[Evento] Celso Tádhei lança “Derrisão”, distopia sobre o controle do riso, na Livraria Argumento


Finalista do Prêmio Jabuti, escritor apresenta romance distópico em que o riso é proibido para impedir uma catástrofe que ameaça a cidade do Rio de Janeiro

O que acontece quando uma sociedade decide abrir mão da alegria em troca da promessa de segurança? É essa a pergunta que move Derrisão (Mondru), novo romance de Celso Tádhei, finalista do Prêmio Jabuti 2025 com A Casa da Ópera de Manoel Luiz. O lançamento acontece no dia 6 de novembro, a partir das 19h, na Livraria Argumento, no Leblon, no Rio de Janeiro. No encontro, o autor apresenta ao público sua nova obra, que combina ficção científica, sátira e distopia para discutir os limites entre segurança, liberdade e controle social.

O livro conta com uma premissa tão absurda quanto inquietante: uma onda gigantesca se ergue sobre a praia de Copacabana e fica paralisada, a oitenta metros de altura, ameaçando desabar sobre a cidade. Cientistas do mundo inteiro se mobilizam para conter a ameaça e chegam a uma conclusão: o riso humano é o ponto de fragilidade da estrutura de gelo. Para evitar a catástrofe, a gargalhada passa a ser monitorada, restringida e, por fim, proibida. É nesse cenário distópico que Tito Bastos, roteirista de humor e protagonista do livro, vê sua vida e sua profissão se transformarem em alvo de um sistema de controle cada vez mais opressor.

“Os temas centrais de Derrisão são medo, controle, liberdade, comportamento coletivo e a função do humor na vida humana”, resume o autor. “O romance usa a ficção científica e a sátira para discutir uma pergunta simples: o que acontece quando uma sociedade decide abrir mão da alegria em troca da promessa de segurança?”

A escolha do cenário não é casual. Tádhei, que morou em Copacabana, transforma o bairro em personagem — com sua geografia afetiva, seus quarteirões autônomos, seus botecos e sua orla agora tomada por uma muralha de gelo. “Primeiro de tudo, me veio a imagem dessa superonda congelada. Achei uma imagem forte: uma tensão constante, uma ameaça permanente que, a qualquer instante, poderia decidir engolir a cidade”, conta. “A partir daí, fui perguntando e criando. Copacabana se tornou um cenário irresistível.”

O autor partiu de uma premissa deliberadamente absurda — o riso como fator de desestabilização física — para construir uma narrativa que dialoga com experiências reais de controle e medo coletivo. “Ao longo da história, situações de crise frequentemente levaram sociedades a aceitar restrições que, em circunstâncias normais, pareceriam impensáveis. Ainda hoje, o Brasil e vários países do mundo parecem flertar perigosamente com esse tipo de imposição”, afirma. “Em Derrisão, quis explorar essa dinâmica por meio do humor e da ficção científica.”

Mais do que uma distopia, o romance é uma reflexão sobre o que se perde quando o humor é silenciado. “O riso costuma ser tratado como algo leve ou secundário, mas ele está profundamente ligado à nossa capacidade de lidar com a dor, criar vínculos, questionar autoridades e enxergar contradições”, diz o escritor. E completa: “Se eu tivesse que resumir a principal reflexão do romance em uma frase, seria esta: algumas coisas que nos tornam humanos são inseparáveis da nossa vulnerabilidade, da nossa disposição de correr riscos, de nos expormos ao olhar, à crítica, mas também ao abraço do outro.”

O processo de escrita, segundo Tádhei, foi tão divertido quanto assustador. “Eu me diverti tanto quanto me apavorei com essa hipótese”, revela. “Entre descobertas, desenvolvimento e escrita, devo ter levado cerca de um ano e meio para concluir o romance.” O resultado é uma obra que transita entre o absurdo, a sátira e o drama existencial, com uma estrutura que acompanha a transformação do protagonista. “À medida que Tito se transforma junto com o mundo à sua volta, o próprio romance vai ampliando sua escala, suas perguntas e seus conflitos.”

Tádhei cita entre suas influências Kurt Vonnegut, o Machado de Assis de Memórias Póstumas de Brás Cubas, as distopias de George Orwell e Ray Bradbury, e a imaginação libertária de Ursula K. Le Guin. “Meu editor comentou que, neste livro, estou sendo mais eu mesmo”, diz. “O protagonista é um carioca ligado ao humor, à observação do cotidiano e à criação de histórias. Isso me permitiu escrever com mais naturalidade.”

Serviço

Lançamento de “Derrisão”, de Celso Tádhei
Data: 09 de novembro de 2026, segunda-feira
Horário: 19h
Local: Livraria Argumento – Leblon, Rio de Janeiro

Sobre o autor


Celso Tádhei é roteirista, escritor e professor, com formação em Artes Cênicas pela UNIRIO. Trabalhou por 23 anos na Rede Globo, onde foi roteirista-chefe de programas como “Zorra” (indicado ao Emmy Internacional) e escreveu clássicos como Sítio do Pica-Pau Amarelo e Chico Anysio – Cartão de Visitas. É autor de peças teatrais como “O Alienista” (Prêmio Cenym de Melhor Texto Adaptado) e “O Baterista”, além de filmes como Os Caras de Pau e o Misterioso Roubo do Anel. Um dos fundadores da Escola de Roteiro Levante 42, ministra oficinas de escrita criativa e dramaturgia. A Casa da Ópera de Manoel Luiz é seu primeiro romance, finalista do Prêmio Jabuti 2025.

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