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O cantor e compositor Dorival Caymmi pegou um “ita” e chegou à Cidade Maravilhosa em 1938. Tinha 24 anos e trazia apenas uma malinha e seu violão embaixo do braço. Conseguiu se embrenhar no ambiente radiofônico e, no ano seguinte, conheceu a maior cantora de seu tempo, Carmen Miranda, que o projetou gravando três músicas suas, incluindo uma em dueto com ele, “O que é que a baiana tem?”, que marcou sua estreia em disco como intérprete. Logo o Brasil ficou conhecendo aquele baiano que em suas canções, cantadas com sua voz de trovão e um violão bem diferente de tudo que havia até então, transbordava suas impressões sobre a Bahia. A geografia da cidade, seus habitantes, sua culinária, as respectivas quituteiras, suas danças, a negritude, a religiosidade afro e... suas praias.
Para o primeiro álbum que gravou, este “Canções Praieiras”, de 1954, ele escolheu justamente essa parte temática de seu cancioneiro. Lançou em primeira mão logo duas pérolas autorais do gênero – “Quem vem pra beira do mar”, também gravada por Aracy de Almeida na mesma época, e “O bem do mar”. Aproveitava para regravar o clássico “O mar” (“Quando quebra na praia/ É bonito/ É bonito)”, sua canção favorita, lançada em 1940 num 78 rpm apresentando a mesma música dos dois lados. E ainda “É doce morrer no mar” (rara parceria com o compadre Jorge Amado) e “A jangada voltou só”, que integravam um mesmo disco de 78 rpm de 1941, além de “A lenda do Abaeté” e “Saudade de Itapoan”, que faziam parte de outro, em 1948, retratando, respectivamente, a famosa lagoa de Salvador e uma de suas praias mais emblemáticas. Fechando a tampa, “Pescaria (Canoeiro)”, que o Trio de Ouro (Herivelto Martins, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas) teve a primazia de registrar, em 1944. O resultado é uma pequena obra-prima. Acompanhando-se apenas de seu violão, parecia estar com uma orquestra.
O álbum “Canções Praieiras”, de Dorival Caymmi, já está disponível para pré-venda na UMusic Store. Saiba mais aqui: https://www.umusicstore.com/dorival-caymmi .
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