[News]Histórias urbanas ocupam a galeria de arte na exposição Alopatia para Ancestralidade Inventada, de Ebert Calaça

Histórias urbanas ocupam a galeria de arte na exposição Alopatia para Ancestralidade Inventada, de Ebert Calaça




Radicado em Goiás, o artista plástico reúne grafite, reciclagem de materiais descartados e pesquisa poética sobre mitologias e memórias em sua nova individual com mais de 80 telas


Entre guardiões visuais, invenção de mundos e a força da criação, a arte contemporânea ocupa o centro das atenções no Cerrado brasileiro. No mês das artes no Brasil, a exposição “Alopatia para Ancestralidade Inventada”, idealizada pelo artista Ebert Calaça, abre suas portas, em Goiânia, para transformar a experiência estética urbana em um território dinâmico de memória, reflexão e cura.
Com mais de 80 obras inéditas produzidas sobre papelão e metal descartados, unindo reciclagem, xamanismo e mitologias contemporâneas, a mostra convida o público a mergulhar em narrativas instigantes que tensionam a tradição, a fantasia e os mistérios dos "guardiões", propondo uma verdadeira imersão no universo poético do artista. A abertura oficial acontece nesta quinta-feira, 13, na Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia, a partir das 19 horas. A exposição fica em cartaz até 9 de setembro e, em seguida, parte para uma circulação nacional que levará a vibrante estética urbana do artista às principais capitais do país.
A pesquisa de Ebert Calaça, que começou sua trajetória nas ruas de Goiânia e Brasília e já levou sua arte a palcos como Recife e Barcelona, investiga as memórias impregnadas nos descartes do cotidiano. Sua pesquisa estética transita com fluidez entre a liberdade da rua e o rigor das galerias de arte. Em vez de telas convencionais, o artista adota como suporte matérias-primas brutas recolhidas na urbe, como caixas de papelão de grandes embalagens e chapas metálicas de latas de tinta de 18 litros. “A minha essência está nas ruas. Com o grafitti é possível tornar visíveis espaços antes inexistentes numa cidade. Com esse mesmo espírito de transformação, procuro materiais que me tragam pistas e registros dos caminhos por onde andei.Os guardiões nascem como uma dança imaginária para nos reconectar com a paz. É um xamanismo que exala na névoa do spray, onde as pinturas vibram como rituais e mantras”, pontua ele.
Com jatos de spray e um colorido denso e expressivo, o artista busca resgatar identidades perdidas e projetar cicatrizes expostas do próprio tecido urbano. “De uma forma lírica, eu fui buscando criar seres mitológicos que têm a função de me guardar nessas batalhas cheias de dualidades da vida, repletas de certos e errado, caminhos e encruzilhadas. Assim, desenvolvi um processo de cura por meio da arte, ao entender como nascem as cicatrizes, eu consigo melhorar nas armaduras. Os guardiões trazem esse desconforto, de olhar para nós, para a cidade,  para os nossos conflitos e, ao mesmo tempo, encontrar arte e diversão”. 

Do Cerrado para a cena contemporânea nacional
A abertura da turnê no Centro-Oeste carrega uma forte simbologia geográfica e poética. Formado pela efervescência do grafite e em diálogo constante com grandes nomes das artes visuais do Cerrado, como Marcelo Solá, Pitágoras e a gravurista Ana Maria Pacheco, Ebert Calaça projeta uma estética regional que dialoga com a psicanálise, invocando o "estádio do espelho" de Jacques Lacan e com as novas cosmologias periféricas do Brasil. Segundo ele, os guardiões são entidades lúdicas, figuras enigmáticas e feições infantis que funcionam como amuletos visuais e propõem um ritual de cura ou alopatia para o caos das metrópoles.

Para o curador da mostra, Gregório Soares Rodrigues, o trabalho de Calaça habita uma fronteira insubordinada entre o real e o fantástico. “Os guardiões repetem-se e, sem pressa, obrigam o público a permanecer diante da dúvida até que seja capaz de iniciar uma conversa muda, descobrindo suas próprias diferenças e sua disposição ao gesto lúdico.”

O historiador da arte Sandro Torres destaca a força croma e a acessibilidade da produção. “Há uma maestria no seu colorismo, que confere aos trabalhos a condição rara de acessar praticamente todos os públicos. Todos temos nossas defesas internas, nossos guardiões; os do Ebert são multicoloridos e olham de volta quando os fitamos.” A exposição fica em cartaz em Goiânia até 9 de setembro, com entrada gratuita, seguindo em turnê nacional pelas demais regiões do Brasil com datas a serem anunciadas.


ANOTE
Exposição "Alopatia para Ancestralidade Inventada", de Ebert Calaça
Abertura: quinta-feira, 13 de agosto
Horário: das 19 às 21 horas
Visitação: de 14 de agosto a 9 de setembro
Horário: das 9 às 17 horas
Entrada gratuita
Local: Vila Cultural Cora Coralina, Sala Antônio Poteiro
Endereço: Rua 23, esquina com Rua 3, Centro, Goiânia Assessoria de Imprensa - Creative Express

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