[Divulgação] Livro aborda escravidão contemporânea e exploração humana no Sudeste Asiático
Um inferno em Mianmar – Os perigos da escravidão moderna (Editora Reflexão), escrito pelos jornalistas Ricardo Viveiros e Laura de Araújo Cordeiro, será lançado em 15 de outubro, às 19 horas, na Livraria Drummond, no Conjunto Nacional, à Avenida Paulista, 2.073, Loja 153, em São Paulo. A obra revela, a partir da história real de um brasileiro vítima de tráfico internacional de pessoas, como organizações criminosas transformaram centros de exploração humana no Sudeste Asiático em estruturas destinadas também à aplicação de golpes financeiros pela internet.
Ricardo Viveiros, na apresentação do livro, lembra que a escravidão, embora abolida oficialmente em todo o mundo, continua existindo sob novas formas de coerção, exploração e privação da liberdade. Estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Walk Free Foundation, apontam que cerca de 49,6 milhões de pessoas viviam em situação de escravidão em 2021. Desse total, 27,6 milhões estavam submetidas ao trabalho forçado e 22 milhões a casamentos indesejados. No Brasil, desde 1995, quando o País estruturou sua política nacional de combate ao trabalho análogo à escravidão, mais de 60 mil trabalhadores foram resgatados por equipes de fiscalização.
Os autores destacam que as formas contemporâneas de escravidão dispensam as correntes de ferro do passado. Falsas promessas de emprego, anúncios em redes sociais, retenção de documentos, isolamento, ameaças, dívidas e violência física e psicológica passaram a integrar os mecanismos de aliciamento e controle utilizados por organizações criminosas.
É nesse ambiente que se desenvolve a história de Phelipe, brasileiro que acreditou em uma oportunidade profissional no exterior e acabou levado para Mianmar, onde foi privado da liberdade e submetido a meses de violência e medo. Retido por uma organização criminosa, foi obrigado a participar de fraudes financeiras praticadas pela internet contra vítimas de diferentes países. Seu resgate foi possível graças à atuação de uma organização não governamental dedicada ao enfrentamento do tráfico internacional de pessoas.
Viveiros enfatiza que o objetivo da obra é registrar um fato extremamente grave de maneira contextualizada e fundamentada, sem transformar o sofrimento das vítimas em espetáculo e sensacionalismo. O livro procura demonstrar os mecanismos que permitem a existência dessas redes criminosas e, em especial, contribuir para que situações semelhantes não voltem a acontecer. “Nos últimos anos, organizações criminosas instalaram grandes centros de crimes eletrônicos em países do Sudeste Asiático, com destaque para regiões de baixa fiscalização institucional. Jovens recrutados em diversos países recebem promessas de empregos bem remunerados nas áreas de tecnologia, atendimento ao cliente ou marketing digital. Ao chegarem ao destino, seus passaportes e celulares são confiscados, sua liberdade desaparece e suas vidas passam a pertencer a redes criminosas. Sob tortura física e psicológica, são obrigados a aplicar fraudes financeiras pela internet contra vítimas espalhadas pelo mundo. Quem resiste é espancado, privado de alimento, submetido a choques elétricos ou ameaçado de morte”, ressalta. O trabalho foi enriquecido pelas contribuições, com muita coragem e conhecimento teórico/prático, dos depoentes e dos especialistas que concederam entrevistas exclusivas para a obra.
Laura Cordeiro, a outra autora, enfatiza que o conteúdo foi desenvolvido com respeito às pessoas envolvidas. Por essa razão, modificaram-se alguns nomes para preservar a identidade de personagens reais. A investigação reúne entrevistas, documentos, dados e informações históricas, além dos depoimentos de especialistas de diferentes áreas, que ajudam a compreender as dimensões jurídicas, sociais, históricas, psicológicas e humanas do problema.
O livro também chama atenção para uma transformação importante no tráfico internacional de pessoas. As organizações criminosas passaram a utilizar a internet e as redes sociais para recrutar potenciais vítimas. Depois da chegada ao destino, os trabalhadores têm os documentos e celulares confiscados e são submetidos a ameaças, tortura e outras formas de violência para executar golpes contra pessoas de todo o mundo. “O velho traficante de escravos mudou de aparência, mas a chibata segue nas mãos dele”, salienta Viveiros.
Os autores
Ricardo Viveiros é professor, jornalista e escritor, com carreira desenvolvida em jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão. Cobriu quatro guerras civis para agências internacionais de notícias e esteve profissionalmente em 116 países. Autor de 60 livros, publicados em cinco gêneros, recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais e lecionou Comunicação durante 25 anos em universidades públicas e privadas.
Doutor stricto sensu em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), é articulista de jornais e revistas no Brasil e no exterior e palestrante em eventos acadêmicos, empresariais e associativos. É conselheiro da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE) e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) na qual integra a Comissão de Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos, membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP) e titular da cadeira nº 30 da Academia Paulista de Educação (APE). Há três anos apresenta o programa semanal “Brasil, mostra a tua cara!”, na TV Cultura.
Laura de Araújo Cordeiro é jornalista, historiadora e pesquisadora. Formada em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, em 2012, e em História pela Universidade de São Paulo (USP), em 2025, trabalha há mais de 14 anos com pesquisa, produção editorial e desenvolvimento de conteúdo para livros, revistas e publicações institucionais.
É pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em História Social da USP, na linha História dos Movimentos e das Relações Sociais, com foco em Pernambuco. Seus estudos abordam de modo mais aprofundado as relações de trabalho, migrações, populações e dinâmicas culturais entre os séculos XIX e XX.
Depoentes
O livro contou com depoimentos de pessoas relacionadas à história e de especialistas que contribuíram para contextualizar o fenômeno da escravidão contemporânea sob distintas perspectivas.
Phelipe Ferreira é o brasileiro que protagoniza a história narrada na obra. Vítima de tráfico internacional de pessoas, reviveu os acontecimentos para contribuir com o alerta e a proteção de outras potenciais vítimas.
Antônio Carlos Ferreira, pai de Phelipe Ferreira, participou da luta pela libertação dos brasileiros sequestrados e submetidos à escravidão.
Antônio Claudio Mariz de Oliveira é advogado criminalista, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção de São Paulo (OAB-SP), mestre em Direito Processual Civil pela Faculdade Paulista de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e foi professor da instituição.
Cíntia Meirelles é diretora da ONG The Exodus Road e ex-integrante do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
Daniel Carvalho de Paula é doutor, mestre, bacharel e licenciado em História pela Universidade de São Paulo (USP). É professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) e da Pontifícia Universidade Católica (PUC).
Emiliano Unzer é professor-doutor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), especialista em História da Ásia.
Francisco Lellis é psicanalista clínico brasileiro e atua profissionalmente em Paris, na França.
Júlio Renato Lancellotti, o Padre Júlio Lancellotti, é pedagogo e teólogo, pároco da Igreja Arcanjo São Miguel, em São Paulo, e coordenador da Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo. Recebeu títulos de doutor honoris causa, entre eles da PUC-SP e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Maurício Zanoide de Moraes é professor-doutor e livre-docente de Direito Penal na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FD/USP).
Paulo Baía é cientista social, graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestre em Ciência Política pela Universidade Federal Fluminense (UFF), doutor em Ciências Sociais pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e PhD em História Social pela UFF.
Ricardo Rezende Figueira é professor de Direitos Humanos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (GPTEC-NEPP-DH/UFRJ), PhD pela Universidad Carlos III, de Madri, doutor em Ciências Humanas, com ênfase em Antropologia, e pesquisador.
Valmir Salaro é jornalista e repórter. Trabalhou durante décadas na Rede Globo de Televisão e, como repórter especial do programa “Fantástico”, destacou-se pela cobertura de investigações e crimes de grande repercussão. Recebeu diversos prêmios ao longo da carreira.
FICHA TÉCNICA
Título: UM INFERNO EM MIANMAR – Os perigos da escravidão moderna.
Autores: Ricardo Viveiros e Laura de Araújo Cordeiro.
Editora: Reflexão.
ISBN: 978-65-5619-258-1.
Páginas: 170.
Acabamento: Capa Brochura.
Peso: 251 g.
Preço de capa: R$ 99,90.


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