[News] Seis Atores em Busca de Sérgio Cardoso celebra 100 anos do ator em temporada no Teatro Sérgio Cardoso

 

Créditos: Adriano Escanhuela


A partir do dia 19 de setembro, sexta-feira, 19h, o Teatro Sérgio Cardoso, espaço da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerido pela Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA), será palco de Seis Atores em Busca de Sérgio Cardoso. A homenagem ao ator paraense acontece no espaço em que antes havia o Teatro Bela Vista, local em que o próprio Sérgio Cardoso (1925-1972) fundou sua companhia de teatro com Nydia Licia. O Teatro Bela vista foi demolido na década de 1970 e, em 1980, foi erguido em seu lugar o Teatro Sérgio Cardoso. A peça, que celebra o centenário de Sérgio, é uma criação da RIMA Coletiva. 

Com direção e dramaturgia de Rita Batata, o elenco é composto por Bárbara Arakaki, Bruno Lourenço, Felipe Ramos, Lilian Regina, Mariana Leme e Rafael Pimenta. A peça propõe uma metáfora provocativa: todos os intérpretes buscam ser Sérgio Cardoso, em um título que tem ressonância com a peça Seis personagens à procura de um autor, de Luigi Pirandello, na qual Sérgio Cardoso teve uma interpretação icônica com o personagem Pai.

A concepção da peça partiu da "impossibilidade" de se reproduzir fielmente a figura de Sérgio Cardoso, dada a escassez de registros audiovisuais da época áurea de sua carreira, nos anos 1950. "Se a gente não consegue porque está muito distante pra gente, talvez o caminho seja justamente se colocar por dentro disso, desses registros que a gente tem dele e rechear com a nossa experiência", explica Rita. Essa perspectiva levou à ideia central de que "todos nós somos Sérgio Cardoso." O nome do espetáculo surgiu rapidamente, influenciado pela obra de Pirandello e pela busca de uma linguagem que transcendesse a biografia literal. "Seis Atores em busca de Sérgio Cardoso já diz que não vamos reproduzir uma pessoa, um mito, mas sim seis pontos de vista sobre essa pessoa, essa história que a gente está dando corpo, voz, movimento, presentificando", reitera a diretora.

O processo de direção e dramaturgia foi concebido como um encontro de artistas. Rita Batata optou por um processo colaborativo, sem um texto fechado desde o início, permitindo que cada integrante se conectasse com o material. O objetivo foi tirar Sérgio de qualquer tipo de pedestal, reconhecendo-o como uma pessoa de teatro e abordando-o em 360°, com toda sua humanidade. “A peça busca uma coralidade, sendo muito física e com a coxia exposta, promovendo a ideia de um corpo coletivo em cena", adianta Rita.

As escolhas narrativas do espetáculo evitam a biografia linear. O foco recai no movimento dele com o teatro, com os personagens e com as produções, criando assim um imaginário do coletivo sobre o Sérgio Cardoso, tendo informações documentais como um ponto de partida para que pudessem olhar com poesia e criatividade. A força narrativa central baseia-se em explorar a ideia do ator como uma multidão. Isso faz com que a peça seja concebida em camadas, em que memória, realidade e alucinação se mesclam, criando uma infusão de alimentos temporais e espaciais. 

Sobre a representação de Sérgio Cardoso em cena, Rita Batata é categórica: "Não teremos um. Só há um Sérgio Cardoso e ele está morto." No entanto, ela explica que "são seis Sérgios Cardosos no palco e são personagens do Sérgio." Os atores, ao interpretarem esses "Sérgios," também trazem sua perspectiva de artistas de 2025. A peça busca uma multiplicidade de Sérgios que evita a caricatura, a linha biográfica literal e progressiva, preferindo mais o encontro dos personagens com a vida dele.

Nesse sentido, a estrutura do espetáculo é alicerçada em três pilares dramáticos, que se manifestam de forma fluida ao longo da narrativa. Um desses pilares é o começo da peça, que traz a figura de Hamlet, representando a própria estreia de Sérgio como ator e o momento que o alçou a um grande intérprete. Nessa cena, um paralelo é traçado entre o fantasma de Hamlet e o fantasma de João Caetano, um ator trágico anterior a Sérgio, que reivindica a ele que assuma o legado trágico. 

A peça também aborda a fusão de Sérgio com seus personagens, e as consequências para sua vida pessoal, como o relato de Nydia sobre a dificuldade de conviver com alguém que "é muitas pessoas, cada hora uma, cada hora uma figura," o que se desdobra no que Rita Batata considera o coração da peça: uma cena em torno de 10 minutos que condensa a trajetória completa do relacionamento entre Sérgio e Nydia, desde o primeiro encontro no TBC, casamento, nascimento da filha, percalços no teatro, fundação do Teatro Bela Vista, até a separação e a amizade, com a filha como o elo que os une. 

A seleção do elenco foi fundamental para a diretora, que o considera a "alma de tudo". Rita buscou "pessoas plurais", com diversas trajetórias, incluindo experiências com dança, corpo e comédia, visando uma peça leve e divertida. Um critério de seleção foi a idade dos artistas, buscando um elenco que não tivesse ultrapassado os 47 anos, a idade da morte de Sérgio, para trazer frescor e evitar um tom nostálgico.


Sinopse curta

Seis atores sobem ao palco com a missão de ser Sérgio Cardoso. Entre realidade e fantasia, a peça constrói um retrato fragmentado do ator que, aos 22 anos, foi consagrado como um dos maiores intérpretes do Brasil. Com referências a Hamlet, João Caetano e à vida pessoal de Sérgio, o espetáculo celebra o centenário de seu nascimento trazendo à cena múltiplas facetas de sua carreira.



Sobre a RIMA 

RIMA Coletiva é uma companhia criada em 2017 por Mariana Leme e Rita Batata, que investiga as possibilidades da cena teatral buscando convergir dramaturgia e encenação em uma linguagem autoral. Contemplada no PROAC Expresso - Prêmio por histórico de cia, realizou sua mais recente peça “Eu Sou Thelma e Ela É Minha Louise” com direção de Mariana e dramaturgia de Rita, que estreou no Sesc Santo Amaro em 2024. São peças de repertório: “Pequenas Certezas” de Bárbara Colio, direção de Fernanda D’Umbra, que reinaugurou o Porão do Centro Cultural São Paulo e "Tubarão Banguela", dramaturgia e direção de Rita Batata. Também a obra de curta-peça-metragem “Voltar Ao Ponto de Partida” exibida online.


Ficha Técnica


Direção e Dramaturgia: Rita Batata


Elenco criador: Bárbara Arakaki, Bruno Lourenço, Felipe Ramos, Lilian Regina, Mariana Leme, Rafael Pimenta


Preparação Corporal e Direção de Movimento: Luaa Gabanini


Direção de Arte e Cenografia: Joyce Roma


Figurino: Joana Porto


Caracterização: Amanda Montovani


Desenho de Luz: Thiago Capella


Trilha Sonora: André Papi


Spoken para artigo do Plínio Marcos: Jo.Zê


Direção de Imagem e Videomapping: André Grynwask e Pri Argoud (Um Cafofo)


Cenotecnia: Evas Carretero


Equipe de Cenografia: Sergio Murilo, Elvis Pereira, Luciano Sampaio


Montagem de palco: Felipe Ramos


Assistência de Figurino: Rogério Romualdo


Equipe de Costura: Eduardo Moreira Macedo, Raquel Feitosa, Salete André


Atriz stand in: Fefê Marques.


Operação de Luz: Letícia Rocha


Montagem de Luz: Flavio Duarte


Operação de Som: Natália Francischini


Operação de Vídeo: André Grynwask e Pri Argoud (Um Cafofo)


Foto: Adriano Escanhuela


Direção de produção: Mariana Leme e Rita Batata - RIMA Coletiva


Produção Executiva: Ana Elisa Mattos


Assistência de Produção: Tori Moraes


Realização: Governo do Estado de SP


Idealização: APAA



Serviço

Seis Atores em Busca de Sérgio Cardoso

Temporada: 19 de setembro a 20 de outubro


Sextas, sábados, domingos e segundas-feiras, 19h

Ingressos pela Sympla 

R$40,00 (inteira) | R$20,00 (meia)


Local: Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno |  Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista – São Paulo/SP

Capacidade: 143 lugares + 6 espaços para cadeirantes

Duração: 60 minutos

Classificação indicativa: 12 anos



Sobre o Teatro Sérgio Cardoso

Localizado no boêmio bairro paulistano do Bixiga, o Teatro Sérgio Cardoso mantém a tradição e a relevância conquistada em mais de 40 anos de atuação na capital paulista. Palco de espetáculos musicais, dança e peças de teatro, o equipamento é um dos últimos grandes teatros de rua da capital, e foi fundamental  nos dois anos de pandemia, quando abriu as portas, a partir de rígidos protocolos de saúde. 

Composto por duas salas de espetáculo, quatro dedicadas a ensaios, além de uma sala de captação e transmissão, o Teatro tem capacidade para abrigar 827 pessoas na sala Nydia Licia, 149 na sala Paschoal Carlos Magno, além de apresentações e aulas de dança no hall do teatro.


Sobre a Amigos da Arte

A Associação Paulista dos Amigos da Arte é uma Organização Social de Cultura que trabalha em parceria com o Governo do Estado de São Paulo desde 2004. Música, literatura, dança, teatro, circo e atividades de artes integradas fazem parte da atuação da Amigos da Arte, que tem como objetivo fomentar a produção cultural por meio de festivais, programas continuados e da gestão de equipamentos culturais públicos. Em seus 20 anos de atuação, a Organização desenvolveu mais de 70 mil ações que impactaram mais de 30 milhões de pessoas.



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