[Resenha] Boas Meninas Se Afogam Em Silêncio

 


Michelle Araújo Silva

Sinopse: Solucionar um crime é tão difícil quanto conhecer e aceitar a si mesmo.

Após uma tempestade, o corpo da jovem Amélia Moura é encontrado com marcas de estrangulamento em uma região afastada de Curitiba, em meio às araucárias. A investigação sobre seu desaparecimento, arquivada por falta de evidências, é então reaberta.

Com a atenção da mídia e da sociedade voltando ao caso, a delegada Ana Cervinski e o policial Júlio Bragatti estão determinados a descobrir o que aconteceu. Aos olhos de todos, Amélia era uma boa menina — filha de um importante deputado, primogênita de uma família tradicional e noiva de um empresário. Mas, quando as imagens de uma câmera de segurança revelam que ela recebia visitas secretas de uma desconhecida em casa, fica claro que Amélia guardava segredos.

Ao misturar investigação policial e drama, Andressa Tabaczinski constrói um thriller eletrizante e sensível.

Boas meninas se afogam em silêncio é uma reflexão sobre as contradições mais profundas da sociedade, com um mistério que sustenta o fôlego até o final.

O que achei? Primeiro livro de drama policial de Andressa Tabaczinski, a trama se desenvolve em duas linhas temporais: o presente, onde acompanhamos a investigação paralela do assassinato de Amélia com a delegada Ana e o policial Júlio e o passado, onde se desenvolve a vitimologia, ou seja, onde conhecemos a Amélia e sua vida de aparências aos poucos sendo descontruída e revelando a verdadeira natureza de suas relações com sua família, seu noivo, suas amizades e a relação homoafetiva de Amélia, onde ela conhece um mundo novo livre das pressões sociais de uma família poderosa e conservadora, um noivo abusivo e uma vida baseada apenas em se ter uma boa imagem.

O livro trata de temas bastante importantes como violência de gênero, autodescoberta, relacionamentos abusivos tanto familiares quanto com cônjuges, identidade, conservadorismo da sociedade, influência de pessoas poderosas em investigações policiais e feminicídio, sendo Amélia o centro do desenvolvimento desses temas e alvo de críticas da autora no caso de violência contra a mulher e o conservadorismo hipócrita da sociedade.

O mistério também é algo que prende até o final do livro e o desfecho não é previsível e o verdadeiro culpado do assassinato de Amélia também é uma vítima de abuso, controle, segredos familiares e imagem pública, mas sem servir como justificativa ou defesa de seus atos e crimes.

O único ponto negativo é dois dos personagens principais caírem no clichê de terem um relacionamento no meio da investigação.

Nenhum comentário