[News] JARARACA[S], novo espetáculo do Grupo Pavilhão da Magnólia, estreia no Itaú Cultural
JARARACA[S], novo espetáculo do Grupo Pavilhão da Magnólia, estreia no Itaú Cultural
JARARACA[S] - Crédito Allan Diniz
JARARACA[S], novo trabalho do Grupo Pavilhão Magnólia, com sede em Fortaleza, no Ceará, representa mais um passo em sua trajetória de 21 anos de revelar histórias e personagens que compõem a construção social e cultural do país. O espetáculo, com dramaturgia do multiartista pernambucano Giordano Castro e direção do cearense Murillo Ramos, traz à cena os últimos dias de vida de “Jararaca” (José Leite de Santana), um dos principais cangaceiros do bando de Lampião. A obra estreia e faz curta temporada do dia 28 ao dia 31 de maio de 2026, no Itaú Cultural.
Na história, os quatro atores em cena acompanham os sete dias finais de Jararaca, após ser baleado, capturado, preso e morto pela polícia. Em 1927, o bando de Lampião saiu de Pernambuco, atravessou a Paraíba e tentou invadir Mossoró (RN). Após a fracassada investida, conhecida como “Chuva de Bala”, o grupo foge em direção ao Ceará. No confronto, dois cangaceiros ficam para trás: entre eles, José Leite de Santana, o Jararaca. Baleado ao tentar salvar seu companheiro Colchete, ele é capturado e permaneceu preso por sete dias, torturado, até ser assassinado em 20 de junho de 1927.
Os jogos políticos, religiosos e econômicos que atravessam esse período estruturam o espetáculo, que lança um olhar crítico sobre as violências de Estado, ontem e hoje. Para o grupo, a narrativa que reduz o cangaceiro à figura de “bandido” revela-se insuficiente diante das complexas violências sociais que atravessavam o sertão no início do século XX: a seca, a fome e a desigualdade são imposições históricas.
A obra propõe uma reflexão sobre memória e apagamento, evidenciam, assim, processos que atingem, sistematicamente, corpos pretos, marginalizados e periféricos. Nessa jornada, o espetáculo busca, de forma metafórica, resgatar esse corpo e suas narrativas, criando espaços de fabulação crítica.
“Reafirmamos a urgência de falar sobre o Nordeste: de onde viemos e quem somos”, diz o ator Nelson Albuquerque. O grupo lembra que o cangaço também carrega um imaginário meio pop, cultuado de forma meio festeira, com fantasias, um estereótipo do que é o Nordeste. Hoje, Jararaca é reverenciado como “santo popular”, não oficializado pela igreja, na cidade de Mossoró (RN). “Nos interessa ir além do arquétipo do cangaceiro e das histórias já cristalizadas e limitantes desse universo”, completa.
A transformação de um cangaceiro em santo popular instiga a criação e dialoga com o imaginário fantástico presente na literatura de cordel. “Ao mesmo tempo em que o cangaço é visto por alguns como movimento social e por outros como bandidos, ele tem um traço meio pop. Tem uma fantasia do cangaceiro, do estereótipo do Nordeste. Nós questionamos um pouco esse lugar do estereótipo”, revela.
A desproporcionalidade com que essas violências atingem corpos negros e pobres revela um padrão estrutural que não se configura como exceção, mas como regra. JARARACA[S] propõe, assim, um olhar expandido sobre a criação contemporânea, implicando seus artistas nos temas abordados e abrindo caminhos para novas leituras, deslocamentos e redescobertas.
A obra também tensiona paralelos entre passado e presente, ao questionar as violências do Estado em seu projeto de Necropolítica. Que histórias se repetem? Quais vidas são marcadas previamente pela morte? As perguntas ecoam: quem mandou matar Jararaca? Quem mandou matar Marielle?
Com JARARACA[S], o Grupo Pavilhão da Magnólia reafirma sua prática artística coletiva, baseada em pesquisa e compartilhamento de saberes. Ao longo de sua trajetória, o grupo já criou vinte espetáculos e recebeu reconhecimento nacional, incluindo o Prêmio Shell de Teatro - Destaque Nacional (2025) pelo trabalho continuado, além de participação em importantes festivais no Brasil e no exterior.
SINOPSE:
O espetáculo investiga os últimos dias de vida de Jararaca, cangaceiro morto pela polícia e hoje reverenciado como santo popular em Mossoró/RN, tensionando as fronteiras entre memória, mito e apagamento histórico. A obra propõe um olhar crítico sobre as violências de Estado que atravessam passado e presente, refletindo sobre quem tem o direito de narrar a história. Ao confrontar o público, lança perguntas inquietantes: Quais vidas são marcadas para morrer? E que outras versões ainda seguem soterradas pelo silêncio?
FICHA TÉCNICA
Concepção e Criação: Grupo Pavilhão da Magnólia
Dramaturgia: Giordano Castro
Direção: Murillo Ramos
Elenco: Silvianne Lima - Jota Junior Santos - Nelson Albuquerque - rudriquix
Criação e Operação Musical: rudriquix
Letras (Músicas Originais): Murillo Ramos
Gravação Música SETE: Venícius Gomes e Jocasta Britto
Iluminação: Wallace Rios
Cenografia: Rodrigo Frota
Figurinos: Themis Memória
Direção de Movimento: Clarissa Costa
Fotos Divulgação e Vídeos Projeção: Allan Diniz
Colaboração na Pesquisa: A Máscara de Teatro - Mossoró/RN
Coordenação de Produção: Som e Fúria
Produção Executiva: Silvianne Lima e Jota Junior Santos
Apoio: Casa Absurda
Produção/SP: Corpo Rastreado
Comunicação: Canal Aberto Comunicação
Realização: Itaú Cultural
Co-Produção: HUB Cultural Porto Dragão
Serviço
Espetáculo JARARACA[S]
Com Pavilhão da Magnólia
Estreia no Itaú Cultural:
De 28 a 31 de maio (quinta-feira a sábado, às 20h, e domingo às 18h)
Teatro (piso térreo)
Capacidade: 224 lugares
Duração: 90 minutos
Classificação Indicativa: 16 anos
Entrada gratuita. Reservas de ingressos a partir de 26 de maio (terça-feira), às 12h, na plataforma INTI – acesso pelo site do Itaú Cultural www.itaucultural.org.br
*Essa atividade contará com acessibilidade em libras
Informações para imprensa:
Canal Aberto Assessoria de Imprensa
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