24 outubro 2016

[Crítica Musical] ANAVITÓRIA - ANAVITÓRIA


Do talentoso e cativante amadorismo no youtube às grande plataforma de música e edições físicas, o duo ANAVITÓRIA lança seu primeiro álbum, o “pop rural” de título homônimo, criado pelo sistema de crowfunding e produzido por Tiago Iorc, que faz sua participação na faixa “TREVO”.

Com onze faixas, misturando canções já conhecidas com composições inéditas, o duo de Tocantis traz um novo ar para o cenário musical nacional com um álbum cheio de sentimentalismo, romantismo e fofura transbordante, numa atmosfera hippister e levemente bucólica, do tipo pés descalços na grama, noites de passeio a beira mar e luaus ao redor d'uma fogueira.

Com vozes bastante diferentes uma da outra e composição cheias de coração e alma, esse álbum trazem quase que a contemplação a distancia da vida de alguém que, após um término, encontrou não só o amor outra vez, mas também encontrou conforto, carinho e verdade. A primeira faixa – a primeira a ganhar vídeo -, AGORA QUERO IR, trata do término de um relacionamento do tipo “me apaguei para te fazer brilhar”, e reencontro de si mesmo. Ao passar das faixas, de um modo talvez não proposital – e talvez eu esteja forçando um pouco – vemos o nascer de uma paixão nascida de um par de OLHOS COR DE MARTE (faixa seguinte), que soa quase como uma continuação direta, seguindo para as demais, que tratam da vivencia e do crescimento de um sentimento mutuo de carinho, amor, e “um querer mais que bem querer”.

A letras possuem uma melodia poética própria e natural - as palavras são harmoniosas por si só (poesia pura!); as vozes chegam para dar alma e forma às palavras; os instrumentos trazem a vida a toda e selam lindamente união. Cada faixa tem sua própria característica sonora, hora visitando o MPB, hora trazendo elementos do lamento sertanejo, exemplo presente na regravação (que ficou lindíssima e merece ser citada) da faixa TOCANDO EM FRENTE e na faixa derradeira, “NÓS”, além de muita – muuita – influência do folk, como nas faixas TALVEZ A DEUS (que é absolutamente cativante).


Nas faixas já conhecidas, pouco foi modificado. A maior transição foi a do acústico intimista dos vídeos para o mais bem produzido e complexo do álbum de estúdio, sem perder em momento algum a essência e a musicalidade já conhecida e tão adorada. Muito violão, viola e coros de fundo dão o charme as gravações.

Duas vozes bastante diferentes combinando entre si da forma mais perfeita, combinada a letras lindamente construídas e melodias doces e cativantes fazem desse álbum um presente para nossos ouvidos e coração, principalmente se for ouvido a dois.


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