[Filmes] "FANON", de Jean-Claude Barny, torna-se elegível a quatro categorias no Prêmio César, o "Oscar" do cinema francês
O longa-metragem "FANON", dirigido pelo cineasta Jean-Claude Barny, acaba de se tornar elegível para entrar na corrida oficial pelo Prêmio César, a maior honraria do cinema francês. O filme garantiu elegibilidade em todas as categorias sendo elas: melhor ator, melhor atriz e melhor filme. O diretor Jean-Claude Barny compartilhou sua visão sobre este momento especial:
"Figurar entre os elegíveis nas categorias mais importantes do César é, sem dúvida, uma grande satisfação. Especialmente quando se entrega uma obra cinematográfica marcante pela qualidade e pela radicalidade, que extrai sua força diretamente do presente.
Minha equipe e eu nunca esquecemos que o público é, e sempre será, a nossa maior recompensa. Passar por essa primeira etapa rumo ao César é uma forma de dizer a esse público que aquilo que eles abraçaram com tanto entusiasmo deixará um legado.
Atualmente, Fanon é o filme francófono mais assistido no exterior, e o Brasil se prepara para lançá-lo em todo o país em Abril. É nesse cenário que me sinto, hoje, um realizador plenamente realizado."
Para ajudar os eleitores, a Academia identifica a cada ano filmes lançados na França e fornece um guia das obras e dos profissionais elegíveis.
O longa inédito FANON participou do Festival de Cinema Francês, com a presença do diretor martiniquês Jean-Claude Barny. A distribuidora Fênix Filmes lançará nos cinemas brasileiros, Fanon, longa-metragem de ficção dirigido pelo cineasta martiniquês Jean-Claude Barny, em celebração ao centenário de nascimento de Frantz Fanon (1925–2025) em janeiro.
Exposição “Fanon, revolucionário anticolonial: um programa de desordem absoluta”
Como parte das ações de pré-lançamento do filme FANON, de Jean-Claudy Barny, a Galeria da Aliança Francesa recebe a exposição “Fanon, revolucionário anticolonial: um programa de desordem absoluta”, uma realização da FLUP (Festa Literária das Periferias), com produção executiva da Fênix Filmes e curadoria de Handerson Joseph e Sílvia Capanema.
Através de documentos, imagens e textos — alguns ainda inéditos no Brasil — propomos uma imersão no universo fanoniano para pensar o presente e o futuro, em uma conexão direta entre as periferias do mundo e os “condenados da terra” de hoje.
Cinema e Tecnologia em Diálogo
Para Fanon, a descolonização deve ser “um programa de desordem absoluta”, um processo de ruptura do qual emerge uma nova humanidade. Dialogando com essa premissa e com o novo longa-metragem de Jean-Claudy Barny, a exposição apresenta a intervenção digital “Códigos Negros”, realizada pelo Olabi (com curadoria de Sil Bahia e Yasmin Menezes).
Nesta intervenção, quatro artistas negros — Guilherme Bretas, Ilka Cyana, Poliana Feulo e Walter Mauro — utilizam a inteligência artificial para reprogramar imaginários e projetar futuros de libertação, transformando a tecnologia em um território de disputa simbólica e cura.
Boutique Fênix:
A loja oficial da distribuidora estará presente no espaço da exposição, oferecendo materiais exclusivos do filme e do universo do autor, incluindo:
Livros em parceria com as principais editoras do país;
Camisas e bonés exclusivos;
O diretor Jean-Claude Barny esteve também numa mesa especial sobre o pensamento de Fanon na FLUP – Festa Literária das Periferias, no Rio de Janeiro.
Fanon revisita a trajetória do filósofo, psiquiatra e militante martinicano Frantz Fanon, acompanhando sua formação na França, seu trabalho na Argélia colonizada e seu envolvimento direto com os movimentos de libertação africanos. Com uma narrativa cinematográfica intensa, o filme ilumina a força política e humana de um pensador que marcou profundamente o século XX e cuja obra permanece urgente e necessária.
Diretor Jean-Claude Barny, Bio
Jean-Claude Barny muda-se ainda jovem para Paris com a mãe e se estabelece no bairro de Quatre-Vents, na periferia da cidade. É ali que entra em contato com um efervescente movimento artístico e cinematográfico da banlieue parisiense e conhece Mathieu Kassovitz.
Juntos, eles integram um grupo de jovens cineastas que começa a construir, a partir das margens, uma nova linguagem para o cinema francês — um cinema atravessado pela realidade social, pela urgência política e pela experiência direta dos subúrbios. Esse movimento antecede e prepara o terreno para La Haine, filme que dará visibilidade internacional a essa geração e se tornará um dos marcos fundamentais do cinema europeu dos anos 1990, transformando profundamente a dinâmica do cinema francês.
Antes da consagração de La Haine, Jean-Claude Barny já vinha construindo sua trajetória dentro desse coletivo: realiza um curta-metragem protagonizado por Vincent Cassel e atua diretamente no processo criativo do longa de Kassovitz, trabalhando na direção de elenco e no casting. Sua formação é, portanto, inseparável desse movimento cinematográfico — um cinema nascido da periferia, do encontro entre corpos, territórios e experiências silenciadas, que redefine o olhar do cinema francês sobre si mesmo.
De Nèg Maron a Le Gang des Antillais, Barny faz do cinema um ato político: revisita histórias caribenhas silenciadas e personagens apagados pela colonização. Nèg Maron (2005), que abordou a juventude desconectada de sua própria história, alcançou mais de 250 mil espectadores. Dirigiu Tropiques amers, série sobre a escravidão filmada em Cuba, e realizou o telefilme Rose et le Soldat (2014), evocando a Martinica durante a Segunda Guerra Mundial.
Com Fanon (2025), ele reafirma sua força como um dos narradores mais imprescindíveis das diásporas negras francófonas.
Ficha Técnica
Título: Fanon
Direção: Jean-Claude Barny
País: França / Martinica
Ano: 2024
Duração: 1h50
Idioma original: Francês
Versões: Cópias legendadas e dubladas em português
Gênero: Ficção
Distribuição no Brasil: Fênix Filmes
FANON
2025 / 2h13/ Cinebiografia
De Jean-Claude Barny - Com Alexandre Bouyer, Déborah François, Stanislas Merhar
Distribuído por FENIX FILMES
Sinopse :
Baseado na história real de Frantz Fanon, o pensador que ousou enfrentar o sistema colonial francês.Em plena Guerra da Argélia, sua trajetória redefiniu não só a psiquiatria e a luta anticolonial, mas a própria ideia de liberdade. Um filme pulsante sobre coragem, ruptura e o homem cujas ideias moldaram o pensamento que continua ecoando no Brasil e no mundo.
Quem foi Frantz Fanon
Frantz Fanon (1925–1961) foi um intelectual, psiquiatra e revolucionário nascido na Martinica, cuja obra exerceu um impacto profundo sobre os movimentos de libertação nacional e as teorias críticas do século XX. Atuando como médico psiquiatra na Argélia durante o período colonial francês, Fanon vivenciou de perto os efeitos devastadores do colonialismo sobre a subjetividade dos povos colonizados. Autor de livros fundamentais como Pele Negra, Máscaras Brancas e Os Condenados da Terra, ele articulou pensamento crítico e ação política ao denunciar as violências simbólicas e estruturais do poder colonial.
A importância de sua luta
A obra de Fanon inspirou movimentos de libertação na África, na América Latina e em diversos outros contextos, tornando-se referência incontornável para diversas áreas do pensamento - da psiquiatria à filosofia, passando pela política e pela sociologia -, Frantz Fanon é fundamental para compreender o mundo contemporâneo. O atual conceito anticolonial e anti racista, tal como conhecemos hoje, é indiscutivelmente, fruto das sementes plantadas por ele.
Fanon defendeu que a descolonização não é apenas um processo político, mas também cultural e subjetivo — uma libertação integral dos corpos e das consciências. No Brasil, seu pensamento segue ecoando nos debates sobre raça, cultura e emancipação, reforçando a urgência de novas formas de resistência e de imaginação política.
SERVIÇO EXposição
ENTRADA GRATUITA
Período: De 15 de janeiro a 23 de fevereiro
Horário: Segunda a sexta, das 8h às 20h
Local: Galeria da Aliança Francesa
Endereço: Rua Muniz Barreto, 746 – Botafogo, Rio de Janeiro
Ficha Técnica:
Realização: FLUP
Produção Executiva: Fênix Filmes
Curadoria de Conteúdo: Handerson Joseph e Sílvia Capanema
Cenografia: Anderson Dias
Intervenção Digital: Projeto Códigos Negros (Olabi)



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