[News] Avó Inventada estreia no Sesc Vila Mariana e fábula uma nova vida para a avó que a atriz nunca conheceu

 Avó Inventada estreia no Sesc Vila Mariana e fábula uma nova vida para a avó que a atriz nunca conheceu

Com dramaturgia premiada internacionalmente, Avó Inventada parte da história familiar de Ana Paula Lopez, artista neurodivergente, para imaginar outros destinos possíveis para mulheres que tiveram suas escolhas negadas

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Cena de Avó inventada - Na foto: Ana Paula Lopez e Tâmara David - Crédito: Jamil Kubruk



Dirigida por Kenia Dias, montagem estreia em 11 de novembro, com Ana Paula Lopez e Tâmara David em cena; texto será publicado em três idiomas por editora italiana


E se fosse possível inventar uma vida diferente para uma avó que morreu antes de conhecermos? Essa pergunta levou a atriz e dramaturga Ana Paula Lopez a criar o espetáculo Avó Inventada – Desenhando o retrato da avó que não conheci ou Desenterrando seus ossos em mim, que estreia em 11 de novembro de 2026, no Auditório do Sesc Vila Mariana, com direção de Kenia Dias e participação da musicista e performer vocal e sonora Tâmara David.

Aos 45 anos, mesma idade em que morreu sua avó paterna, Maria, Ana Paula decidiu reconstruir a história dessa mulher do norte de Minas Gerais, que nunca conheceu. Vítima de esquistossomose, sem acesso a tratamento médico, analfabeta e casada ainda adolescente, Maria deixou poucos registros de sua existência. A partir dos relatos do pai, a neta mistura fatos e ficção para imaginar outras possibilidades: e se Maria tivesse aprendido a ler, se tornado professora, escolhido não ter filhos ou vivido para conhecer a neta?


“Eu queria inventar um passado novo para ela, como um tipo de reparação mesmo. Queria que ela tivesse uma oportunidade de ser alfabetizada, de se tornar professora, como a maioria das netas dela são. Queria que ela tivesse esperança”, conta Ana Paula.


A dramaturgia aborda casamento infantil, maternidade compulsória, desigualdade social e violência patriarcal, relacionando a trajetória de Maria à realidade de muitas mulheres brasileiras.

“Estou olhando para um Brasil profundo, para a realidade de milhões de mulheres que ainda vivem essas situações. Por mais que eu queira inventar um novo passado, ela vem e traz toda essa dor, toda essa violência que mulheres ainda estão sofrendo neste instante”, afirma a autora.

A neurodivergência como linguagem de criação
Diagnosticada com autismo na vida adulta, Ana Paula investiga as possíveis heranças neurodivergentes da família. A questão atravessa tanto o tema quanto a linguagem cênica, marcada por pensamentos acelerados, associações de imagens e deslocamentos entre tempos e personagens. A atriz transita entre a neta, a avó e a narradora sem trocas convencionais de figurino ou caracterização.

A equipe também considera as necessidades sensoriais de artistas e espectadores neurodivergentes, com atenção ao desenho de luz e à intensidade sonora, evitando estímulos que possam provocar desconforto.

Corpo, voz e memória
Em cena, Ana Paula e Tâmara David ocupam um espaço sem referências a uma época ou ambiente doméstico específico. Ossos cenográficos, como uma bacia e um fêmur, integram a investigação sobre as heranças inscritas no corpo. A direção de Kenia Dias faz com que passado e presente se cruzem, enquanto canto, palavra, percussão corporal e música ao vivo ampliam a narrativa.

“A gente tem falado que é um duo de presenças. Nenhuma está a serviço da outra, mas são as duas traçando, falando esse texto pelo movimento, pela palavra, pelo som, pela música, pela relação entre as duas que se estabelece em cena”, explica Kenia.

A diretora destaca ainda a convivência entre humor e tragédia. A avó imaginada não fica restrita à condição de vítima: retorna, reivindica outras possibilidades e chega a confrontar a neta.

Sobre a relação entre as artistas, ela observa que "às vezes vejo duas avós, às vezes não vejo avó nenhuma, nem neta nenhuma. Às vezes são avó e neta, às vezes são duas irmãs”.

Dramaturgia premiada internacionalmente
Avó Inventada foi uma das vencedoras do Concurso Internacional de Dramaturgia Feminina 2025/2026, promovido pelo Festival Internacional A Escritura das Diferenças. O texto será publicado em português, italiano e espanhol pela editora Metec Alegre Edizioni, com lançamento em 23 de dezembro de 2026, em Morcone, na Itália. Em novembro de 2027, haverá leituras dramáticas em português e italiano durante o festival em Pordenone.

O espetáculo também marca a estreia da Mira Teatro, companhia fundada por Ana Paula e Kenia, parceiras artísticas há mais de uma década. Ana Paula é professora da Escola de Arte Dramática da USP, e Kenia leciona na Universidade de Brasília (UnB).

Ao fabular uma vida que sua avó não pôde ter, Ana Paula questiona as heranças transmitidas entre gerações e a possibilidade de transformar destinos.

Sinopse
Na peça , Ana Paula escava as memórias de uma avó que nunca conheceu, buscando nos ossos, nas palavras e no realismo mágico histórias que refletem a vida de tantas meninas e mulheres do Brasil profundo, criando um encontro impossível entre neta e avó, que nunca se conheceram em vida.

O analfabetismo, o casamento forçado, a maternidade compulsória e tantas outras privações de direitos vem à tona. Ao lado dela, Tâmara David também escava memórias pelas cordas vocais, ampliando essa travessia atemporal e ressaltando a perspectiva política da obra.

A montagem investiga a neurodiversidade como linguagem cênica e criação de presença. Um dos eixos da dramaturgia é a hereditariedade neurodivergente entre neta e avó. Concebida de forma acessível para a artista DEF e neurodivergente Ana Paula Lopez, a peça também pesquisa formas de acessibilidade para o público neurodivergente, que é muito bem-vindo em todas as sessões.

Ficha técnica
Concepção, dramaturgia e interpretação: Ana Paula Lopez
Direção: Kenia Dias
Diretor assistente e iluminador: Lucas Brandão
Musicista, compositora e performer vocal: Tâmara David
Direção vocal: Mônica Montenegro
Dramaturgia de movimento: Kenia Dias, Lucas Brandão e Ana Paula Lopez
Orientação de escrita dramatúrgica: Solange Dias
Cenário e figurinos: Renato Bolelli
Sonorização: Gylez Batista
Assistente de cenografia e figurino: Ana de Queiroz
Assessoria de imprensa: Canal Aberto Comunicação
Fotografia: Jamil Kubruk
Arte: Tande Campos
Produção: Corpo Rastreado - Lucas Cardoso
Apoio: Mira Teatro, Perereca Produções, Corpo Rastreado e Casa Farofa
Realização: Sesc SP

Arrobas da equipe: @anapaulalopezzz @taamara_david_a @keniadiasteatro @corporastreado @mira.teatro @perereca.producoes @luca.s.brandao @monica.montenegro @luquethyy @gylez_ @bolellireboucas

Serviço

Avó Inventada – Desenhando o retrato da avó que não conheci ou Desenterrando seus ossos em mim
Estreia: 11 de novembro de 2026, quarta-feira, às 20h30
Temporada: até 5 de dezembro de 2026 (Não haverá sessão dia 26/11)
Apresentações: quintas, sextas e sábados, às 20h30
Local: Auditório do Sesc Vila Mariana – São Paulo (SP)
Atenção: Dias 27 e 28 de novembro, sexta e sábado, as sessões serão com acessibilidade, às 18h30; no sábado (28), a apresentação será seguida de Boteco Crítico (19h30).
Ingressos: R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia-entrada) e R$ 15 (Credencial Plena)
Duração: 60 minutos Classificação indicativa: 16 anos

Assessoria de Imprensa | Sesc Vila Mariana

Glaucio Souza

imprensa.vilamariana@sescsp.org.br

 

Sesc Vila Mariana   

Rua Pelotas, 141, Vila Mariana   

Metrô Ana Rosa  

Estacionamento: 125 vagas - R$ 10 a primeira hora + R$ 4 a hora adicional (Credencial Plena: trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes). R$ 20 a primeira hora + R$ 5 a hora adicional (outros).   

Paraciclo: 16 vagas - gratuito (obs.: é necessário a utilização de travas de seguranças).   

Informações: (11) 5080-3000

 

Informações à imprensa
Canal Aberto Assessoria de Imprensa

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