[Mostra] Mostra Todd Haynes ocupará o CCBB Rio de Janeiro de 14 de janeiro a 9 de fevereiro com 23 filmes, debates, sessões comentadas e curso gratuito
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| “Carol” (2015), um dos maiores sucessos de Todd Haynes, na programação da Mostra |
O que se esconde por trás das aparências? Que desejos, conflitos e tensões habitam as superfícies aparentemente estáveis da vida cotidiana? Essas são algumas das perguntas que atravessam a obra do cineasta estadunidense Todd Haynes e que guiam a Mostra Todd Haynes, com curadoria de Carol Almeida e Camila Macedo e idealização, coordenação geral e produção executiva de Hans Spelzon, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, de 14 de janeiro a 9 de fevereiro, com entrada gratuita. A mostra conta com o patrocínio do Banco do Brasil, realização do Centro Cultural Banco do Brasil e do Governo Federal, apoio institucional do Goethe-Institut e produção da Caprisciana Produções. Em circulação, ainda vai passar pelo CCBB São Paulo e CCBB Brasília.
Ao longo de quase cinco décadas de carreira, Haynes consolidou-se como um dos nomes centrais do cinema independente contemporâneo, um dos pioneiros do New Queer Cinema e referência na reinvenção do melodrama, do musical/POP e das narrativas centradas em personagens femininas. A Mostra apresentará 23 filmes no total, sendo 13 dirigidos por Haynes e 10 de outros realizadores em diálogo com sua obra, além de mesas de debate, sessões comentadas, ações de acessibilidade, um curso em dois encontros e o lançamento de um catálogo que reúne textos de pesquisadoras e pesquisadores brasileiros, incluindo uma tradução de um artigo de Mary Ann Doane (referência dos estudos fílmicos feministas), além de ficha técnica das obras, uma verdadeira fortuna crítica inédita sobre Haynes no Brasil. O catálogo será disponibilizado em versões impressa e digital.
Vencedor de importantes prêmios internacionais, como o Grande Prêmio do Júri em Sundance (1991), o Teddy Award em Berlim (1991), o Grande Prêmio do Júri em Veneza (2007) e a Palma Queer em Cannes (2015), Todd Haynes também foi indicado ao Oscar pelo roteiro de “Longe do Paraíso” (2002). Seu maior sucesso comercial, “Carol” (2015), recebeu seis indicações ao Oscar e se tornou um marco do cinema contemporâneo.
Clássicos, cópias inéditas e filmes raros
A Mostra Todd Haynes oferecerá ao público uma oportunidade rara de assistir na sala de cinema a obras fundamentais, muitas delas inéditas ou recentemente restauradas. Entre os destaques está “Assassinos: Um Filme sobre Rimbaud” (1985), segundo curta-metragem de Haynes, apresentado a partir de uma nova restauração, ao lado de outros títulos do início da carreira do cineasta.
“Reunir esses filmes é também reconhecer a existência de um olhar queer sobre o cinema, um olhar que se constrói na relação com imagens que desafiam normas, afetos e modos de ver”, afirma a curadora Carol Almeida, que completa: “São obras que ajudaram a formar esse repertório, muitas vezes à margem dos circuitos tradicionais, e que hoje podem ser revisitadas em toda a sua força histórica, política e estética”.
A retrospectiva contará com 13 filmes do diretor que vão do experimentalismo à consagração internacional: “O Suicídio” (1978), “Assassinos: Um Filme sobre Rimbaud” (1985), “Veneno” (1991), “Dottie Leva Palmadas” (1993), “Mal do Século” (1995), “Velvet Goldmine” (1998), “Longe do Paraíso” (2002), “Não Estou Lá” (2007), “Carol” (2015), “Sem Fôlego” (2017), “O Preço da Verdade” (2019), “The Velvet Underground” (2021) e “Segredos de um Escândalo” (2023). Ao longo desse percurso, destacam-se atuações que se tornaram referências, como as colaborações constantes com Julianne Moore, as performances icônicas de Cate Blanchett em “Não Estou Lá” e “Carol” e a consagração de Rooney Mara como Melhor Atriz no Festival de Cannes por “Carol”.
Em diálogo com essa filmografia, a Mostra apresenta 10 filmes de outros realizadores, escolhidos por sua relevância histórica e estética: “Jeanne Dielman” (1975, de Chantal Akerman), marco do cinema feminista; “O Medo Devora a Alma” (1974, de Rainer Werner Fassbinder), “Tudo o Que o Céu Permite” (1955, de Douglas Sirk), ambos referências do melodrama; “Uma Mulher Sob Influência” (1974, de John Cassavetes), expoente do cinema independente estadunidense; “Desencanto” (1945, de David Lean), clássico do cinema romântico britânico; “Canção de Amor” (1950, de Jean Genet), precursor do cinema homoerótico, além de ser o único filme dirigido pelo escritor Jean Genet; “Peggy e Fred no Inferno: o prólogo” (1984, de Leslie Thornton); "Vento Seco" (2020, de Daniel Nolasco); "Jollies" (1991, de Sadie Benning) e "Primavera" (2017, de Fábio Ramalho).
“Ao colocar esses filmes em relação, a mostra propõe pensar o cinema como um campo de atravessamentos, de linguagem, de política e de sensibilidade. Mais do que influências diretas, o que emerge é uma constelação de obras que ajudam a entender como certas formas de ver e sentir o mundo foram se construindo ao longo do tempo”, diz Camila Macedo.
Ao longo dessa trajetória, a Mostra também evidencia a relação profunda de Todd Haynes com a música e a cultura POP, seja na investigação de ícones e mitologias musicais, como em “Velvet Goldmine”, “Não Estou Lá” e no documentário “The Velvet Underground”, seja na maneira como a música estrutura emoções, ritmos e atmosferas em seus filmes, Haynes mobiliza o universo musical como ferramenta narrativa e política.
Outro ponto que será investigado pelos filmes e ações formativas é o melodrama presente na filmografia do diretor e a relação com os melodramas brasileiros.
“É interessante pensar que, apesar da popularidade no Brasil, a telenovela e as abordagens melodramáticas costumam ser encaradas como obras de natureza menor. Mesmo no cinema, ainda é relativamente comum que se encare o melodrama como uma forma de estatuto inferior em termos artísticos. Não à toa, muito associada ao público feminino. Discutir os usos e reinvenções do melodrama a partir de um cineasta da envergadura de Haynes torce esses enquadramentos, lida com uma sensibilidade que escapa a dicotomias simplistas entre corpo e intelectualidade, entre afeto e pensamento”, acrescenta Carol Almeida.
Convidados, debates e formação
A programação da Mostra Todd Haynes se expande para duas mesas de debate, diversas sessões comentadas e um curso, reunindo pesquisadoras e pesquisadores, críticos e realizadores para aprofundar reflexões sobre cinema queer, melodrama, representação feminina e linguagem audiovisual.
A mesa “Donas de casa encarceradas nas estratégias melodramáticas de Todd Haynes” será realizada no dia 22 de janeiro (quinta-feira), às 18h30, lançando um olhar atento sobre a recorrência e a reinvenção das figuras femininas e da domesticidade em sua filmografia. O debate contará com a presença de Francine Barbosa, roteirista; e de Dri Azevedo, pesquisadore.
“A ideia dessas atividades é criar um espaço de escuta e de troca, em que a obra de Haynes possa ser pensada não como um monumento, mas como um cinema vivo, em diálogo com questões urgentes do presente e com outras formas de fazer e pensar o audiovisual”, afirma Carol Almeida.
Já a mesa “O legado de Todd Haynes para os novíssimos cinemas queer”, que acontece no dia 31 de janeiro (sábado), às 16h45, propõe discutir as reverberações de sua obra em uma nova geração de cineastas e práticas contemporâneas, com a participação de Vinicios Ribeiro e Jocimar Dias Jr.
Além dos bate-papos, também haverá sessões comentadas, atividades de caráter mais intimista que propõem um bate-papo com o público, compartilhando leituras, contextos e reflexões a partir da obra exibida. Entre os convidados, estão Mariana Baltar (“Longe do Paraíso”, na abertura, dia 14 de janeiro, às 18h15), Denilson Lopes (“Velvet Goldmine”, dia 17 de janeiro, às 15h30), Daniel Nolasco (que apresentará “Vento Seco”, dia 17 de janeiro, às 18h45, além de comentar “O Suicídio”, “Assassinos: Um Filme sobre Rimbaud” e “Pegg e Fred no Inferno” dia 8 de fevereiro, às 17h), João Luiz Vieira (“Canção de Amor” e “Veneno”, dia 23 de janeiro, às 17h30), Carol Almeida (os filmes "Jollies", "Dottie Leva Palmadas" e "Primavera", dia 31 de janeiro, às 18h30) e Kariny Martins ("Segredos de Um Escândalo”, dia 7 de fevereiro, às 17h).
A proposta formativa da Mostra inclui ainda o curso “Uma leitura da in/visibilidade lésbica a partir de Carol, de Todd Haynes”, realizado em dois encontros, nos dias 7 e 8 de fevereiro (sábado e domingo), às 10h, que parte de um dos filmes mais emblemáticos do cineasta para pensar os códigos do cinema hollywoodiano e os processos de in/visibilidade lésbica na história do cinema narrativo, ampliando o diálogo entre a obra de Haynes, a crítica feminista e o cinema brasileiro contemporâneo. O curso será ministrado por Alessandra Brandão e Ramayana Lira.
Catálogo inédito e circulação de pensamento
O catálogo com textos inéditos de pesquisadoras e pesquisadores brasileiros e estrangeiros dedicados à obra do diretor, pretende ampliar o debate em torno de sua filmografia nos estudos de cinema, gênero e linguagem.
“Todos os textos são inéditos, incluindo a tradução de um texto nunca antes publicado em português, escrito por Mary Ann Doane, professora emérita da University of California, Berkeley (UC Berkeley), pesquisadora fundamental da teoria feminista do cinema e ex-professora de Todd Haynes. A publicação funciona como uma extensão da mostra e como uma ferramenta de reflexão duradoura”, destaca Camila Macedo.
Exemplares impressos também serão distribuídos ao público na proporção de uma unidade a cada cinco ingressos de filmes.
“Ainda que o cinema de Todd Haynes atravesse preocupações estéticas muito distintas ao longo do tempo, existe algo que percorre toda a sua obra de forma intensa: uma crítica sofisticada às máscaras sociais. São filmes atentos às superfícies, às fachadas da vida cotidiana, e ao que insiste em se revelar por trás delas”, conclui Carol Almeida.
A Mostra Todd Haynes contará ainda com uma sessão com recursos de acessibilidade: “Carol” com audiodescrição, legendagem descritiva e tradução em Libras, ampliando o acesso do público às obras e aos debates propostos pela programação. As mesas de debate também terão tradução simultânea em Libras.
PROGRAMAÇÃO COMPLETA POR DIA:
14/01/2026 (quarta)
18h30 - "Longe do Paraíso" + Sessão comentada com Mariana Baltar - 14 anos
15/01/2026 (quinta)
18h- "Não Estou Lá" - 12 anos
16/01/2026 (sexta)
18h30 - "Carol" - 14 anos
17/01/2026 (sábado)
15h30 - "Velvet Goldmine" + Sessão comentada com Denilson Lopes - 18 anos
18h45 - Sessão apresentada com Daniel Nolasco: "Vento Seco" - 18 anos
18/01/2026 (domingo)
16h - "Tudo o que o Céu Permite" - 12 anos
18h - "Segredos de um Escândalo" - 16 anos
19/01/2026 (segunda)
18h30 - “The Velvet Underground” - 16 anos
21/01/2026 (quarta)
17h15 - "Jeanne Dielman" - 16 anos
22/01/2026 (quinta)
18h30 - Debate 1: Donas de casa encarceradas nas estratégias melodramáticas de Todd Haynes. Com Francine Barbosa, Dri Azevedo e mediação de Camila Macedo (tradução simultânea em LIBRAS). - 16 anos
23/01/2026 (sexta)
17h30 - "Canção de Amor" + "Veneno" + Sessão comentada com João Luiz Vieira - 18 anos
24/01/2026 (sábado)
16h45 - "O Medo Devora a Alma" - 16 anos
18h45 - "Longe do Paraíso" - 14 anos
25/01/2026 (domingo)
15h30 - "Uma Mulher Sob Influência" - 16 anos
18h15 - "Mal do Século" - 14 anos
26/01/2026 (segunda)
17h30 - "Carol" - Sessão com recursos de acessibilidade (audiodescrição, legendagem descritiva e tradução em LIBRAS) + Conversa com a curadoria (tradução simultânea em LIBRAS) - 14 anos
28/01/2026 (quarta)
18h15 - "O Preço da Verdade" - 12 anos
29/01/2026 (quinta)
18h - "Mal do Século" - 14 anos
30/01/2026 (sexta)
18h15 - "Não Estou Lá" - 12 anos
31/01/2026 (sábado)
16h30 - DEBATE 2: O legado de Todd Haynes para os novíssimos cinemas queer. Com Vinicios Ribeiro, Jocimar Dias Jr. e mediação de Carol Almeida (tradução simultânea em LIBRAS). - 16 anos
18h15 - "Jollies", "Dottie Leva Palmadas" e "Primavera" + Sessão comentada com Carol Almeida - 16 anos
01/02/2026 (domingo)
16h - "The Velvet Underground" - 16 anos
18h15 - "Velvet Goldmine" - 18 anos
02/02/2026 (segunda)
18h30 - "Sem Fôlego" - 10 anos
04/02/2026 (quarta)
18h30 - "Desencanto" - 14 anos
05/02/2026 (quinta)
18h30 - "Canção de Amor" + "Veneno" - 18 anos
06/02/2026 (sexta)
18h30 - "Carol" - 14 anos
07/02/2026 (sábado)
10h - Curso - Primeiro encontro: Uma leitura da in/visibilidade lésbica a partir de Carol, de Todd Haynes - 16 anos
17h - "Segredos de Um Escândalo" + Sessão comentada com Kariny Martins - 16 anos
08/02/2026 (domingo)
10h - Curso - Segundo encontro: Uma leitura da in/visibilidade lésbica a partir de Carol, de Todd Haynes - 16 anos
17h - "O Suicídio", "Assassinos: Um Filme sobre Rimbaud" + Sessão comentada com Daniel Nolasco - 16 anos
09/02/2026 (segunda)
18h15 - "O preço da verdade" - 12 anos
SINOPSES DOS FILMES:
Segredos de um escândalo
May December, Todd Haynes, 2023, 117 minutos, EUA
Sinopse: Inspirado em uma história real, o filme conta a história de Gracie e seu marido Joe, que é 23 anos mais novo que ela. O relacionamento dos dois começou quando Joe ainda tinha 13 anos, causando um escândalo nos jornais. Vinte anos depois desse romance ter chegado às manchetes, o casal vive uma vida tranquila enquanto se prepara para que seus gêmeos comecem o ensino médio. No entanto, suas rotinas serão alteradas quando a atriz Elizabeth Berry começa a estudar Gracie para um papel no cinema.
The Velvet Underground
The Velvet Underground, Todd Haynes, 2021, 121 minutos, EUA
Sinopse: O legado da icônica banda de rock no primeiro grande documentário a contar sua história. Dirigido com o espírito vanguardista da época, esta história oral caleidoscópica combina entrevistas exclusivas - entre elas conversas com os membros sobreviventes da banda, John Cale e Maureen Tucker - com imagens de arquivo deslumbrantes que acompanham a história da banda desde sua formação até o fim da formação original no início dos anos 1970.
O preço da verdade
Dark waters, Todd Haynes, 2019, 126 minutos, EUA
Sinopse: Robert Bilott é um advogado de defesa corporativo que ganhou prestígio trabalhando em casos de grandes empresas de químicos. Quando um fazendeiro, que conhece a avó de Billot, chama a atenção do advogado para mortes de gado que podem estar ligadas ao lixo tóxico de uma dessas empresas, ele embarca em uma luta pela verdade, num processo judicial que dura anos e põe em risco sua carreira, sua família e seu futuro.
Sem fôlego
Wonderstruck, Todd Haynes, 2017, 116 minutos, EUA
Sinopse: Em 1977, ao atender um telefonema, o garoto Ben é atingido pelo reflexo de um raio, situação que faz com que passe a não conseguir mais escutar nenhum som. Em 1927, a jovem surda Rose foge de sua casa em Nova York para encontrar sua mãe, a consagrada atriz Lillian Mayhew. A vida dessas duas crianças está interligada a partir de um livro de curiosidades, que os leva tanto ao Museu de História Natural, quanto a uma história de amor.
Carol
Carol, Todd Haynes, 2015, 118 minutos, EUA / GBR
Sinopse: Nova York, anos 1950, período natalino. Therese Belivet trabalha numa grande loja de Manhattan e sonha com uma vida mais plena quando, num balcão de atendimento dessa loja, conhece Carol Aird, uma mulher sedutora que, Therese descobre depois, está presa a um casamento infeliz. Após poucos minutos de conversa, a vida das duas será radicalmente alterada porque, claro, Carol esquece sua luva no balcão e Therese precisa reencontrá-la.
Não estou lá
I'm not there, Todd Haynes, 2007, 135 minutos, EUA / ALE
Sinopse: Seis personagens – um menino negro, um poeta, um ator, um fora-da-lei, um cantor em crise com seus fãs e o protagonista de um documentário – remontam livremente a trajetória de Bob Dylan em pequenas passagens que se misturam ao longo do filme, numa contra-biografia menos interessada em fatos, e mais atenta a capturar as narrativas poéticas ao redor do famoso compositor.
Longe do paraíso
Far from heaven, Todd Haynes, 2002, 107 minutos, EUA / FRA
Sinopse: Nos anos 1950, em Connecticut, Cathy e Frank Whitaker são o ideal da família perfeita no imaginário capitalista do “sonho americano”. Mas por trás das aparências, os dois enfrentam uma crise conjugal e um mundo tensionado por questões raciais num país segregacionista. Quando Cathy toma decisões que, para a preservação de seu status quo, parecem ser ousadas, ela irá despertar a fofoca da vizinhança e transformar várias vidas.
Velvet Goldmine
Velvet Goldmine, Todd Haynes, 1998, 123 minutos, GBR / EUA
Sinopse: Já se passaram 10 anos desde que o astro do glam-rock Brian Slade forjou sua própria morte e desapareceu dos holofotes. Agora, cabe ao repórter investigativo Arthur Stuart, que na sua juventude viveu intensamente o surgimento do glam rock e a emergência de seus grandes ícones, localizar essa lenda viva e descobrir a verdade por trás de seu desaparecimento. Uma releitura poética e não-autorizada que Haynes faz da trajetória de lendas da música como David Bowie, Iggy Pop e Lou Reed.
Mal do século
Safe, Todd Haynes, 1995, 119 minutos, EUA / GBR
Sinopse: Carol White, uma dona de casa de Los Angeles que vive a tranquila vida de esposa-troféu, começa a ter aquilo que, num primeiro momento, parece ser reações alérgicas graves a produtos químicos cotidianos. Isso vai transformar a segurança de sua existência em um terror da vida diária. Após inúmeras consultas de diagnósticos inconclusivos, ela parte para o Novo México para um tratamento “alternativo”, onde Carol, talvez pela primeira vez, precisará reconhecer a si mesma.
Dottie leva palmadas
Dottie gets spanked, Todd Haynes, 1993, 30 minutos, EUA
Sinopse: Um menino de seis anos nos Estados Unidos da era pré-hippie, na década de 1960, sofre bullying de seus colegas de escola e a preocupação de seu pai devido à sua fixação por uma estrela de TV chamada Dottie. O filme, que tem um tom autobiográfico, explora a imaginação dessa criança como um ambiente em que ele consegue assumir outros papéis além daqueles que parecem ser pré-determinados pra ele.
Veneno
Poison, Todd Haynes, 1991, 85 minutos, EUA
Sinopse: Composto por três segmentos, o primeiro longa de Haynes é herdeiro de várias influências cinéfilas do diretor e considerado um dos marcos do New Queer Cinema. Três histórias entrelaçadas sobre estranhos, sexo e violência: um pseudodocumentário sobre um garoto de sete anos que mata o pai; um cientista maluco que descobre a essência da sexualidade humana; o amor homossexual entre prisioneiros.
Assassinos: um filme sobre Rimbaud
Assassins: a film concerning Rimbaud, Todd Haynes, 1985, 43 minutos, EUA
Sinopse: O primeiro filme de Todd Haynes, aqui numa cópia restaurada, centra sua atenção no amor violento entre os poetas Arthur Rimbaud e Paul Verlaine. Importante notar como algumas assinaturas e interesses na filmografia de Haynes já estão presentes aqui: a presença da música pop, o tom ensaístico, o artificial, a linguagem queer. Um exercício que brinca ao som de Iggy Pop e da banda Throbbing Gristle, enquanto faz cruzar as vidas de Jean Genet e Rainer Werner Fassbinder às de Rimbaud e Verlaine.
O suicídio
The suicide, Todd Haynes, 1978, 22 minutos, EUA
Sinopse: Filmado tanto em 8mm quanto em 16 mm, assim como no filme Dottie leva palmadas, aqui temos um garoto, esse já adolescente, sofrendo bullying na escola e decidindo agir de forma drástica para interromper sua própria vida, em um tom propositalmente “sujo”. Grande parte do filme se passa em um ambiente doméstico tipicamente estadunidense, enquanto a mãe cegamente otimista do garoto tenta explicar que sua nova escola será um lugar acolhedor.
O medo devora a alma
Angst essen seele auf, Rainer Werner Fassbinder, 1974, 93 minutos, ALE (RFA)
Sinopse: Uma viúva solitária conhece um trabalhador marroquino mais jovem em um bar. Para a surpresa de ambos, e para o choque da família e dos colegas dela, eles se apaixonam.
Uma mulher sob influência
A woman under the influence, John Cassavetes, 1974, 146 minutos, EUA
Sinopse: Mabel é casada com Nick, um construtor civil sobrecarregado pelo trabalho. Emocionalmente frágil, mas em busca da felicidade, seu comportamento instável faz com que Nick a considere um risco para a família. Ele decide então interná-la em um hospital psiquiátrico.
Desencanto
Brief encounter, David Lean, 1945, 86 minutos, GBR
Sinopse: Nessa adaptação da peça Still Life (1936) de Noël Coward, a dona de casa Laura Jesson flerta com a ideia de ter um caso com o médico Alec Harvey, a quem conhece em um café em uma estação ferroviária. Eles continuarão a se encontrar todas as quintas-feiras no pequeno café, embora saibam que seu amor é impossível.
Jeanne Dielman
Jeanne Dielman, 23, quai du commerce, 1080 Bruxelles, Chantal Akerman, 1975, 201 minutos, BEL / FRA
Sinopse: Três dias na vida de uma dona de casa viúva e solitária, que realiza suas tarefas diárias. Aos poucos, sua rotina ritualizada começa a desmoronar. Um filme marcante e único na história do cinema, Jeanne Dielman é a obra-prima de Chantal Akerman. O filme é ao mesmo tempo um exigente estudo de personagem e uma das representações mais hipnóticas e completas do espaço e tempo no cinema. Obra essencial que continua sendo analisada e debatida por diversas gerações de cinéfilos.
Tudo que o céu permite
All that heaven allows, Douglas Sirk, 1955, 89 minutos, EUA
Sinopse: A atraente viúva Cary Scott é consideravelmente mais velha que o belo jardineiro Ron Kirby. Desafiando as convenções sociais e enfrentando o ostracismo, Cary decide viver seu romance com Ron, que é injustamente visto como um caça-fortunas pelos amigos e pela família dela.
Canção de amor
Un chant d’amour, Jean Genet, 1950, 26 minutos, FRA
Sinopse: Dois prisioneiros em isolamento total, separados pelas grossas paredes de tijolos e necessitando desesperadamente de contato humano, inventam um tipo de comunicação bastante incomum.
Peggy e Fred no inferno: o prólogo
Peggy and Fred in hell: the prologue, Leslie Thornton, 1984, 20 minutos, EUA
Sinopse: Revelando os abusos da história e da inocência diante da catástrofe, o filme narra a jornada de duas crianças pequenas através de uma paisagem pós-apocalíptica para criar mundos próprios. Rompendo restrições de gênero, Thornton utiliza improvisação, citações inseridas, material de arquivo e temporalidades sem forma para confrontar as ideias preconcebidas do espectador sobre causa e efeito.
Jollies
Jollies, Sadie Benning, 1990, 11 minutos, EUA
Sinopse: Benning apresenta uma cronologia de suas paixões e beijos, traçando o desenvolvimento de sua sexualidade nascente. Dirigindo-se à câmera com um ar de sedução e romance, Benning transmite ao espectador a sensação de sua ansiedade e do deleite especial ao se dar conta de sua identidade lésbica.
Vento seco
Vento seco, Daniel Nolasco, 2020, 110 minutos, BRA
Sinopse: No mês de julho, o vento seco e a baixa umidade do ar ressecam a pele dos moradores de uma pequena cidade no interior de Goiás. Sandro divide seus dias entre o clube da cidade, o trabalho, o futebol com amigos e as festas locais. Ele tem um relacionamento com Ricardo, seu colega de trabalho. Mas a sua rotina começa a mudar com a chegada de Maicon, um rapaz que desperta o seu interesse e do qual todos sabem muito pouco.
Primavera
Primavera, Fábio Ramalho, 2017, 24 minutos, BRA
Sinopse: “Querido, obrigado por cuidar da casa. Tem vinho na geladeira. Se Raja ficar inquieto, é só dar um biscoitinho.”



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