[Eventos] Com mais de 800 profissionais de 20 países LatAm Content Meeting encerra em SP confirmando a próxima edição em 2027
Após três dias intensos de trabalho, com auditórios lotados e centenas de reuniões one-to-one realizadas, o LatAm Content Meeting encerrou a segunda edição nesta quarta-feira, dia 15 de abril, confirmando a edição 2027. O evento, que aconteceu pela primeira vez em São Paulo, reuniu mais 800 participantes entre produtores independentes, distribuidores e executivos de canais brasileiros e estrangeiros, com uma programação intensa de painéis, debates e palestras onde o foco principal foi o mercado de audiovisual de não-ficção na América Latina. Entre os presentes estiveram 80 tomadores de decisão dos principais canais de televisão e streaming do mundo.
“Como imaginamos na primeira edição em SP, foram três dias intensos de muito trabalho. Espero que todos os participantes tenham conseguido aproveitar, fazer contatos, fechar projetos. O LatAm Content Meeting foi criado para ser um espaço de negócios, mas também de amizade, feito para as pessoas do mercado se encontrarem, conversarem, se conectarem e quem sabe trabalharem juntos. Um evento da Indústria, feito para a indústria. E tenham certeza: Ano que vem tem mais”, disse Fernando Dias, presidente da LatAm Content Meeting.
As sessões de pitch foram uma das principais atividades do LatAm Content Meeting, e foram geridas por uma parceria com o Sunny Side of the Doc, maior evento internacional dedicado a documentários lineares e não lineares que acontece anualmente em La Rochelle, França. Os 18 projetos selecionados pelos maiores especialistas do setor foram divididos em três categorias dinâmicas – Natureza e Meio Ambiente, Investigações & True Crime e História. O projeto vencedor foi o documentário Herança, com direção da documentarista e jornalista Ana Aranha que assina a produção com Mariana Genescá, filme que acompanha a jornada da filha de um defensor ambiental morto por denunciar os impactos dos agrotóxicos na sua região
Último dia
A programação do último dia, teve o painel Apenas Uma Coprodução Poderia Contar Esta História, que reuniu produtores de diferentes partes do mundo. O público pode entender como parcerias estratégicas podem transformar projetos, ampliando a força criativa. Moderado por Amanda Groom (The Bridge), os produtores Paula Taborda dos Guaranys (Ginga Stories), Rafa Calil (Duo2) e Takahiro Hamano (GV Tokyo) compartilharam cases de sucesso, que foram realizados por meio de coproduções internacionais. Calil reforçou a importância da realização de coproduções no cenário atual e como ser aberto e saber escutar são cruciais. “Saber ouvir e somar com seus parceiros é fundamental quando se trabalha com coprodução. Como um produtor brasileiro no mercado internacional, é importante também continuar apresentando os projetos porque uma hora vão surgir as pessoas certas que querem apoiar e que confiam no seu projeto”.
Outro destaque foi a mesa Como Continuar Criando Uma Programação Relevante Em Um Mundo Dividido?, que contou com representantes de aquisições de canais públicos e privados para falarem sobre os desafios de criar projetos que engajam a audiência. Nomes como André Saddy, diretor de programação do Canal Brasil, Emma Hindley, editora de commissioning da BBC, e Mariana Seivalos, gerente de canais do Canal Futura, foram alguns dos participantes. A pluralidade de experiência de produtores e diretores e entender como os públicos mais jovens consomem esse tipo de conteúdo são pontos importantes para continuar criando peças documentais.
Saddy comentou sobre o lançamento do projeto DOC Canal Brasil, seguindo o crescimento dos documentários no país. “Os streamings trouxeram uma nova forma de consumir documentários no mundo e eles estão ganhando seu espaço. O documentário passou a ocupar um lugar de acesso e a partir daí surge mais interesse, porém a partir disso vem muitos desafios. Como se produz esse olhar documental em um mundo tão dividido? No Brasil já passamos dessa fase. É algo muito mais teórico, pois também envolve uma questão política.”
Para encerrar a programação de painéis, aconteceu o debate Grandes Coleções e a Preservação Da Memória, mediado por Zico Goes, produtor criativo da Kromaki, e presença de Gabriela Queiroz, diretora técnica da Cinemateca Brasileira, Marco Antonio Coelho, diretor executivo da IMAGin, e Samuel Huh, head de distribuição de conteúdo do Grupo Abril.
A conversa destacou a colaboração entre arquivos, pesquisadores e produtores como essenciais para garantir que imagens históricas continuem a alimentar narrativas contemporâneas, preservar a memória coletiva e inspirar futuras gerações. “Além dos desafios de como manter e não perder esses acervos, temos um desafio cultural. O entendimento do que fazer a mais com aquela memória precisa começar com o roteiro. Hoje é muito visto como um facilitador para salvar a obra, por exemplo, dar mais qualidade visual, mas se isso acontecer a produção audiovisual vai fazer ganhar muito.”, comentou Coelho.
Zico Goes também aproveitou o momento para oficializar que, em uma parceria entre a Kromaki, a produtora Mira Filmes e o acervo Abril, será produzido um documentário sobre a MTV Brasil. A direção do projeto deve ser de Marina Person, que além de produtora e diretora de cinema, foi VJ da extinta emissora.
Primeiro dia
O primeiro dia do LatAm Content Meeting, em São Paulo, consolidou a capital como um centro global de negócios audiovisuais, reunindo profissionais de mais de 20 países para conectar produtoras independentes a gigantes do streaming e da TV. Com forte apoio institucional de órgãos como BNDES e SPCine, o evento destacou que o setor deve ser tratado como uma indústria estratégica, onde os conteúdos funcionam como ativos econômicos vivos, capazes de gerar valor contínuo e projeção internacional para a propriedade intelectual latino-americana.
Durante os painéis, discutiu-se a evolução da publicidade para o entretenimento de impacto, onde as marcas buscam narrativas reais e inesperadas em vez dos formatos tradicionais de 30 segundos. A regulação do streaming também foi pauta central, com especialistas defendendo que o debate inclua plataformas como YouTube e TikTok. Paralelamente, estratégias para atrair o público jovem foram apresentadas, sugerindo o uso de estéticas urbanas, como o hip hop em documentários de natureza, e o uso das redes sociais como termômetro para novas produções.
No cenário internacional, emissoras europeias como BBC, Arte TV e Channel 4 manifestaram interesse em temas históricos e geopolíticos, embora tenham ressaltado a necessidade de fortalecer as visões regionais para conquistar audiências globais. Ao mesmo tempo, o "molho brasileiro" foi celebrado por representantes de canais nacionais, que reafirmaram a importância de valorizar o conhecimento dos produtores locais. O dia encerrou com perspectivas de expansão, detalhando acordos de cooperação já avançados com a França e a Nova Zelândia, além de negociações em curso com potências como China, Índia e Coreia do Sul.
Segundo dia
No segundo dia do LatAm Content Meeting, a programação destacou a ascensão dos formatos verticais, com Alberto Marquez, da consultoria GECA, enfatizando que o conteúdo atual é produzido "para as mãos" e não apenas para as telas. Na Espanha, essa tendência já é realidade para a maioria dos jovens e adultos até 54 anos, abrangendo gêneros que vão do drama ao documentário. Embora setores tradicionais como o esporte ainda enfrentem barreiras burocráticas e contratuais para a adoção plena desse formato, a verticalização é vista como uma evolução natural e necessária para o consumo contemporâneo de mídia.
No campo das narrativas baseadas em fatos reais, o debate focou no equilíbrio entre o rigor documental e a sensibilidade ética. Em produções de True Crime e ficções baseadas em eventos verídicos, como a série "Tremembé" e o filme sobre Amyr Klink, a utilização de arquivos e relatos técnicos deve ir além da ilustração, servindo para revelar camadas humanas e emocionais. Os especialistas reforçaram que o acesso a materiais sensíveis exige uma responsabilidade rigorosa para preservar a imagem das vítimas e evitar a exploração do sofrimento, garantindo que a transição da realidade para a tela mantenha a segurança jurídica e o respeito à memória dos envolvidos.
O evento também abordou o impacto da Inteligência Artificial e o potencial dos reality shows brasileiros no mercado global. Sobre a IA, o consenso entre especialistas é que a tecnologia desafia a linearidade da indústria, mas não substitui o talento e a "alma" artística necessária para a criação. Já no setor de formatos, produtoras e plataformas como Netflix e Globo discutiram a ambição de transformar o Brasil em um exportador de propriedade intelectual. O objetivo é criar programas adaptáveis a diferentes culturas, como o caso de sucesso "Drag Me as a Queen", que priorizam a conexão com o público local através de premissas universais para, então, conquistar audiências internacionais.
LatAm Content Meeting
O LatAm Content Meeting reúne profissionais e empresas do setor de várias partes do mundo com o objetivo de conectar produtoras independentes de conteúdo da América Latina, focadas no segmento de não ficção, com gigantes globais do streaming e da TV (OTTs). Mais do que um encontro, o evento é uma plataforma desenhada para acelerar o mercado, gerando alianças de coprodução e abrindo portas para o conteúdo latino-americano no cenário internacional.
Em 2026, a programação é, mais uma vez, diversa e inclusiva, composta por oportunidades focadas em resultados, com reuniões one-to-one, sessões de pitching, espaços para networking e palestras com importantes players do Brasil e do exterior. O evento mantém a meta de fomentar os negócios que estarão nas telas nos próximos anos.
O Latam Content Meeting 2026 conta com patrocínio da ApexBrasil - Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, Sebrae Nacional, BNDES, Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, da Spcine, Governo do Brasil, e apoio institucional da São Paulo Negócios.



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