[News] Zoé Hammer “nasce” como um pássaro, capaz de voar e mergulhar em águas profundas

 Zoé Hammer “nasce” como um pássaro, capaz de voar e mergulhar em águas profundas

“Birdlike”, álbum de estreia da artista, chega às plataformas nesta sexta (14)

 


Ouça aqui: https://sym.ffm.to/birdlike

 

Criada entre a Suíça, a Inglaterra e o Brasil, a cantora, compositora, atriz, escritora, diretora e DJ Zoé Hammer sentiu, por muito tempo, que fazia parte de todos esses lugares e, ao mesmo tempo, de nenhum deles.

Dona de uma voz capaz de transitar entre diferentes estilos musicais, ela decidiu, portanto, que, em vez de buscar um espaço onde pudesse se encaixar, iria criar o seu próprio. E, assim, o fez.

O resultado é “Birdlike”, álbum de estreia que conta com sete faixas (e uma vinheta, “Interlude”) produzidas pelo londrino Pascal Jean Christoph Clijsters e que transforma experiências profundamente pessoais em pequenas mitologias contemporâneas, ao explorar temas como identidade, pertencimento, amadurecimento, amor, perda e transformação.

O álbum parte dessa busca por encontrar um lugar no mundo sem fazer a menor ideia de como chegar até ele. Às vezes, a única opção é se jogar de corpo e alma naquilo que deseja e confiar que vai descobrir o caminho enquanto percorre ele. É sobre querer levantar voo e, de repente, perceber que, talvez, já tenha saído do chão”, filosofa Zoé.

A jornada da obra começa com “Dreams”, canção que combina erudição e psicodelia para revisitar um encontro capaz de revelar novos horizontes e transformar a maneira como a artista enxerga o mundo. Em seguida, “Alice Lost in Wonderland” aproxima elementos do rap e da soul music para refletir sobre a dificuldade de crescer sob as expectativas alheias.

A delicada “Nothing to Say” fala da solidão de ser amada por uma imagem idealizada, enquanto que “Don’t Be Polite With Me” transforma a relação de Zoé com a música em uma carta de amor atravessada por dúvidas, entrega e persistência.

Baseada na coragem necessária realizar frandes sonhos e no desejo de querer mais da vida, a faixa-título sintetiza o eixo conceitual do álbum ao relacionar autenticidade e pertencimento, deixando para “I’ll Let You Go But I’ll Leave My Heart in Your Handbag” o papel de transformar um amor impossível em um conto de fadas trágico, e para “Rotten” a de encontrar, no fim de uma amizade, uma das formas mais profundas de perda.

 “Nessa última, usei a metáfora de um lago para representar uma pessoa. Depois, construí a harmonia de forma que o chão parecesse instável, como uma lama movediça onde você nunca encontra um lugar firme para pisar”, revela.

Em um tempo onde as pessoas insistem em simplificar identidades e experiências, Zoé parece seguir o caminho oposto, ao criar um universo onde o íntimo encontra o fantástico e onde crescer entre culturas, idiomas e mundos distintos deixa de ser uma condição de deslocamento para se tornar uma força criativa. E “Birdlike”, seu primogênito, representa o surgimento de uma artista que criou um lugar possível para habitar.

“Por meio deste trabalho, pude expressar meu desejo de querer mais da vida e de ter coragem para sonhar grande. Eu realmente acredito que os meus sonhos podem se tornar realidade, não só no sentido de criar a arte que eu quero criar, mas também de construir os espaços onde eu me sinto em casa e onde as pessoas que eu amo também possam se sentir assim. Às vezes, olho ao meu redor e fico surpresa ao perceber quantos desses sonhos já começaram a ganhar forma”, encerra.

 

Bate-bola com a Zoe

Zoé, fale um pouco sobre essa curiosa sensação de não-pertencimento a lugar algum que acabou por te motivar a criar um espaço próprio de “existência”.

Bem, eu sou filha se uma mãe brasileira e um pai suíço. Cresci falando várias línguas e, frequentemente, misturava expressões de um idioma no outro, o que prejudicava um pouco a minha comunicação com as demais meninas do meu convívio. Acho que foi aí que, para contar minhas próprias histórias, comecei a recorrer a metáforas e contos de fadas.

Tanto a cultura brasileira quanto a suíça têm uma tradição riquíssima de narrativas populares, e eu sempre fui fascinada pelas semelhanças entre elas.

Especialmente no Brasil, essa mistura é naturalmente vista entre gêneros musicais e influências culturais. Hoje, no entanto, percebo que sempre fiz isso intuitivamente, sem me dar conta de que essa forma de criar é muito brasileira.

E o que você diria sobre utilizar a composição como dispositivo para desaguar tanto o aspecto biográfico quanto o fantasioso? Conte um pouco sobre a obra condensar essas duas forças.

Eu realmente me diverti muito fazendo esse álbum. Escrevi essas músicas ao longo de cinco anos e sinto que cresci junto com elas.

"Alice Lost in Wonderland", por exemplo, nasceu numa época em que eu estava decidindo o que estudar. E como a Música sempre foi vista como algo inviável pela minha família, acabei cursando Ciências Ambientais enquanto fazia, à noite, uma formação em atuação e teatro musical.

Gostei muito da ideia de imaginar uma personagem de conto de fadas que acaba se perdendo no conto errado. Mas, para mim, a verdadeira lição da música é que, mesmo perdida, ela aprende mais sobre si mesma e sobre outras possibilidades que jamais teria conhecido se nunca tivesse entrado em nenhum conto.

De que maneira importantes períodos da vida, como a infância e a adolescência, desaguam nas suas canções?

Vou dar um exemplo. Meu avô costumava me contar a história de uma águia criada entre galinhas, que nunca soube que era uma águia e que também podia voar bem alto. Levei essa história comigo por toda a vida, afinal, ela me fez acreditar que poderia conquistar qualquer coisa, se realmente quisesse. Já a história de Ícaro, que voou perto demais do sol, foi a que eu escolhi ignorar.

 Pensando no público, o que ele pode esperar da Zoé?

Além do álbum, vou lançar sete videoclipes, que foram feitos com a ajuda de amigos num gesto coletivo de afeto, colaboração e liberdade criativa. Todo esse processo, o disco, os vídeos e a comunidade que nasceu em torno deles, é prova concreta de que, quando você sonha com alguma coisa, também é sua responsabilidade tentar transformá-la em realidade.

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