[News] Margem da Palavra promove encontro lítero-musical com Ana e Marlui Miranda no mês de aniversário da Bece
Margem da Palavra promove encontro lítero-musical com Ana e Marlui Miranda no mês de aniversário da Bece
Ação integrada entre CDMAC e Bece, programa Margem da Palavra acontece mensalmente no minianfiteatro do Dragão
Na segunda edição do programa Margem da Palavra, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC) e a Biblioteca Pública Estadual do Ceará (Bece) trazem ao palco do minianfiteatro do Dragão, próximo dia 31 de março, terça-feira, a romancista Ana Miranda e a musicista e pesquisadora Marlui Miranda, duas irmãs nascidas na Praia de Iracema, em Fortaleza, que correram mundo reverberando suas artes.
Em uma conversa movida por ancestralidades, as irmãs vão mostrar o caminho que percorreram entre o “quarto mágico” da infância e a plenitude da criação artística: Marlui, na música indígena; Ana, em sua literatura de raízes históricas. Com uma voz que ecoa dos murmúrios da floresta, Marlui vai cantar; e Ana vai ler páginas do romance Yuxin, alma, ponto culminante do enlace entre as duas vivências. A segunda edição do programa Margem da Palavra integra a programação do mês de aniversário da Biblioteca Pública Estadual do Ceará - Bece, que comemora 159 anos.
Em Yuxin, Ana Miranda inventa o mundo possível de uma jovem indígena - uma "outra" brasileira. A ação do livro decorre em 1919, no interior das matas densas do Acre. Ao mesmo tempo em que experimenta os conflitos de seu próprio cotidiano, a protagonista vive na fronteira de um mundo externo assustador, que assedia sua cultura com padres catequizadores e brancos interessados nos ganhos que podem ser obtidos com a exploração da floresta - de que fazem parte, como elemento natural, os indígenas com sua cultura.
Ao fazer ecoar a fala da indiazinha Yuxin, Ana Miranda também se refere à yuxin - substantivo de sentido complexo que se pode traduzir como "alma". Ou seja, por meio da linguagem-alma da indiazinha emerge a alma da floresta. A compositora e intérprete Marlui Miranda traduziu Yuxin em música em seu CD YUXIN, Alma, composto e produzido especialmente para acompanhar o livro. Afetivo, íntimo e melódico a um só tempo, o evento lítero-musical foi batizado pela própria Ana Miranda: Duas irmãs, 500 anos de conversa.
Quem media o encontro de Ana e Marlui Miranda é a jornalista, escritora e pesquisadora Eleuda de Carvalho.
Margem da Palavra
O programa Margem da Palavra, ação integrada entre Centro Dragão do Mar e Bece, propõe encontros mensais em torno da literatura e da oralidade, unindo ditos e escritos como estratégia de ampliação das possibilidades de leitura do mundo, a partir da intersecção da palavra com outras linguagens. O encontro da cultura livresca com a tradição oral se dá mensalmente, no Minianfiteatro do Dragão, justamente o espaço localizado entre os dois equipamentos parceiros e vizinhos, uma “terceira margem do rio” de uso comum, espécie de ágora contemporânea dedicada à escuta e confluência de vozes.
Com total abertura para arranjos diversos, o programa Margem da Palavra acolhe aulas públicas, rodas de conversa, lançamentos literários, debates, performances e/ou eventos lítero-musicais, ganhando forma a partir do alinhamento entre as equipes do CDMAC e da Bece, que definem os temas e as duplas convidadas. Assim, a palavra escrita ou falada atua como elo entre o simbólico e o político, o individual e o coletivo, estimulando reflexões críticas sobre memória, ancestralidade, território, resistência e reinvenção do cotidiano.
“A programação acolhe nomes de diferentes campos dos saberes, da oralidade à academia, da literatura à composição, das poéticas às visualidades, em encontros que colocam a palavra em movimento, atravessando corpos, sons, imagens e territórios. A parceria com a Bece é especialmente importante para potencializarmos públicos, repertórios e redes, com a palavra atravessando o Dragão do Mar e a Biblioteca, mas também avançando sobre outras margens e outros mundos”, destaca Camila Rodrigues, superintendente do Centro Dragão do Mar.
"A literatura e a palavra, em suas múltiplas dimensões, ocuparão a centralidade dos encontros, promovendo conexões com outras linguagens artísticas, territórios e saberes diversos. O novo programa é mais uma ação que fortalece a integração da rede pública de espaços e equipamentos culturais do Estado do Ceará", reforça Suzete Nunes, superintendente da Bece.
As convidadas
Ana Miranda
Romancista de linguagem e fabulação, Ana Miranda nasceu em Fortaleza, Ceará, em 1951. Seu primeiro romance, Boca do Inferno (1989), foi vencedor do Jabuti de Revelação e incluído no cânon dos cem maiores livros em língua portuguesa do século XX (O Globo, 05/09/1998). Publicou mais de trinta livros, pela Companhia das Letras, Dantes, Record, Armazém da Cultura. Recebeu prêmios da Academia Brasileira de Letras (Dias & Dias, 2003; e Musa Praguejadora, 2014); Jabutis em Romance (Dias & Dias, 2003) e Biografia (Xica da Silva, a Cinderela Negra, 2017, segundo lugar); o troféu Sereia de Ouro (2008); o Green Prize of the Americas (Yuxin, 2010); a comenda Ordem do Mérito Cultural do Governo Brasileiro (2017); o título de Doutora Honoris Causa da UFC (2018), e outras honrarias. Foi escritora visitante em Stanford (1996 e 2014), Yale, Darthmouth, Tor Vergata (Roma); representou o Brasil na União Latina, em Roma e Paris, de 1999 a 2003. Sua obra é tema de estudos em Literatura, Linguística, História e Psicologia, no Brasil e no exterior. Seus livros foram traduzidos para cerca de vinte línguas por tradutores como Giovanni Pontiero e publicados por algumas das melhores editoras, como a Harvill, na Inglaterra (1992), Viking Penguin nos Estados Unidos (1991), ou a Rizzoli na Itália. O romance Desmundo (1996) ganhou versão cinematográfica (2003) dirigida por Alain Fresnot. Depois de cerca de cinquenta anos morando no Rio, em Brasília e São Paulo, Ana Miranda voltou a viver no Ceará, sua terra natal.
Marlui Miranda
Com doutorado em Musicologia pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), onde defendeu a tese “O Novo Tradicional: Transportações Sensíveis das Musicalidades Indígenas no Brasil", Marlui Miranda é cantora, compositora e pesquisadora. Desde 1977 atua como intérprete da música indígena no Brasil, estudando suas tradições e cultura musical. Apresentou-se, gravou e realizou tournées no Brasil e exterior com Naná Vasconcellos, Rodolfo Stroeter, Orquestra Jazz Sinfônica, Orquestra Experimental de Repertório, Camerata Antiqua de Curitiba, Coral Sinfônico do Estado, Manu Lafer, Caito Marcondes, Egberto Gismonti, Milton Nascimento, Gilberto Gil, John Surman, Jack DeJohnette, entre outros. Criou trilhas para filmes brasileiros de longa-metragem, documentários, ballet e peças de teatro. Recebeu o Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente (2005) e a medalha do Mérito Cultural do MINC – Ministério da Cultura (2002) pelo extenso trabalho em defesa da música dos povos indígenas. Criou música incidental para o filme de Hector Babenco,“Brincando nos Campos do Senhor” e com Lelo Nazario a trilha do filme “Hans Staden”, de Luiz Alberto Pereira, além da minissérie “Diários da Floresta”, de Luiz Arnaldo Dias Campos. Coleciona prêmios: melhor Trilha Sonora por Hans Staden – Festival de Cinema de Brasília – 1999; Melhor CD IHU “Todos os Sons”, na categoria World Music, pela Academia Alemã de Crítica (1996); Prêmio da Cooperativa Paulista de Teatro, em 2012, pelo projeto sonoro da peça teatral “Recusa”, da Cia. Balagan de Teatro. Organizou “Ponte entre Povos” um livro com três CDs encartados, um documento que registrou o repertório dos Wayana, Apalai, Katxuyana, Tiriyó e Palikur do Amapá. Gravou Yuxin–Alma, uma releitura musical da obra literária de mesmo nome, de autoria de sua irmã, a escritora Ana Miranda, lançado pela Companhia das Letras, Selo SESC (2009).O trabalho musical mais recente é o CD “Fala de Bicho, Fala de Gente”, com adaptações da música do povo Juruna Yudja, lançado pelo Selo SESC (2014). Recebeu da Câmara de Fortaleza a medalha Lauro Maia.
Eleuda de Carvalho (Mediação)
Eleuda de Carvalho é cearense de Jaguaruana, libriana, tem 66 anos e diz que lê quadrinhos antes de saber ler, ouvindo a mãe contar para os filhos. Jornalista, radialista, pesquisadora da cultura periférica, professora aposentada da UFT, Letras, em Araguaína. Alguns livros inéditos: A primeira chuva dos cajus, poemas, 1983; Cordelim de novelas da Xerazade do sertão - estudo sobre o Romance d’A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna (dissertação de mestrado, 1996, UFC); O Contestado na moldura do Juazeiro: uma teoria da tradição em romance acidental (tese, 2012, UFSC). Algumas reportagens/cadernos especiais O POVO (1997-2007): Caminhos do Conselheiro, 1997 - prêmio ACI; Brasil 500 séculos (2000), indicado ao Esso; Especial Armorial “Ariano Suassuna, 60 anos de arte” (2005) e Especial Padre Cícero, 2004.
Margem da Palavra
Data: 31 de março de 2026 (terça-feira)
Horário: 19h
Local: Minianfiteatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC)
Convidadas: Ana Miranda e Marlui Miranda
Mediação: Eleuda de Carvalho
Entrada gratuita / Acessível em Libras
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