20 janeiro 2017

[Resenha] Coração sombrio


Sinopse:
Uma jovem misteriosa chega a Astópolis e aos poucos devolve os sentimentos que Arquimedes se privara há muito tempo. Com uma nova razão para sua vida, o comandante do exército real decide percorrer o mundo, ficando cada vez mais forte e derrotando todo o mal. Depois de enfrentar lordes, monstros e dragões, encontra em si o pior de todos os males: estar dividido entre salvar o mundo dos poderes de Baltazar, ou se tornar pior que ele.

O que eu achei?
“Às vezes não escondemos nosso passado, simplesmente não queremos voltar a falar sobre ele.”
Logo no início somos apresentados a Pandora, uma jovem animada e insistente que chega ao reino de Astópolis e encontra Arquimedes, o general da guarda real, um homem fechado, distante e turrão. Pandora, dona de muita beleza e uma persuasão incomum consegue convencer o (aparentemente) inflexível Arquimedes para que a deixasse passar a noite em sua casa. Nesse momento se cria um laço emocional repentino entre os dois: Pandora beirando a obsessão pro Arquimedes, e ele, por sua vez, encontrando certo equilíbrio e conforto na presença dela.

Contudo, tudo munda quando Zero, o segundo comandando, volta gravemente ferido de Esperanza e Arquimedes descobre que Baltazar – o rei de lá – foi o causador do ferimento. Rei e seu ex-comandante.

Seguindo uma trama de vingança, Arquimedes é um anti-herói nessa história: um homem sombrio, com um passado obscuro e tempestuoso, personalidade rude, em busca de poder absoluto a qualquer custo , e que fara de tudo para que Baltazar e seus capangas paguem com suas vidas todo o sofrimento e destruição que causaram não só a ele e Zero, mas a todos que vivem ou já viveram em seu reino.
Pandora – apesar de pedante em alguns momentos – torna-se uma guerreira forte, contudo não tem muita importância no andamento da história. O mais interessante foi como a personagem foi construída – sim, a personagem Pandora tem todas as características da mitológica Pandora: graça, beleza, persuasão, meiguice e habilidade (mas falta-lhe certa paciência).

A história ainda mistura muitos elementos de fantias – já que se trata de uma fantasia. Temos guerreiros que controlam os elementos – no exemplo de Arquimedes, que conjura chamas -; colossos animalescos, uma comunidade de dragões divididas por poder que está abeira do colapso, tudo isso envolto no tom medieval, com disputas de poder e ego tanto entre reinos quanto entre guerreiros aliados.
Arquimedes foi um personagem muito bem trabalho, complexo e misterioso apesar de usa pouca idade, e seu caminho durante a história faz com que você se questione quanto a sua integridade e a moral de suas escolhas, do tipo “os fins justificam os meios?”. Em sua busca por poder, suas atitudes oscilam muito entre “fazer o certo” e “fazer o que ele quer”, deixando brechas pra questionamentos sobre sua índole e seu destino no fim de tudo.
Ainda, os reinos e seus reis apresentam muito mais mistérios do que se possa imaginar – como toda boa história medieval que se prese sabe fazer. Reis sanguinários, sem face, sedentos por guerras e disputas podem não ser exatamente quem se acredita.

Contudo, como nem tudo são flores, dois pontos deixaram um pouco a desejar nesse livro.
Primeiro, durante a andança de Arquimedes por respostas e poder, o enredo deixou pontas soltas quanto ao reino de Astópolis e outros personagens secundários que foram, simplesmente, esquecidos. Além disso, as batalhas poderiam ter sido mais bem trabalhadas – foram rápidas e fáceis em sua maioria.
E segundo, a revisão poderia ter sido bem mais eficaz. Essa questão me deixou muito incomodado, uma vez que vi alguns erros se repetirem com uma frequência bem alta.

Ainda assim o livro tem todo seu valor, nos levando a uma aventura por terras perigosas e muitas lutas (e incêndios), numa trama cheia de descobertas sombrias, passados enterrados e muito jogo de poder e ego.

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