[News] Por que cotistas abandonam a universidade? Livro de pesquisadora analisa barreiras de permanência e lança obra em SP


 

Fruto de três anos de pesquisa, "Democratização em conflito", da educadora Michele Campos (Emó Editora), denuncia a violência simbólica no campus e propõe soluções institucionais. Lançamento ocorre dia 1º de agosto na Livraria da Vila

Entrar na universidade pública é suficiente para garantir o direito à educação? É a partir dessa provocação que a pedagoga, educadora popular e pesquisadora Michele Campos lança o livro “Democratização em conflito: Por que estudantes cotistas abandonam o curso de Pedagogia da USP? ”. Publicada pela Emó Editora, a obra investiga os obstáculos que vão além das barreiras financeiras e atingem a saúde mental, a dignidade e a permanência de estudantes cotistas na Universidade de São Paulo.

O lançamento presencial e a sessão de autógrafos com a autora ocorrem no dia 1º de agosto, às 15h, na Livraria da Vila do Shopping Anália Franco.

Resultado de três anos de investigação com metodologia baseada em etnografia multissituada, Michele Campos - ex-aluna do curso de Pedagogia da universidade - percorre a história da USP e analisa relatos de estudantes para mostrar como práticas de exclusão e violência simbólica são frequentemente mascaradas de “rigor acadêmico”.

“Ao aprofundar a pesquisa, evidencio os atravessamentos entre os relatos de estudantes e a minha própria trajetória acadêmica, ambos marcados por situações de não pertencimento, violência simbólica e invisibilização. Meu objetivo é mostrar que o maior desafio não é o vestibular, mas a permanência. O debate não deve se limitar ao apoio financeiro; precisa incluir as relações pedagógicas e a cultura institucional que favorecem a exclusão”, afirma a autora.

Relatos de violência simbólica e medo de denúncias

A pesquisa revela que, embora o ingresso na USP represente a possibilidade de transformar as condições de vida de famílias inteiras, o cotidiano acadêmico impõe desgastes profundos. O livro reúne casos marcantes de desamparo, como o de uma estudante com deficiência que ouviu de uma docente que “a USP talvez não fosse um lugar para ela” ao solicitar adaptações pedagógicas, e o de uma aluna reprovada indevidamente mesmo com frequência total e entregas cumpridas.

Em praticamente todos os depoimentos colhidos, as alunas relataram medo de formalizar queixas por receio de retaliações na carreira acadêmica. Nas poucas vezes em que recorreram aos canais institucionais, encontraram revitimização e corporativismo.

“Essas experiências são atravessadas por marcadores de raça, classe e gênero. Quando a instituição falha em acolher e apurar, ocorre a revitimização. O custo físico e emocional faz com que muitas estudantes abandonem o curso original e migrem para outras carreiras de maior prestígio dentro da própria universidade”, explica Michele.

Propostas práticas para o ensino superior

Como alternativa para romper com a cultura do silêncio, a obra defende que a apuração de denúncias nas universidades seja conduzida por instâncias independentes, sem vínculos com a unidade de origem do denunciado, garantindo imparcialidade e proteção às vítimas.

“Se eu pudesse resumir a mensagem do livro em uma frase, seria: ‘Não se cale’. O medo de retaliações fortalece a impunidade. O assédio e a discriminação são fenômenos sustentados por estruturas de poder. Se a universidade pretende ser democrática, precisa ser comprometida com a dignidade, a escuta e a proteção das pessoas que a constituem”, conclui a pesquisadora.

O livro "Democratização em conflito" foi apresentado em primeira mão durante a 35ª Reunião Brasileira de Antropologia, realizada em Goiânia, no dia 15 de julho de 2026, onde teve excelente receptividade entre os participantes. Agora, a obra chega ao grande público, marcando o lançamento oficial da publicação.

Sobre a autora

Michele Campos é pedagoga, educadora popular e pesquisadora. Graduada pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP), dedica seus estudos à inclusão, direitos humanos e democratização do ensino superior.

Sobre a Emó Editora

A Emó Editora tem como propósito publicar obras que inspiram, transformam e conectam leitores às suas emoções mais profundas. Com um catálogo diversificado, aposta em autores nacionais que trazem autenticidade, sensibilidade e novas perspectivas ao mercado editorial brasileiro.

Serviço:

Lançamento do livro: Democratização em conflito: Por que estudantes cotistas abandonam o curso de Pedagogia da USP?
Autora: Michele Campos
Editora: Emó Editora
Data: 01 de agosto de 2026 (Sábado)
Horário: 15h
Local: Livraria da Vila – Shopping Anália Franco
Endereço: Av. Regente Feijó, 1739 - Tatuapé, São Paulo - SP
Entrada: Gratuita
Pré-venda: https://loja.emoeditora.com.br/educacao/democratizacao-em-conflito-por-que-estudantes-cotistas-abandonam-o-curso-de-pedagogia-da-usp





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