça finalmente chega a São Paulo, com temporada de 3 a 13 de setembro, de quinta a domingo, na CAIXA Cultural São Paulo. Em seguida, a peça segue para o Ceará, onde se apresenta na CAIXA Cultural Fortaleza.
Egoísta nasce do desejo de levar ao teatro a história de Josefa, ou Jô, como prefere ser chamada, mulher negra que decidiu driblar as regras e renegar tudo o que se espera de alguém na terceira idade. Para ela, nada de ficar em casa ou cuidar de netos, a vida está no movimento que se faz para viver no mundo.
Longe de ser um diário de bordo, Egoísta é um espetáculo sensível e impactante, que passeia pela vida de Jô, das memórias de sua infância até as de suas viagens, mas que aborda essencialmente questões ligadas à maternidade e ao etarismo, em diálogo direto com a plateia.
Além da temporada regular, estão programas atividades complementares. No dia 5 de setembro, Jô ministra a oficina A Fantástica Experiência de Viajar Sozinha. As sessões dos dias 4 e 11 de setembro são seguidas de bate-papo com o público após a peça, e as sessões dos dias 6 e 13 de setembro são acessíveis ao público surdo, com intérprete de Libras.
Ministrada por Jô, a oficina é voltada para mulheres a partir de 50 anos. No encontro, Josefa compartilha sua experiência como nômade e ensina, na prática, desde o uso do cartão de crédito até formas de se comunicar e se orientar durante as viagens. A oficina funciona também como espaço de encorajamento e escuta, em que as participantes falam de suas próprias histórias.
A história de Jô e a concepção da peça
Jô nasceu em Juazeiro do Norte, é mãe, avó e assistente social por formação. Há oito anos “vive onde a sua mala está”. Depois de se aposentar, decidiu tornar-se nômade, viver viajando, conhecendo novos lugares, novas pessoas, sem destino certo, guiada sempre pelo mistério e o encantamento de viver o inédito.
Aos 64 anos, já percorreu mais de 60 países e compartilha suas andanças pelo mundo nas redes sociais (@joviajando). A relação com a tecnologia foi construída nos percursos. Hospedada em hostels e em contato com viajantes mais jovens, foi aprendendo mais sobre o uso dos aparelhos e das redes, enquanto partilhava com os novos amigos formas alternativas de se orientar melhor no mundo.
Jô desfruta de uma vida de liberdade, mas nem sempre foi assim; durante quase 30 anos, se dedicou ao sistema carcerário cearense, onde atuou fortemente na luta por Direitos Humanos. Fora dele, criou sozinha três filhos e acompanhou a criação de um neto. Para algumas mulheres, a maternidade solo também pode ser sinônimo de encarceramento.
Assistente social por formação, ela é uma figura referenciada no Ceará pelas suas lutas sociais, tendo sido uma das responsáveis por garantir alas exclusivas para pessoas trans no sistema carcerário. Essa vivência colaborou para o movimento de ansiar tanto pelas suas ideias de liberdade.
Jô vive há quase dez anos como nômade. Depois de um ano viajando, voltou apenas para doar tudo o que tinha. Partilhou o patrimônio, organizou sua mochila e retomou o caminho. Hoje não tem residência fixa e vive onde a mala dela está.
“Conhecer a Jô foi uma surpresa, a história de vida dela é inacreditável e por ter sido criado em uma família com uma maioria de mulheres, a coragem dela me atravessou, me fez lembrar das mulheres que são referência pra mim. Essa peça parte de um desejo genuíno de homenagear pessoas enquanto estão vivas, ainda que não sejam famosas”, explica Juracy, diretor do projeto, que conheceu Jô por meio de sua irmã, que estava se tornando nômade.
A coragem de Jô foi também o chamariz para Ana Marlene aceitar viver essa personagem. Aos 46 anos de carreira, a atriz que fundou a Trupe Caba de Chegar - o primeiro grupo de teatro de rua de Fortaleza - estreou seu primeiro solo com a personagem, lhe rendendo uma indicação ao Prêmio Shell 2024 na categoria Melhor Atriz.
“A Jô me inspira. A história dela conta também uma parte da minha: uma mulher negra, que saiu de casa pra viver um sonho, que não teve medo de enfrentar o preconceito, não teve medo de ousar e se aventurar. Mesmo no alto dos seus 50, 60 anos, quando tudo o que a sociedade quer é que você se esconda, ela fez o contrário, apareceu mais ainda e pintou o cabelo de azul", conta a atriz.
O espetáculo já percorreu mais de 10 cidades brasileiras e agora chega a São Paulo, na CAIXA Cultural. Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados na bilheteria do teatro uma hora antes das apresentações. As sessões dos domingos (6 e 13 de setembro) são acessíveis ao público surdo, com intérprete de Libras.
Antes de chegar a São Paulo, Egoísta já havia passado por duas temporadas no Rio de Janeiro, ambas realizadas pelo mesmo edital e com casas cheias. A primeira foi em 2024, no Sesc Tijuca, com ingressos esgotados; a segunda, em maio de 2026, circulou pela capital e pelo interior do estado, passando por seis cidades.
Sinopse
Egoísta conta a história real de Josefa Feitosa, cearense de Juazeiro do Norte, que sempre acreditou que o mundo era muito grande para se perder tempo em um lugar só. Após sua aposentadoria, ela colocou a mochila nas costas e saiu em busca de sua liberdade.
Serviço
Egoísta
Datas: 3, 4, 5, 6, 10, 11, 12 e 13 de setembro de 2026
Horário: Quinta-feira a sábado: 19h | Domingo: 18h
Local: CAIXA Cultural São Paulo (Praça da Sé, 111 - São Paulo)
Os ingressos gratuitos são distribuídos uma hora antes do início de cada apresentação, limitados a um por pessoa.
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: Livre
Ficha Técnica
Direção e idealização: Juracy de Oliveira
Concepção dramatúrgica: Juracy de Oliveira e Sara Síntique
Texto: Sara Síntique
Elenco: Ana Marlene
Coordenação de Produção: Luana Caiubi
Coordenação de Comunicação: Renata Monte
Produção: Marisa Bezerra e Rodrigo Ferrera
Maquiagem: Rodrigo Ferrera
Figurino: Cris Rodrigues
Cenário: Li Coelho e Cris Rodrigues
Ass. Direção: Alda Pessoa
Direção musical: Clau Aniz
Fotos: Matheus Tavares / Karla Brights
Redes sociais: Peixe-Mulher
Design: Lorena Araújo
Iluminação: Tayná Maciel
Realização: Peixe-Mulher
Assessoria de Imprensa - Pevi 56
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