[Resenha] A solidariedade como remédio


Por Ana Ferrari*

Há ditados populares que nos acompanham pela vida, guardados em algum lugar da memória, para ressurgirem em momentos-chave da vida. No caso do psicoterapeuta junguiano e autor Geraldo Araújo, a frase “quem não vive para servir não serve para viver", tão repetida pela mãe, ressurgiu em sua trajetória para inspirar a escrita de seu livro de estreia.

“Vir-a-ser para ser-vir-a: uma breve reflexão sobre a finalidade do viver” é, como o próprio autor define, uma colcha de retalhos — textos teóricos junguianos, lembranças, leituras, cenas e personagens de cinema — costurada em um livro que questiona o individualismo contemporâneo, tratando-o como sintoma catalisador de males que vão do burnout, na esfera pessoal, à escalada de guerras, na esfera coletiva.

Com as referências contemporâneas já citadas, o texto teórico torna-se mais palatável e inteligível aos leigos em psicologia e a proposição da solidariedade para com aqueles que o cercam como remédio é ancorada pela soma destes conceitos com os saberes populares e a vivência do próprio autor em relação à crise de propósito e a solução que aplicou em sua trajetória – Geraldo trabalhou 34 anos no Banco do Brasil antes de migrar para a escuta psicoterapêutica.

No contexto tomado pela ansiedade e pessimismo que vivemos, a obra de Araújo orienta um caminho possível para a cura coletiva: a cura individual pela solidariedade com o próximo; trazendo assim um vislumbre de esperança.

*Ana Ferrari é uma jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero e pós-graduanda em Edição e Gestão Editorial pelo Núcleo de Estratégias e Políticas Editoriais (NESPE). Sempre teve forte ligação com a literatura e às vezes se aventura a escrever textos ficcionais.




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