[News] Álbum “MARANHÃO RAIZ: Lucas Kastrup visita Mestras e Mestres" apresenta legado ancestral da cultura maranhense em ritmos e manifestações que vão do Tambor de Crioula ao Reggae

 Álbum “MARANHÃO RAIZ: Lucas Kastrup visita Mestras e Mestres" apresenta legado ancestral da cultura maranhense em ritmos e manifestações que vão do Tambor de Crioula ao Reggae




Antropólogo, compositor e baterista da banda de reggae Ponto de Equilíbrio lança o álbum etnográfico documental, fruto de pesquisa de pós-doutorado em povoados rurais maranhenses

Link do álbum - https://onerpm.link/AlbumMaranhaoRaiz

   

Lucas Kastrup; Capa do álbum; Dama do Reggae Célia Sampaio no clipe de “Maranhão Raiz”

Créditos: Wesley Rodrigo; Carol Libério/Bragga (capa); Novaes Sales. 

O INÍCIO - Distante da capital São Luís (MA) e mais ainda do Sudeste do Brasil, onde vive o antropólogo e músico carioca Lucas Kastrup, a Baixada Maranhense guarda, em seus povoados rurais, diversas expressões culturais na interface entre tradições africanas, indígenas e católicas do Nordeste e Norte do Brasil. Unindo música, dança e poesia, as festas, com fartura de ritmos e de alimentos, atravessam longas gerações.

Tambor de Crioula, Tambor de Mina, Toque do Divino, Bumba-meu-boi, Baile de São Gonçalo, entre outras manifestações populares, fazem parte do universo das pesquisas de Lucas Kastrup no campo de estudos da música e rituais, que iniciaram de forma independente em 2018 e contou com o apoio do Instituto Nova Era em 2020. Em 2023, após três anos de pesquisa de seu projeto de pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional da UFRJ, o compositor e membro-fundador da banda Ponto de Equilíbrio apresentou alguns resultados do estudo na exposição fotográfica “Baile de São Gonçalo: Retrato da Baixada Maranhense” durante as celebrações de 206 anos do Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

O ÁLBUM - A partir do ano seguinte, ele ampliou as pesquisas na audição de diversas tradições locais e, dia 27 de agosto, apresenta ao Brasil um navegar ainda mais profundo pelas águas e músicas da região, no álbum “MARANHÃO RAIZ: Lucas Kastrup visita mestras e mestres”. O trabalho registra e expõe a diversidade musical das tradições orais do interior maranhense, dando voz a mestras e mestres anônimos que perpetuam saberes ancestrais através de uma gama de ritmos e canções. Manifestações como Tambor de Crioula, Tambor de Mina, Bumba-meu-boi, Toque do Divino, Cacuriá e Baile de São Gonçalo são algumas das memórias que o pesquisador e produtor musical reconhece nesses mestres maranhenses.

“Durante a pesquisa, eu e dois técnicos de som percorremos povoados rurais da Baixada Maranhense registrando manifestações culturais que foram compiladas nesta obra; um álbum que traz, pela primeira vez, um recorte da expressão musical pelo olhar cultural e social desta região brasileira. Foi uma experiência emocionante”, afirma Lucas Kastrup Rehenhttps://www.instagram.com/lucas_kastrup/, que também é baterista da banda Ponto de Equilíbrio, uma importante referência na história do gênero reggae no Brasil desde 1999.

O álbum reúne 8 faixas, entre autorais dos mestres e canções de domínio-público presentes nos folguedos, rituais e manifestações populares preservadas pela tradição oral. Entre os músicos locais e artistas convidados que acompanham as mestras e mestres nestas gravações, estão: o percussionista Cacau Amaral e o violonista Chico Nô. Além dos anciãos cantores, duas faixas trazem as vozes de crianças em coro, registradas no município de São Vicente Férrer, na Baixada Maranhense, e na capital São Luís.

 

Crianças na manifestação Baile de São Gonçalo; Lucas e caixeiras de São Vicente Férrer; Tambor de Crioula. Créditos: Carol Libério; João Simas; Iberê Périssé

VIDEOCLIPE - Além de produzir o álbum, Lucas Kastrup assina a autoria da faixa-título, o reggae “Maranhão Raiz”, lançada recentemente como single do álbum e que enumera em sua letra os ritmos que constroem este trabalho. Lucas toca bateria e percussão na gravação, que é interpretada pela “Dama do Reggae”, a maranhense Célia Sampaiohttps://www.instagram.com/cantoraceliasampaio, com participação do cantor jamaicano Phe-Nomhttps://www.instagram.com/phenommusik/.

“Célia é uma referência do gênero no Estado, no Brasil, uma grande amiga e a convidei para interpretar essa nova canção. Uma curiosidade é que, em São Luís, as pessoas gostam de ouvir o reggae raiz em inglês. Então fiz uma versão da letra e convidei o jamaicano Phe-nom para cantar também”, conta Lucas, que voltou à região no fim de 2025 para gravar o clipe, lançado junto com o single, que exibe imagens de alguns dos rituais estudados, além de Célia Sampaio, Phe-nom e dançarinos de reggae.

O roteiro do vídeo foi assinado pelo próprio Lucas, direção em parceria com João Simas, que co-editou com Klícia, ambos artistas maranhenses. Confira no YouTubehttps://www.youtube.com/watch?v=h4nKG5ORdHYou Instagramhttps://www.instagram.com/p/DbrI3JnxV7a/. Em breve, junto ao lançamento do álbum “MARANHÃO RAIZ: Lucas Kastrup visita mestras e mestres”, o produtor disponibilizará mais 6 vídeos curtos com imagens gravadas durante este período de experiências, pesquisa e levantamento etnográfico-musical no interior do Maranhão. 

A capa do álbum traz o registro de uma senhora durante o Baile de São Gonçalo equilibrando um prato de velas acesas sobre a cabeça como forma de agradecimento e pagamento de promessa enquanto assiste ao festejo. A imagem é da fotógrafa Carol Libério, que acompanhou Lucas em uma das visitas a campo, em São Vicente Férrer (MA). A finalização da capa é do artista Bragga

MÚSICA & AÇÃO SOCIAL - Envolvido com as comunidades do interior do Maranhão desde 2018, no início de suas pesquisas em campo, o músico e pesquisador Lucas Kastrup participa de ações sociais locais de educação e saúde, ao lado de sua esposa, a pedagoga, assistente social e professora Waldorf Juliana Genuncio, apoiando a escola comunitária Jardim de Belas Flores, no povoado rural do Bom Jardim, em São Vicente Férrer (MA). As crianças e educadoras desta iniciativa pedagógica, incluindo Ju Genuncio, cantam na faixa “Paneiro” do novo álbum. Conheça o trabalho social: https://www.instagram.com/jardim.de.belasflores/# 

 

FAIXA A FAIXA Álbum “Maranhão Raiz: Lucas Kastrup visita mestras e mestres”

(Mixado e masterizado por Tiquinho Santos / MidStudio)

1 - Baia-baiô (Tambor de Crioula)

Um dos grandes expoentes na história do Tambor de Crioula foi o Mestre Felipe de Sibá, natural do município de São Vicente Férrer, na Baixada Maranhense. O percussionista Cacau Amaral toca e canta a obra autoral em homenagem ao seu professor e saudoso mestre Felipe, a faixa “Baia-baiô (Tambor de Crioula)”. 

Lucas Kastrup e Ju Genuncio cantam em coro e fortalecem as palmas nesta faixa escolhida para a abertura do álbum. 

2 - Praia do Lençol (Tambor de Mina) 

Sr. Galvão e Dona Zeca tratam-se como comadre e compadre. Eles são experientes veteranos na condução de rituais do Tambor de Mina, no interior do Maranhão, mais especificamente na área rural de São Vicente Férrer. De acordo com Dona Zeca e Sr. Galvão, as canções desta tradição são chamadas de doutrinas, aprendidas no contato com seres encantados. 

Voz: Sr. Galvão e Dona Zeca / Percussão: Cacau Amaral complementando o arranjo rítmico com os tambores no sotaque da Baixada.

3 - Onça / Boi Encantado 

O bumba-meu-boi é uma grande expressão na cultura popular maranhense e está presente em um pout-pourri que traz a toada tradicional “Onça” junto com outra canção, até então inédita, de autoria da compositora Maria Cristina Moraes: “Boi Encantado”

Nesta faixa, o álbum une anciãos e crianças na perspectiva da oralidade, trazendo um coral infantil conduzido pelo músico Chico Nô com crianças da Escola Jardim Guará Mirim, da capital São Luís. O percussionista Cacau Amaral também participa da faixa. 

4 - Mana Caixeira (Toque do Divino) 

A cantiga “Mana Caixeira (Toque do Divino)” apresenta uma das mais belas tradições maranhenses, nas vozes e no tradicional toque de caixa das senhoras do “Grupo da Pachorra Proteção do Espírito Santo”, de São Vicente Férrer/MA. A memória da cultura popular é ressaltada nesta faixa, que também versa sobre a força feminina e a união fraternal entre as caixeiras do Toque do Divino. Além do refrão em coro, as estrofes são entoadas no improviso por cada senhora, uma a uma, na linguagem musical de perguntas e respostas que encantam por seu dom criativo

5 - Astros Brilhantes (Baile de São Gonçalo) 

O Baile de São Gonçalo se diferencia das outras vertentes do álbum por ser tradicionalmente executado sem instrumentos de percussão e sim por rabeca, violão e eventualmente a sanfona, além do canto coletivo de mulheres e homens. O Baile é uma cerimônia de pagamento de promessas, com roupas de gala aos dançantes, foguetes (fogos de artifício) e fartura de alimentos, que pode durar mais de uma semana, em barracões construídos no quintal dos donos das promessas em povoados rurais. 

A faixa “Astros Brilhantes (Baile de São Gonçalo)” é um trecho do baile que afirma saúde aos devotos do santo, que, por sua vez, traz uma viola em sua imagem: São Gonçalo de Amarante, o santo português, ressignificado na tradição oral dos festejos no interior do Maranhão. ‎

6 - Viva São Gonçalo (Baile de São Gonçalo)

Essa faixa traz uma das declamações do guia do Baile de São Gonçalo, no momento em que ele declara o pagamento da promessa e agradece dando viva ao santo, seguido por um tema instrumental com rabeca, violão e sanfona do Baile tradicional da Baixada Maranhense.

Gravado com músicos e cantoras/es do Baile tradicional no município de São João Batista/MA.

7 - Paneiro (Baião / Cacuriá)

Paneiro é uma antiga canção que celebra a arte tradicional dos cestos de palha (o cofo e o paneiro), na transmissão de saberes em povoados rurais da Baixada Maranhense. Nas vozes de crianças e educadoras da escola comunitária Jardim de Belas Flores, “Paneiro” traz o ritmo do baião, mas com referências ao cacuriá (no toque da caixa). É uma música emblemática neste álbum. Álbum que passeia pela sonoridade genuinamente maranhense do Tambor de Crioula ao Reggae de raiz

O percussionista Cacau Amaral, o violonista Chico Nô e o sanfoneiro Eleandro Rocha são os músicos que abrilhantam a cantiga do Paneiro. 

8 - Maranhão Raiz (Reggae) - Célia Sampaio / Phe-Nom 

A faixa-título do álbum é uma composição reggae do antropólogo Lucas Kastrup, que também é baterista, compositor e membro-fundador do Ponto de Equilíbrio, banda de destaque na história do reggae nacional. Nesta obra, o autor enaltece as características singulares do reggae maranhense e aborda, na letra, as tradições que estão no álbum Maranhão Raiz: Lucas Kastrup visita mestras e mestres, como o Toque do Divino, Bumba-boi, Baile de São Gonçalo, Tambor de Crioula e o Tambor de Mina, além de citar o ritual do Baião de Princesas, da Casa Fanti Ashanti (em São Luís do Maranhão)

A faixa é interpretada pela maranhense Célia Sampaio, a Dama do Reggae e primeira mulher a gravar um álbum de reggae no Brasil, e que permanece em plena atividade desde a década de 80. Participação especial de Phe-Nom, cantor rastafari, jamaicano, que vive no Brasil. 

Lucas Kastrup compôs a música e gravou bateria, tambor e percussão / Rafael Paz: baixo / Thales Lion Farmer: guitarras / Pedrada Caetano: teclados.

Link para o álbum: https://onerpm.link/AlbumMaranhaoRaiz

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