[News] O espetáculo “Visto”, que estreia dia 6 de março, no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, reflete sobre a educação artística como oportunidade de vida para jovens periféricos

 O espetáculo “Visto”, que estreia dia 6 de março, no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, reflete sobre a educação artística como oportunidade de vida para jovens periféricos

 

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A peça é inspirada em experiências vividas pela autora e diretora Marcela Andrade e pelos atores Reinaldo Dutra e Uriel Dames

 

Preconceitos enraizados na sociedade e violências cotidianas sofridas por jovens de regiões periféricas ainda impedem o que deveria ser inegociável: a educação artística como oportunidade de vida. Baseada em suas próprias vivências como professora de teatro em diferentes municípios do Rio de Janeiro, a autora e diretora Marcela Andrade escreveu o espetáculo “Visto”, que estreia, dia 6 de março, no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto/Sala Preta, no Humaitá. A montagem é um exercício de memória da dramaturga e dos atores sobre a cumplicidade estabelecida com alunos de diferentes espaços do Rio de Janeiro e os desafios que surgem em trabalhos com cultura e educação. Após a temporada de estreia, o projeto vai oferecer sessões em escolas e espaços de cultura em São Gonçalo. O espetáculo é apresentado pelo Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através da Política Nacional Aldir Blanc.

A trama é focada em dois personagens: um experiente professor de teatro e um jovem com personalidade artística e sensível, que desvia de uma performance hegemônica de masculinidade. A peça evoca, sobretudo, dilemas profissionais e sociais que dois personagens vivem ao encontrarem a arte como profissão. Reflexões pertinentes a pautas contemporâneas estruturam a história, como oportunidades de estudo e de trabalho; juventude e crescimento pessoal; pertencimento e homofobia.

“Para escrever a peça, dei foco em registros de censuras familiares que testemunhei, a maior parte relacionada a moralismos comportamentais e questões de gênero e de sexualidade. Passei a refletir sobre limitações de percepção da arte como trabalho fundamental na constituição de sujeitos e cidadãos. Essas censuras impedem vivências e aumentam os “buracos” estruturais de projetos culturais necessários a sociedade”, reflete Marcela Andrade.

No elenco, estão Reinaldo Dutra e Uriel Dames, artistas e professores que transitam por espaços periféricos de cultura e educação. Ambos vieram de São Gonçalo e seus relatos pessoais embasaram a trama narrada em jogo cênico provocativo e poético, focado em relações humanas e sociais.


Há 10 anos, o ator Reinaldo Dutra, de 41 anos, viveu forte experiência de resistência artística ao manter um grupo de teatro na Lona Cultural Lidia Maria da Silva, no bairro Jardim Catarina, um dos mais populosos e violentos de São Gonçalo. “Em 2015, criei um coletivo teatral com meus ex-alunos no Jardim Catarina. Fizemos apresentações na Lona do bairro e oferecemos oficinas. O local estava bem precário, sujo, sem material de iluminação, com goteira no palco e por aí vai. Mas ocupamos e levamos o público. Foi uma experiência mesmo de teatro de guerrilha. Os comerciantes eram os apoiadores. A gente chegava, limpava, refazia as gambiarras seguras, apresentava e ocupava. Não fosse o processo de sucateamento dos aparelhos culturais de São Gonçalo, a Lona poderia ser um espaço muito mais vivo e pulsante”, lembra Reinaldo.

 

O ator Uriel Dames, de 26 anos, reflete sobre sua trajetória como artista que nasceu em São Gonçalo e viveu de perto a oportunidade de oficinas sociais em espaços de cultura. “Meu encontro com o teatro é puro refazimento. Através dele, pude ver as tantas possibilidades que guarda a vida para além das mazelas do lugar onde nasci. Vi o tráfico de perto, passei parte da minha vida na favela, fui aliciado quando tinha 10 anos, mesma época em que o teatro surgiu na minha vida. Hoje, com 26, fico feliz e excitado pelos caminhos que a vida com o teatro me apresenta e ainda vai me apresentar”, reflete Uriel.

 

Sinopse

 

A peça acompanha momentos na vida de Docinho, jovem que, em meio a repressões familiares e sociais, encontra o apoio sutil de um professor de teatro. A trama é inspirada em depoimentos de artistas que transitam por espaços periféricos de cultura e educação.

 

Ficha Técnica:

Texto e direção: Marcela Andrade

Elenco: Reinaldo Dutra e Uriel Dames

Supervisão de dramaturgia: Cecilia Ripoll

Direção musical e trilha sonora: Zé Motta

Direção de arte: Arlete Rua (Cromático Produções Culturais)

Iluminação: Livs

Programação visual: Jaqueline Sampin

Fotografia e registro audiovisual: Thaís Grechi

Criação de conteúdo digital: Aline Sampin e Marcela Andrade

Assessoria de imprensa: Rachel Almeida (Racca Comunicação)

Idealização: Marcela Andrade (Marés Cheias)

Direção de produção: Marina Hodecker

 

Serviço

Espetáculo: Visto

Temporada: de 6 a 29 de março de 2026

Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto/Sala Preta: Rua Visconde de Silva s/nº, ao lado do nº 292 – Humaitá. Acesso somente por escadas.

Telefone: (21) 2535-3846

Dias e horários: sextas e sábados, às 19h, e domingos às 18h.

Ingressos: 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada).

Capacidade: 25 pessoas

Duração: 1h

Classificação etária: 14 anos

Venda de ingressos: pelo site https://bileto.sympla.com.br/event/116310 e na bilheteria do centro cultural, de quarta a domingo das 15h às 21h.

Instagram: @visto.teatro (acompanhe para acompanhar outras ações do projeto)

 

Racca Comunicação

Rachel Almeida

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