[News] Em “O Caminho de Gaia”, Roger Dörl imagina uma sociedade onde o conhecimento é proibido pelo poder
Romance de ficção científica combina fantasia, espiritualidade e crítica social em uma jornada marcada por profecias, vidas passadas e disputas sobre o sentido da fé
No planeta Asdomiun, o conhecimento não é uma ideia abstrata. Ele se manifesta como o nooether, uma substância real que qualquer pessoa poderia aprender a manipular — se o regime dominante não fizesse de tudo para impedir. É nesse universo que se passa “O Caminho de Gaia” (Ed. do Autor, 358 págs.), novo romance de Roger Dörl, que combina ficção científica, fantasia e reflexão espiritual para discutir poder, religião e transformação social.
A narrativa acompanha Enarê, um jovem inconformado com as injustiças e a violência que estruturam sua sociedade. Prestes a ser executado durante o Grande Rito — cerimônia anual que determina o destino dos jovens ao atingirem a vida adulta — ele descobre habilidades ligadas ao nooether e sobrevive. A partir desse momento, passa a ocupar uma posição central em antigas profecias capazes de alterar os rumos de todo o planeta.
Enquanto tenta compreender seu papel nesse processo, Enarê é confrontado por lembranças de vidas passadas, segredos familiares e revelações que desafiam tudo o que acreditava saber sobre religião, política e realidade. Ao lado de Liora, uma noomante capaz de enxergar à distância, e de companheiros ligados à Terra, ele atravessa diferentes regiões de Asdomiun em uma jornada de redenção marcada por conflitos, descobertas e escolhas que ecoam através dos séculos.
Cristianismo, violência e caminhos alternativos para a fé
Depois de publicar o romance “Alena Existe” e a coletânea “Crônicas de Um Mundo”, Roger Dörl aprofunda em “O Caminho de Gaia” questões ligadas à espiritualidade, à política e aos mecanismos de controle social. O cristianismo ocupa um papel central nessa discussão.
“Tenho uma formação cristã que me distancia muito do que se entende hoje por Cristianismo”, afirma o autor. “O que vemos não é só uma distorção dos ensinamentos de Cristo, mas um problema de ordem prática, na medida em que a crença se transforma em uma escola política que, em vez de resolver, agrava problemas sociais. ”
Movido pela necessidade de compreender como determinadas interpretações religiosas se consolidaram ao longo da história, Dörl realizou uma extensa pesquisa envolvendo livros bíblicos e evangelhos apócrifos, entre eles o Evangelho de Tomé e o Pastor de Hermas, mencionados na obra. O resultado é uma narrativa que questiona a instrumentalização política da fé, a violência institucional e a mercantilização do sagrado.
A discussão se estende a temas como discriminação étnico-racial e masculinidade tóxica. Em uma sociedade que valoriza a força e a agressividade como atributos masculinos, Enarê se destaca justamente por resistir à lógica da violência que o cerca.
A construção de um universo próprio
Além dos debates filosóficos e espirituais, “O Caminho de Gaia” apresenta um elaborado trabalho de construção de mundo. Asdomiun é habitado por diferentes povos e criaturas, entre eles os aljabes, seres sem boca que se comunicam por gestos e nooether e que escolheram servir aos humanos.
A geografia do planeta inclui locais como a Vila Mestra, a Cidade Antiga, os Montes Olímpicos, a Escada Aérea e o Leste Impossível. Para complementar a experiência de leitura, o livro traz mapas detalhados ao final da edição.
“Conforme eu construía o mundo, também já ia esboçando a trama e a sequência de acontecimentos. Só depois de tudo isso comecei a escrever. A partir daí tudo fluiu mais rápido”, conta o autor. A produção do romance consumiu um ano inteiro de dedicação exclusiva.
Tolkien, RPG e romances espíritas entre as influências
Roger Dörl define sua trajetória criativa como um “caldeirão de inspirações e referências”. Entre as principais influências para “O Caminho de Gaia” estão o universo literário criado por J. R. R. Tolkien e o jogo de RPG Dungeons & Dragons. Outra referência importante vem dos romances espíritas.
“Li vários e sempre gostei de como são construídos os arcos dos personagens nessas histórias, com processos de cura e redenção que envolvem mergulhos profundos em sentimentos e experiências de vidas passadas”, explica.
Essa influência aparece diretamente na estrutura da narrativa, em que memórias de outras existências desempenham papel fundamental na trajetória dos personagens.
O autor escreve predominantemente à noite e busca equilibrar linguagem acessível com discussões complexas. “Fico mais à vontade com o silêncio e consigo manter a qualidade do foco. Dentro disso, busco trazer conteúdos mais elaborados e ideias mais complexas, normalmente com base em estudos e conhecimentos das áreas de Filosofia, Psicologia e Espiritualidade. ”
Sobre o autor
Roger Dörl nasceu em Curitiba e cresceu no interior de Santa Catarina. É formado em Direção Teatral pela FAP (atual Unespar) e especialista em Ensino de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira pela UTFPR. Atuou como professor do Ensino Fundamental à Graduação, diretor de teatro, produtor cultural e redator para web.
Lecionou em universidades do Oeste catarinense, no município de Santa Isabel do Rio Negro (AM) e no SESI em Brasília, cidade onde reside atualmente. Em 2024, estreou na literatura com o romance de ficção científica “Alena Existe”, seguido pela coletânea “Crônicas de Um Mundo”. Participa de antologias de fantasia, aventura e mistério e publica contos gratuitos na internet. Atualmente dedica-se exclusivamente à escrita.
Ficha técnica
Livro: O Caminho de Gaia
Autor: Roger Dörl
Editora: Edição do Autor
Páginas: 358
Gênero: Ficção científica; literatura brasileira; fantasia
ISBN: 978-65-02-01286-4
Ano: 2026
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