03 julho 2016

[Resenha] Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida

Sinopse:
Há uma guerra no céu. O confronto civil entre o arcanjo Miguel e as tropas revolucionárias de seu irmão, Gabriel, devasta as sete camadas do paraíso. Com as legiões divididas, as fortalezas sitiadas, os generais estabeleceram um armistício na terra, uma trégua frágil e delicada, que pode desmoronar a qualquer instante. Enquanto os querubins se enfrentam num embate de sangue e espadas, dois anjos são enviados ao mundo físico com a tarefa de resgatar Kaira, uma capitã dos exércitos rebeldes, desaparecida enquanto investigava uma suposta violação do tratado. A missão revelará as tramas de uma conspiração milenar, um plano que, se concluído, reverterá o equilíbrio de forças no céu e ameaçará toda vida humana na terra. Ao lado de Denyel, um ex-espião em busca de anistia, os celestiais partirão em uma jornada através de cidades, selvas e mares, enfrentarão demônios e deuses, numa trilha que os levará às ruínas da maior nação terrena anterior ao dilúvio – o reino perdido de Atlântida.

O que eu achei?

As tropas do arcanjo Miguel lutam para destruir a humanidade. O arcanjo Gabriel, seu irmão, montra a sua tropa rebelde, na tentativa de impedir o genocídio humano. Todo o paraíso está em guerra e a Terra está em relativa paz... por enquanto.

O livro é absolutamente fascinante e te mantem preso a ele de uma forma surpreendente. A escrita não é de toda requintada ou rebuscada, é simples e direta, sem rodeios ou falatórios cansativos, fazendo-se valer mais pelo conteúdo – os conceitos, definições, conteúdos históricos –, com capítulos curtos e sucintos. (Isso me fez lembrar muito da forma que Dan Brown escreve).

O que mais me chamou atenção foi como os anjos, demônios e toda sorte de seres espirituais foram construídos. Todos eles – sem exceção – conseguem ser cativantes, todos à sua maneira. Não há excessos nem elementos soberbos; a caracterização ficou impecável, e – um ponto importantíssimo – os diálogos são, para mim, perfeitos! Cada anjo trabalhado minuciosamente com as características de sua respectiva casta, sem deixar de lado o que já se conhece de alguns anjos, como Lúcifer, por exemplo. Na Terra, os anjos – e até alguns demônios - possuem um corpo humano, um avatar, mantendo ainda seus poderes celeste, fazendo com que a vida deles em terra seja bem mais interessante.

Além de todo o conceito celeste, passando desde a criação do mundo até a criação dos ser humano, numa trama de inveja, sangue, vingança e traição (todo minuciosamente explicado durante a história e num Apêndice mega-hiper esclarecedor), há também alguns elementos da nossa mitologia, visto que toda a história se passa em território nacional – o que muito me agradou, numa época de nacionais escrevendo histórias com excessivos detalhes e influencias internacionais.

As personagens principais (Kaira, Urakin, Levih e Denyel) são absolutamente distintos, fazendo com que a leitura não se torne cansativa. Aliás, nesse livro não existem personagens cansativos; todos eles são tão bem construídos, que até o mais sádico consegue ser cativante. Os inimigos conseguem também ser fantásticos.

As batalhas são alguns dos meus momentos favoritos. Longe da fantasia de “duelo mágico, raios azuis e vermelhos e, PUFT, corpo sumiu”, nesse livro temos socos, tiros, sangue, membros e órgãos arrancos e corpos despedaçados.

Contudo, o livro não é somente uma aventura sangrenta, muito menos uma luta entre o bem e o mal. Para os mais atenciosos, o livro é um questionador de valores, onde nos coloca para pensar e questionar nossa índole, nosso caráter e nosso senso de justiça. Com os conceitos e motivos apresentados para a guerra celeste, nos deparamos com a inveja e seus efeitos, sobre o manto do conceito de “justiça”, fazendo-nos pensar se atitudes extremas são realmente necessárias quando estamos empenhados em nossa luta ou se são somente reflexo de um sentimento ruim, uma visão distorcida dos fatos e um conceitos mal-compreendido. (Questionamentos muito úteis nos dias de hoje, não!?)

Os anjos, no céu, estão lutando entre si; irmão lutando um contra o outro, numa batalha milenar, cada um achando que seu motivo é mais justo. E é aí que entra o nosso senso crítico.

Enfim, após esse mundo de coisas ditas, só me resta dizer que com esse livro eu virei fã de Eduardo Spohr, e, sem dúvidas, entrou para a lista de melhores livros que já li na vida, cheio de intrigas, conspiração, traição, um pouco de filosofia e muita ação.

Deixei alguns detalhes de lado, pois enquanto lia, a surpresa de descobri-los me atingiu como um tiro. Então, fica aí a curiosidade plantada em vocês.

Então, escolha o seu lado.
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2 comentários

  1. Sabe me dizer se esse livro é uma continuação da batalha do apocalipse? Gostei bastante da resenha, gosto quando o autor vai direto ao ponto. Só por curiosidade, o escritor deste livro é um professor Brasileiro.

    Um abraço

    naciadelivros.blogspot.com.br

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    1. Eai Rafael, tudo bem? Que bom que gostou da resenha :D
      Sobre a sequência dos livros, se não me engano, a trilogia FILHOS DO ÉDEN acontece antes de A BATALHA DO APOCALIPSE - Spohr usou dos conceitos e do "mundo" criado no BATALHA para iniciar essa trilogia. Contudo, de certa forma,FILHOS DO ÉDEN desemboca no BATALHA.
      E sobre ir direto ao ponto: ele faz isso com maestria! haha
      Até mais!

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