[News] Cineasta Luciano Vidigal participa do último ‘Disconcertos’ da temporada no Futuros - Arte e Tecnologia
Cineasta Luciano Vidigal participa do último ‘Disconcertos’ da temporada no Futuros - Arte e Tecnologia
Diretor do premiado filme ‘Kasa Branca’ vai comentar
disco de funk ‘A curtição do momento, volume 1’
foto Felipe Paiva
Rio de Janeiro, 24 de abril de 2026 - A série de encontros do projeto Disconcertos, idealizado e apresentado pelo jornalista Dodô Azevedo, encerra temporada no centro cultural Futuros – Arte e Tecnologia nesta quarta-feira, 29. A despedida será ao som de funk com um convidado especial: o cineasta e ator Luciano Vidigal, que carrega no nome artístico o solo fértil da comunidade da Zona Sul carioca onde foi criado e descobriu a arte por meio do Grupo Nós do Morro, do qual é integrante desde 1990. Ele vai comentar o LP “A curtição do momento, volume 1”, lançado em 1995, quando o funk carioca pulsava nos bailes suburbanos e nas quadras lotadas do Rio de Janeiro.
O emblemático disco da equipe de som Curtisom Rio é uma experiência sonora contínua, construída a partir de montagens, raps e vinhetas que traduzem a estética vibrante e coletiva dos bailes funk da época. O DJ não era apenas operador técnico, mas também curador, montador e criador de atmosfera. O LP traz faixas como “Rap das montagens”, “Rap das cores” e “Rap das marcas”, além de diferentes músicas assinadas por DJs da cena, como "Montagem Bandido Paspalhão".
“A ideia surgiu quando eu vi que no filme ‘Kasa Branca’ o Luciano mostrava o funk de uma maneira inédita: o lado socioeducativo do gênero. Então pedi para ele me mostrar os funks de formação da adolescência dele”, revela Dodô Azevedo. A escolha do disco traz ainda um fator inédito: é o único LP abordado pelo projeto até agora que existe apenas em vinil, não estando disponível em nenhuma plataforma digital.
“Achei incrível o projeto do Dodô. Gosto muito do título, dos concertos, acho que pode ir para muitos lugares. E achei legal quebrar paradigmas falando da cultura e da arte do funk num lugar de empreendedorismo e inovação, como o Futuros - Arte e Tecnologia. Eu sou amante da música. Eu realmente acho que a música, além de muito poderosa na minha vida, tem um lugar muito sagrado, espiritual, de cura, de tudo. Eu sou cineasta, eu crio, escrevo, conto histórias, e a música é um carro-chefe da minha inspiração. Então, como referência, como um fio condutor da narrativa, acho incrível poder falar sobre a vida e projetos por meio da música”, ressalta Luciano Vidigal.
“Não podíamos encerrar o Disconcertos de outra forma. Escolhemos um disco que só existe em mídia física, um objeto que resiste ao tempo, desafia o apagamento e abre espaço para falarmos também de algo que nos move: a preservação de acervos e da memória cultural. Ainda, com a celebração de um gênero provocante e genuinamente carioca, tenho certeza que vai ser um encontro à altura de tudo que esse projeto representa”, comemora o gerente de cultura do Instituto Futuros, Victor D’Almeida.
Sobre Luciano Vidigal
Luciano Vidigal é cineasta e ator, integrante do Grupo Nós do Morro desde 1990. Foi o primeiro cineasta brasileiro oriundo da favela a ganhar prêmio internacional com o seu filme “Neguinho e Kika” (2005) no Festival de Marselha, na França, em 2005. Roteirizou e dirigiu um dos episódios do longa-metragem “5x Favela - Agora Por Nós Mesmos” (2010), produzido por Cacá Diegues e exibido no Festival de Cannes.
Seu filme “Kasa Branca”, coprodução Globo Filmes e Telecine, foi um dos seis filmes selecionados pela Academia Brasileira de Cinema como pré-candidatos para representar o Brasil no Oscar 2026. O longa venceu 13 prêmios desde o seu lançamento, incluindo Melhor Direção de Ficção no Festival do Rio e o Ethical Film Award no Tokyo International Film Festival.
Luciano Vidigal também dirigiu e roteirizou o curta-metragem “Lá do alto” (2016), que ganhou mais de 30 prêmios em festivais nacionais e internacionais; trabalhou na pesquisa de elenco do filme “Cidade de Deus” (2002), de Fernando Meirelles e Kátia Lund; dirigiu o longa-documentário “Cidade de Deus: 10 anos depois” (2012), disponível na Netflix; e foi um dos diretores do seriado “Pais de Primeira” (2018), da TV Globo.
Como surgiu o projeto Disconcertos
Numa estadia na Europa, em 2012, Dodô Azevedo caminhava pelas ruas de Bruxelas, na Bélgica, quando foi surpreendido por um cartaz numa sala de concertos de música clássica, anunciando, para o dia seguinte, uma audição coletiva do álbum em vinil “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles. Curioso, Dodô foi conferir e ficou surpreso porque o evento contava não só com as músicas, mas com os comentários faixa a faixa, contextualizando as canções na vida do apresentador e dando uma aula do período histórico no qual o álbum havia sido concebido: a Londres de 1968.
Imediatamente, Dodô entendeu que álbuns, especialmente os brasileiros, guardavam histórias particulares e coletivas, e de um Brasil através das canções. Nasceu, assim, a ideia do Disconcertos.
Sobre Dodô Azevedo
Luiz Fernando do Carmo de Azevedo é escritor, cineasta, professor e curador cultural. Mestre em Letras pela PUC-Rio (2004) e autor de romances premiados — entre eles “Fé na estrada”, eleito pela revista Bula um dos dez livros mais importantes em língua portuguesa do século XXI. Como roteirista e diretor, teve obras exibidas e premiadas em festivais no Brasil e no exterior, com retrospectiva organizada por Walter Salles. Vencedor do Prêmio ABRA de melhor roteiro por “Os quatro da Candelária” (Netflix), atua também como curador de projetos culturais e festivais, incluindo o Janela Internacional de Cinema do Recife. Professor do centro cultural Cinema Nosso e do Grupo Estação, ministra cursos sobre cinema, cultura negra e contracultura. É palestrante em eventos nacionais e internacionais, tendo dividido mesas com nomes como Spike Lee, e pesquisa temas ligados à descolonização do saber, da arte e da memória. Atualmente, é colunista da Folha de S. Paulo.
Sobre o Futuros - Arte e Tecnologia
Inaugurado há 21 anos, o centro cultural Futuros - Arte e Tecnologia é um espaço de exibição, criação e inovação artística. Com uma programação gratuita voltada a todos os públicos, o espaço promove e recebe exposições, apresentações artísticas, espetáculos teatrais, entre outros eventos que convidam o público a refletir sobre temas que norteiam sua linha curatorial, como meio ambiente, ancestralidade, diversidade, educação e tecnologia. O Futuros abriga galerias de arte, um teatro multiuso e o Musehum – Museu das Comunicações e Humanidades, que mantém um acervo de mais de 130 mil peças históricas sobre as comunicações no Brasil e atividades interativas sobre o impacto das tecnologias nas relações humanas.
O centro cultural tem gestão do Instituto Futuros. Desde agosto de 2025, o Futuros – Arte e Tecnologia recebe o projeto Upload, realizado pela Zucca Produções, e correalizado pelo Futuros - Arte e Tecnologia e pelo Coletivo 2050, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro – Lei do ISS, com patrocínio da Serede, Nova Rio, Oi, Wilson Sons, Eletromidia, Rastro,Tahto e Prefeitura do Rio de Janeiro/SMC.
Ficha técnica
Curadoria, direção artística e apresentação: Dodô Azevedo
Administração e coordenação: Zucca Produções
Produção: 9 Meses Produções - Thamires Trianon e Sara Machado
Assessoria de imprensa: Sheila Gomes
Operador técnico: Julio Coelho
Assistente de coordenação: Luana Miró
Realização e divulgação: Sheila Gomes por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura – Lei do ISS, com o patrocínio da Serede e da Prefeitura do Rio de Janeiro/SMC.
Serviço
Projeto Disconcertos – LP “A curtição do momento, volume 1”
Apresentação: Dodô Azevedo
Convidado: cineasta Luciano Vidigal
Data: 29 de abril (quarta-feira)
Horário: 19h
Local: Futuros – Arte e Tecnologia
Endereço: Rua Dois de Dezembro 63, Flamengo, Rio de Janeiro
Entrada gratuita

Nenhum comentário