[News] Premiado pelo Shell, Festival Home Theatre estreia em São Paulo e transforma histórias de moradores do Jardim Lapenna em teatro

 Premiado pelo Shell, Festival Home Theatre estreia em São Paulo e transforma histórias de moradores do Jardim Lapenna em teatro

De 13 a 15 de novembro, o festival criado por Marcus Faustini realiza apresentações gratuitas em casas de moradores da Zona Leste. Projeto já teve quatro edições no Rio de Janeiro e experiências na Inglaterra, África do Sul e Irlanda


 


São Paulo, novembro de 2026 – Quem merece ter sua história contada em um palco? No Jardim Lapenna, bairro de São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo, a resposta está nas ruas, nas casas e na memória de seus moradores. Entre os dias 13 e 15 de novembro, o Festival Home Theatre realiza sua primeira edição na capital paulista, transformando histórias de vida de pessoas comuns em experiências teatrais apresentadas dentro das próprias residências da comunidade.

Vencedor do Prêmio Shell de Teatro, o festival foi criado pelo dramaturgo, cineasta e gestor cultural Marcus Faustini e parte de uma ideia simples e poderosa: toda pessoa tem uma história que merece ser contada. A edição paulista é uma realização da Avenida Brasil – Instituto de Criatividade Social, com patrocínio da Fundação Tide Setubal, Fundação Itaú e Galpão ZL.

Depois de quatro edições no Rio de Janeiro e experiências internacionais na Inglaterra, África do Sul e Irlanda, o Home Theatre chega a São Paulo propondo uma maneira diferente de fazer teatro: antes de existir um espetáculo, é preciso encontrar pessoas, escutar suas experiências e descobrir as histórias que um território deseja contar sobre si mesmo.

Quando o bairro escolhe seus protagonistas

No Festival Home Theatre, os moradores não são apenas espectadores. Eles participam da construção artística desde o início, identificando pessoas importantes para a vida da comunidade, compartilhando memórias e ajudando a escolher as histórias que ganharão uma interpretação teatral.

São trabalhadores, artistas populares, mães, avós, comerciantes, lideranças comunitárias e personagens que, muitas vezes longe do reconhecimento público, ajudam a construir a identidade e a vida coletiva do bairro.

Por meio de oficinas, entrevistas e processos de curadoria coletiva, essas trajetórias são transformadas em dramaturgia. As histórias saem do cotidiano e encontram uma nova forma de existir diante do público. Nesta edição, serão apresentadas as cenas “A mulher que não abaixou a cabeça” (Atriz Myla Silva - Personagem Dona Glória), “O que você vê quando olha pra mim?” (atriz Jessica Marcele – Personagem Kelly Cristiane), “O que fica depois que a gente vai” (Atriz Jaque Alves - Personagem José Divino) e “Pé na porta” (Ator Jeffs Silvério - Personagem Carlos Dida).

“Quem são as pessoas que fazem a vida acontecer no Jardim Lapenna? Quem ajudou a construir o bairro? Quem cuida dos vizinhos, preserva memórias e cria oportunidades? O Home Theatre parte dessas perguntas para reconhecer o extraordinário que existe na vida cotidiana. Queremos mostrar que uma história não precisa ser famosa para merecer um palco”, explica Marcus Faustini.

O festival também transforma a relação entre artistas, público e território. Em vez de apresentar uma obra pronta à comunidade, o projeto convida os moradores a participar de sua criação. “O público não chega apenas no dia do espetáculo. Ele está presente desde o início, ajudando a descobrir personagens e a escolher as histórias. O teatro deixa de ser somente algo a que se assiste e passa a ser algo que se constrói coletivamente”, afirma o idealizador.

A arte começa com a escuta

A preparação do festival envolve uma série de oficinas criativas que estimulam os participantes a reconhecer os talentos, as memórias e as relações existentes no Jardim Lapenna. Entre as atividades está a Caixa de Memórias, exercício no qual objetos pessoais se transformam em pontos de partida para narrativas sobre experiências, afetos e acontecimentos marcantes.

Outra ferramenta é o Mapa Coletivo, que identifica pessoas, espaços, iniciativas, saberes e conexões presentes no território. A partir desses encontros, os participantes ampliam seu conhecimento sobre o bairro e descobrem histórias que muitas vezes permanecem invisíveis.

O processo culmina na seleção de histórias de moradores que serão interpretadas por artistas e apresentadas ao público. Mais do que reunir depoimentos, o festival busca produzir uma experiência de reconhecimento coletivo. Ao assistir à história de alguém de sua comunidade transformada em teatro, o público é convidado a olhar de outra maneira para as pessoas e para o lugar onde vive.

São Paulo entra no mapa do Home Theatre

A chegada à capital paulista representa um novo capítulo na trajetória do festival, que nasceu no Rio de Janeiro e ampliou sua atuação internacionalmente. “São Paulo sempre esteve nos meus planos. É uma cidade de histórias extraordinárias, atravessada por migrações, encontros e diferentes experiências urbanas. Realizar o Home Theatre aqui, começando pelo Jardim Lapenna, é muito significativo. É a oportunidade de fazer o teatro nascer da vida de um território”, destaca Faustini.

Para o diretor, o projeto também responde a um desafio contemporâneo: recuperar o valor dos encontros presenciais em uma sociedade cada vez mais mediada pelas telas e pelas redes sociais. “Vivemos um tempo em que consumimos milhares de histórias todos os dias, mas muitas vezes conhecemos pouco as pessoas que vivem ao nosso lado. O Home Theatre propõe o movimento contrário: sair das telas, entrar nas casas, ouvir as pessoas e construir vínculos. A cultura também é uma maneira de cuidar das relações entre as pessoas”, afirma.

Faustini defende ainda que o contato com outras experiências de vida pode renovar a própria criação artística. “Precisamos ampliar as histórias que chegam aos palcos. Quando artistas encontram pessoas de diferentes trajetórias, ampliam seu repertório e sua imaginação. Não é apenas o teatro que transforma as histórias das pessoas. As histórias das pessoas também podem transformar o teatro”, acredita.

Durante três dias, o Jardim Lapenna se transforma em um circuito teatral no qual as casas dos moradores recebem apresentações e a própria comunidade se torna protagonista da experiência artística. O Festival Home Theatre convida o público a descobrir que os personagens mais extraordinários de uma cidade podem estar muito mais perto do que imaginamos.

 

Sobre Marcus Faustini

Marcus Faustini é dramaturgo, cineasta, diretor e gestor cultural. Criador do Festival Home Theatre e da metodologia Prática da Potência, desenvolve projetos que articulam arte, participação social, território e criação coletiva. Foi secretário municipal de Cultura de Nova Iguaçu e do Rio de Janeiro e é fundador da Avenida Brasil – Instituto de Criatividade Social. Entre seus trabalhos, estão a criação da Agência de Redes para Juventude, iniciativa de formação e protagonismo juvenil com desdobramentos internacionais, e a direção e apresentação do programa Aprender Sem Fim, exibido pelo Canal Futura.

Serviço

Festival Home Theatre São Paulo – Jardim Lapenna

Datas: 13, 14 e 15 de novembro de 2026

Local: Jardim Lapenna, São Miguel Paulista, Zona Leste de São Paulo

Apresentações: residências de moradores do bairro.

Horários das Cenas: Sexta - dia 13 de novembro - “Pé na porta” - 15h (primeira sessão), 16h (segunda sessão). O que você vê quando olha pra mim?” -  18h (primeira sessão), 19h (segunda sessão). Sábado - dia 14 de novembro – “O que fica depois que a gente vai” - 14h (primeira sessão), 15h (segunda sessão). “A mulher que não abaixou a cabeça” - 16h (sessão única). Domingo – dia 15 de novembro - Sarau/Feira Criativa das

13h às 17h no Galpão ZL.

Ingressos: gratuitos

Mais informações: @festivalhometheatresp

Realização: Avenida Brasil – Instituto de Criatividade Social

Patrocínio: Fundação Tide Setubal, Fundação Itaú e Galpão ZL

 

Assessoria de imprensa

Rachel Almeida

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