21 março 2016

[Resenha] Preciosa

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Sinopse :
PRECIOSA conta a história da adolescente Precious Jones. Aos 16 anos e grávida do próprio pai pela segunda vez (a primeira foi aos 12 anos), ela conhece uma professora singular, sua guia numa jornada de redenção e transformação. Uma narrativa intensa sobre adversidades e os mecanismos para lidar com elas.
Claireece Precious Jones suportou inimagináveis dificuldades em sua curta trajetória. Abusada pela mãe, estuprada pelo pai, ela cresce pobre, obesa, embrutecida, analfabeta, desprezada e, no geral, ignorada. Em seu próprio dialeto, ela se revela para os leitores: as humilhações constantes, os sonhos desfeitos e a resignação com que enfrenta a própria vida.
No Harlem, o reino dos sem voz, mora com a mãe, mulher solitária e cruel que assiste a TV incessantemente, devora toda a comida que Precious prepara e a submete suas tiradas raivosas. Apesar de tudo, a adolescente suporta a mãe com paciência surpreendente e segue em frente, tentando contornar os problemas do dia a dia com a cabeça erguida. E sonha com uma vida de celebridade, coberta de jóias, vestidos de luxo e um namorado bonitão.
Mas por causa da gravidez é forçada a abandonar a escola — o último e precário vínculo que a ligava ao restante do mundo — e é convidada a frequentar um centro de aprendizado alternativo. Ali, no fim da linha, está a senhorita Rain, uma jovem professora, radical e batalhadora por meio da qual Precious terá a possibilidade de recuperar sua voz e sua dignidade, descobrindo um mundo novo no qual poderá finalmente entender os próprios sentimentos e se expressar de uma maneira que nunca antes havia imaginado."

O que eu achei?
“A mais longa jornada começa com um único passo”.
A primeira vez com a qual tive contato com esta história foi quando assisti a uma entrevista da atriz Mo’nique (que interpreta a mãe da Precious no filme) falando sobre a sua personagem, junto de trechos aleatórios do filme. Na mesma hora eu soube que teria de assisti-lo. E assim o fiz, na mesma época em que foi lançado (por volta de 2010); um filme lindamente produzido por Oprah Winfrey e Tyler Perry, dois expoentes da produção de filmes que retratam os cotidiano da comunidade negra nos Estados Unidos (Tyler Perry é incrível!).
Se você assistiu ao filme e achou que era pesado, verá que o livro traz ainda mais nuvens carregadas. Nele, você vive pelos olhos de Claireece Precious Jones, uma jovem negra, gorda e analfabeta que foi, durantes anos – inclusive enquanto era apenas um bebê – abusada sexualmente pelo pai. Seu pai morre e, em seu lugar de algoz, fica sua mãe que a violenta física e emocionalmente numa constância assustadora.
O livro traz, além da visão da vida de Precious, a voz dela, transformadas em palavras da própria, com todos os erros gramaticais que se possa imaginar e esperar de uma garota vinda de uma região extremamente pobre, que não tem uma base educacional minimamente digna. Além disso, o livro traz detalhadamente o sentimento dela enquanto era abusada pelo pai, e a ambiguidade sentimental que habita dentro dela quando recorda dos abusos que sofria (realidade nua e crua, onde Precious destila palavrões).
Mesmo sofrendo, penando, desejando a morte, sempre havia dentro dela uma faísca de esperança que a movia em frente, um sonho fluorescente de ser alguém.
Ao conhecer a professora Rain – uma mulher determinada, negra e lésbica – em um instituto de ensino (algo como aulas de alfabetização), e começar a ter aulas para aprender a ler e escrever melhor, Precious vê que esse sonho de se tornar “alguém” pode estar mais próximo do que ela imagina - basta ela querer -; e aprende muito mais do que apenas gramática nessa convivência com outras mulheres e suas histórias de vida, mostrando-a que a vida pode ser muito mais do que apenas o dinheiro da assistência social e abusos diários de uma mãe relapsa.
Maternidade, aceitação, luta, culpa, esperança, amor... Muita coisa acontece nessa trajetória; reviravoltas assustadoras e revelações impactantes nos faz embarcar numa história de vida nem um pouco distante da realidade que, por vezes nos passa despercebida em uma caminhada pela rua; muitas pessoas são importantes e mostram a possibilidade de uma nova vida para Precious, mas não cabe a mim acabar com a beleza do livro. Basta dizer que é uma historia a ser lida, assistida e compartilhada sempre.
Obs¹.: O filme traz atuações impecáveis de absolutamente TODOS os atores/atrizes envolvidos, completamente viscerais e realistas, carregados de tensão que deixarão qualquer um abismado. O elenco conta com Mo’nique – em sua atuação mais incrível - como Mary Lee Johnston (mãe de Precious), Gabourey Sidibe como Claireece Precious Jones, Mariah Carey como Srta. Weiss (assistente social – e diga-se de passagem, uma atuação IMPECÁVEL!) e Paula Patton como a professora Blue Rain (minha personagem favorita!)... E foi vencedor do Oscar de 'Melhor Roteiro Adaptado'... à título de curiosidade.
Obs².: Óbvio que há algumas diferenças entre filme e livro, mas no geral, os pontos importantes da história estão bem fiéis.
Obs³.: durante a resenha usei o nome 'Precious', pois tive em mente o livro, que usa o nome em inglês. Para quem for ver o filme dublado, verá que o nome dela foi traduzido para Preciosa, o que dá no mesmo (acho que mesmo em legendado, o nome foi traduzido).
Obs4.: recentemente foi lançado O GAROTO, a continuação de PRECIOSA. O livro é contado pelo ponto de vista do filho dela, após a sua morte (não, não é spoiler, porque ela não morre no livro dela, apenas na sequência, e isso já é dito pela sinopse do próprio.)
Ian.

Um comentário

  1. Dá gosto ler resenhas assim. Um convite ao leitor. Parabéns, Irlan!
    Primeira vez que visito o blog e já quero voltar outras vezes!

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