O brasileiro Siao Feerum é indicado a um feito inédito no cinema brasileiro. Ele concorre ao Crystal Pine Award, na categoria trilha sonora de melhor longa-metragem de ficção por "A Lenda de Abraxas". Ele também atua no filme como diretor, roteirista, editor e desenhista de som, fotógrafo (ao lado de Vinicius Reizs e Danilo Apoena) e montador, em parceria com Nuit Feerum, que assina a produção e produção executiva do longa. A produção é da FeerumLab. O Crystal Pine Award é um dos maiores e mais importantes prêmios dedicados à música para cinema do mundo, e é entregue no International Sound and Film Music Festival (ISFMF), na Croácia, que acontece entre 21 e 24 de maio, na cidade Varaždin. O longa nacional concorre ao lado de produções internacionais como "Hamnet: A vida antes de Hamlet" (Max Richter), "Sonhos de Trem" (Bryce Dessner), "Bugonia" (Jerskin Fendrix), "Eddington" (The Haxan Cloak, Daniel Pemberton) e "Marty Supreme" (Daniel Lopatin). O conselho artístico e júri do ISFMF 2026 é um dos mais rigorosos do mundo dentro de sua especialidade, reunindo lendas de Hollywood, como Randy Thom, diretor da Skywalker Sound (LucasFilm) e quatro vezes ganhador do Oscar; Richard King, quatro vezes vencedor do Oscar pelo design de som de "Dunkirk", "Interstellar" e "Batman: O Cavaleiro das Trevas" e Mark Ulano, ganhador do Oscar por "Titanic" e colaborador de Quentin Tarantino. No total, o júri acumula mais de 15 indicações e vitórias ao Oscar. "A Lenda De Abraxas" é um longa-metragem "Grindhouse" de fantasia surreal e horror psicológico, filmado em fotografia anamórfica com grão e estética 16mm heavy e finalização (Blue-tinted Black and White). A obra é ambientada em um manicômio esquecido chamado Abraxas, branco e vazio. Acompanhamos vinte detentos em estados de delírio performático, onde lucidez e insanidade se entrelaçam em caóticas ondas de pensamento. E a trilha sonora exerce papel narrativo central como elemento imersivo que intensifica o cativeiro hipnótico. "A música é uma fusão hipnotizante de orquestrações, sintetizadores e osciladores que operam sob um design acústico retro-futurista e técnicas de Mickey Mousing, e utiliza saturação, tape hiss e modulação de frequência como vetores narrativos. Ruídos e distorções são componentes nativos da masterização final", explica Siao. O filme constrói e reconstrói quadros poéticos a partir de um conceito original de dramaturgia minimalista e performática visceral, criados por Siao Feerum e Nuit Feerum. Cada artista é desafiado a uma experiência imersiva de gravação com apenas um dia de duração, partindo do desenvolvimento de seu próprio personagem. Ninguém se conhece previamente, e não há acesso a um roteiro tradicional. O longa foi rodado na galeria de arte Nonada (SP), e utilizou técnicas de improvisação em takes únicos, no que a FeerumLab chama de "cinema do subconsciente", almejando o ultrarrealismo fantástico. A obra é baseada no princípio máximo do surrealismo: o automatismo psíquico, descrito por André Breton no Manifesto Surrealista, que acaba de completar 100 anos. Exibido em diversos festivais internacionais, "Lenda De Abraxas" foi vencedor de melhor filme experimental, no UK Film Awards (UK); melhor trilha sonora original no AIMAFF (Grécia); melhor longa-metragem, direção e edição, no T.I.F.A / Tietê International Film Awards (Brasil); Melhor filme experimental, no SFAFF (Chile); e melhor filme experimental no Five Continents International Film Festival. Além disso, participou de festivais como o Folkestone Film Festival (Reino Unido), East Village New York Film Festival (EUA), FilmHaus (Alemanha), e LANAFF/Latino & Native American Film Festival (EUA). A trilha sonora do longa pode ser ouvida no YouTube: A Lenda de Abraxas (Soundtrack) Mais informações sobre o filme: feerumlab.com/alendadeabraxas Sinopse Em um manicômio esquecido chamado Abraxas, vinte detentos atravessam nove capítulos de delírios performáticos, conduzidos pela confusa consciência viva do espaço. Entre a fantasia e horror, a fotografia anamórfica Grindhouse e a trilha hipnótica nos aprisionam neste transe, transformando a loucura em um rito. Ficha Técnica Roteiro e Direção: Siao Feerum Produção e Produção Executiva: Nuit Feerum Elenco: Alexandre Silveira, Ana Bastos, Blua Discórdia, Bonna Barlavento, Brício Leão, Carolina Alcântara, Carolina Almeida Suñer, Danilo Apoena, Felupz, Fernando Ventturini, Gabs Pascale, Giovanna Júlia, Garcia, Jô Pereira, Juliana Bazanelli, Patrícia Nardo, Maurício Moraes, Murillo Dom, Murilo Gussi, Rogério Borovik, Seh Mendes Ass. de Direção: Yannick Peters Direção de Arte: Alexandre Silveira & Nuit Feerum Direção de Fotografia: Vinícius Reisz & Siao Feerum Still: Danilo Apoena Figurino e Maquiagem: Alexandre Silveira; Ana Bastos; Blua Discórdia; Bonna Barlavento; Brício Leão; Carolina Alcântara; Carolina Almeida Suñer (Nine); Danilo Apoena; Felupz; Fernando Ventturini; Gabs Pascale; Garcia; Giovanna Júlia; Jô Pereira; Juliana Bazanelli; Mauricio Moraes; Murillo Dom; Murilo Gussi; Patrícia Nardo; Rogério Borovik; Seh Mendes. Montagem: Siao Feerum & Nuit Feerum Trilha Sonora Original / Edição e Design de Som: Siao Feerum Som Direto: Naya Freitas Produção de Set: Jaci Oliveira Arte de Capa: Even Segurança de Set: Leandro Nunes de Oliveira Pós-produção realizada no Feerum Laboratório (São Paulo) Com negativos do acervo histórico de: Emilio Mattos (In Memoriam) Sobre Siao Feerum Cineasta, escritor, encenador, pianista, compositor e artista visual natural do Rio de Janeiro (RJ) e radicado em São Paulo (SP). Membro da Academia Brasileira de Cinema, desenvolveu, como autodidata, diversas técnicas inovadoras de improvisação artística que abrangem abordagens estéticas, modelos de criação e meta-formas narrativas baseadas em estruturas musicais para obras cinematográficas, dramáticas e performáticas. É criador do Cinema do Subconsciente, método que inclui a realização de filmes narrativos sem roteiro e com takes únicos. Como escritor, é adepto da escrita automática, criando um programa de prática guiada voltado à construção de universos narrativos e discursivos originais. Fundador da Escola Imersiva de Cinema, com sede em São Paulo, desenvolveu uma pedagogia radicalmente prática, direcionada à descoberta da identidade artística do aluno e do artista. Aos 22 anos, teve sua primeira experiência empreendedora ao criar uma escola com 50 modalidades de formação técnica na periferia do Rio de Janeiro. Na direção dramática, aplica o que denomina "alta experimentação", desenvolvendo, junto de cada ator ou coletivo, técnicas e métodos originais adequados aos objetivos de cada obra, potencializando ferramentas individuais e aprimorando elementos técnicos específicos. Também atua com consultoria artística estratégica voltada ao desenvolvimento de projetos inovadores, defendendo modelos de produção minimalista associados a experiências de altíssima concentração criativa. Iniciou seus estudos musicais aos três anos de idade, com aulas de piano, violino e percussão. Durante a adolescência, aprofundou-se em composição musical, transitando por dezenas de estilos. Especializou-se em composição e design de trilha sonora e cursou Piano Performance na Faculdade Souza Lima, em São Paulo, tornando-se bolsista do curso Film Scoring da Berklee College of Music. Como diretor, colaborou em dezenas de projetos televisivos no início da carreira. Produziu o espetáculo teatral "Por Falta de Roupa Nova Passei o Ferro na Velha", no qual Bemvindo Sequeira improvisava e alterava a peça a cada apresentação. Também foi realizador da festa performática Rosé Secret, do Sarau dos Artistas, do projeto Fayola (Maria), do videoclipe Pill's e do espetáculo "Não Se Enganem". É parceiro artístico de longa data de Nuit Feerum, com quem se casou posteriormente e realizou uma residência artística em Hollywood, Los Angeles. Na sequência, ambos fundaram o XLIV Studio, atualmente conhecido como FeerumLab. Como pesquisador, compreende que sua expressão artística se aproxima fundamentalmente do movimento surrealista, sobretudo pela forma propositiva com que constrói escaletas que desafiam sentidos e padrões narrativos convencionais. Admirador de Sergei Eisenstein, considera a montagem o elemento central para a compreensão da linguagem universal do cinema. Nas artes visuais, desenvolveu desde cedo habilidades em manipulação, criação, colorização, edição e montagem de imagens a partir de softwares amplamente utilizados pela indústria cinematográfica. Aos 12 anos, iniciou experimentações com câmeras, consolidando uma relação precoce e singular com a cinematografia. Sua pesquisa também abrange temas como teurgia, religião comparada, filosofia da crença, sistemas sociais, textos considerados sagrados, cerimônias, hipnose e semiótica aplicada às diferentes cosmologias. Esse percurso investigativo envolveu a leitura e correlação de mais de 1,2 mil títulos e volumes, dando origem à sua primeira trilogia cinematográfica e literária. |
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