[News] “Só vale a pena se houver encanto”: romance do André Giusti acompanha jornalista em colapso pessoal nos bastidores de Brasília


Publicado pela editora Caos e Letras, livro marca a estreia do autor no romance; Giusti já foi semifinalista do Oceanos e finalista do Jabuti com livros de contos

Semifinalista do Prêmio Oceanos em 2024, o escritor André Giusti (@andregiustim68) lança seu primeiro romance,“Só vale a pena se houver encanto”. Publicada pela editora Caos e Letras (368 págs.), a obra acompanha a trajetória de Alessandro Romani, jornalista e escritor carioca radicado em Brasília, cuja vida atravessa uma sequência de perdas — desemprego, separação e morte — em meio aos bastidores da cobertura de acontecimentos recentes da política brasileira, como as manifestações de 2013 e a ascensão e queda da primeira presidenta do país.

Escrito ao longo de onze anos, o livro é conduzido por uma prosa coloquial, atravessada por imagens poéticas pontuais, e mergulha na crise existencial de seu protagonista. Em colapso pessoal e profissional, Alessandro se recusa a aceitar a vida como uma mera sucessão de obrigações e boletos a pagar. Acaba encontrando na terapia um espaço de enfrentamento de si mesmo.

A orelha da obra, assinada por Stella Maris Rezende, destaca as contradições humanas que atravessam a narrativa: “Com o casamento em ruínas, recorrentes fracassos no trabalho, a terapia semanal e o relacionamento amoroso com mulheres instigantes, o protagonista-narrador vive angustiado em seu intenso amor pelas três filhas e um olhar agudamente crítico sobre todas as coisas. ” E resume: “É fascinante a saga em busca de uma vida que tenha encanto. ”

O romance também tem sido elogiado por outros nomes da cena literária. Sérgio Tavares o define como um mergulho no devir masculino, enquanto Débora Ferraz aproxima o tom do narrador ao de Fiódor Dostoiévski em “Notas do subsolo”, destacando a dimensão trágica e, ao mesmo tempo, patética do personagem.

Pai de três meninas, divorciado, fã de rock e blues e já lidando com os primeiros sinais do envelhecimento, Alessandro reflete sobre paternidade, precariedade do jornalismo, virilidade e as expectativas de futuro que atravessam toda uma geração. O colapso da saúde mental masculina e da própria ideia de masculinidade estrutura uma narrativa que também expõe a dificuldade dos homens em se abrirem entre si e olharem para dentro.

Para Giusti, o eixo central do livro está na tentativa de ampliar o sentido da existência: “A gente precisa entender que a dor, a decepção, a derrota, o abandono, a frustração, o fracasso e as perdas fazem parte da vida. A gente trata tudo isso como um fato extracampo, mas não é.”

O autor também comenta a relação entre ficção e experiência pessoal: “Alessandro Romani foi criado a partir da minha costela, certamente, mas ele sou eu e mais tantas pessoas verdadeiras ou fictícias. Se é autoficção que chamam, tudo bem, não vejo nenhum problema, e acredito que não se começou a fazer isso apenas de uns tempos pra cá. ”

André Giusti: entre o jornalismo e a literatura


Nascido no Rio de Janeiro, onde viveu até os trinta anos, André Giusti reside em Brasília desde então. Sua trajetória no jornalismo inclui passagens pelo Sistema Globo de Rádio (Rádio CBN), Grupo Bandeirantes de Comunicação, Fundação Roquete Pinto (TVE-RJ), Rádio e TV Justiça, entre outros. Atualmente, é assessor de imprensa do Senado Federal e repórter freelancer do #Colabora.

Na literatura, foi finalista do Prêmio Jabuti em 1997 com “Voando Pela Noite, Até de Manhã” (7Letras, 1996) e semifinalista do Oceanos 2024 com “As Filhas Moravam Com Ele” (Caos e Letras, 2023). “Só vale a pena se houver encanto” é seu 11º livro e primeiro romance.

Suas influências literárias remontam à adolescência, quando começou a escrever com o desejo de ser compositor. Apaixonado por rock e blues, incorpora a musicalidade desses gêneros à sua escrita. Entre suas referências estão Fernando Sabino, Rubem Braga, Luis Fernando Veríssimo, Mário Quintana e Chacal. Nos últimos trinta anos, autores como John Fante e Charles Bukowski passaram a ocupar lugar central em sua estante, ao lado de Lygia Fagundes Telles, referência tanto temática quanto formal.

Atualmente, Giusti trabalha em um novo livro de contos, ainda sem previsão de publicação.

Ficha técnica

Título: Só vale a pena se houver encanto
Autor: André Giusti
Páginas: 368
ISBN: 978-65-80804-41-2
Gênero: Romance
Editora: Caos e Letras
Ano: 2026





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