[News] 60 minutos para entender a Astrologia: livro questiona o que pensamos saber sobre os signos, destino e astrologia
Em "60 minutos para entender a Astrologia", cientista da religião e astrólogo explica por que signo não é constelação, desconstrói o chamado inferno astral e apresenta a astrologia como uma linguagem para compreender o tempo, não como uma sentença sobre o futuro.
Você sabia que seu signo não corresponde a uma constelação? Que o tão temido inferno astral não existe na astrologia? Ou que a astrologia não precisa ser entendida como uma ferramenta para determinar o destino, mas como uma forma de interpretar os diferentes momentos da vida? Essas são algumas das provocações de “60 minutos para entender a Astrologia”, novo livro de Ricardo Hida, doutor em Ciência da Religião pela PUC-SP, astrólogo e pesquisador das tradições religiosas e esotéricas.
A obra propõe uma revisão de conceitos que se popularizaram nas últimas décadas, muitas vezes distantes da história e dos fundamentos da astrologia. Com linguagem acessível, mas sem abrir mão do rigor conceitual, Hida apresenta os principais elementos desse campo de conhecimento milenar, das origens históricas às diferentes escolas de interpretação, passando pelos planetas, signos, casas astrológicas, aspectos e ciclos celestes.
Uma das primeiras provocações diz respeito à própria definição de signo. Diferentemente do que muitos imaginam, os signos do zodíaco tropical, predominante na astrologia ocidental contemporânea, não são constelações, mas divisões simbólicas de um ciclo anual, estabelecidas a partir dos equinócios e solstícios. Nesse sistema, o zodíaco funciona como uma espécie de calendário, no qual cada signo representa uma etapa do percurso anual aparente do Sol.
Outra crença explicada é a do inferno astral, expressão amplamente difundida para designar os 30 dias anteriores ao aniversário. Embora existam interpretações astrológicas específicas para esse período, não há qualquer fundamento para considerá-lo universal.
“O inferno astral é um excelente exemplo de como a astrologia foi transformada em superstição. Não existe um período do ano em que todas as pessoas estejam condenadas a sofrer simplesmente porque vão fazer aniversário. A astrologia é muito mais complexa e interessante do que essas simplificações. Ademais astrologia não é signologia”, afirma Hida.
O autor também questiona o determinismo frequentemente associado aos horóscopos. Para ele, a contribuição mais interessante da astrologia está na reflexão sobre a qualidade simbólica do tempo. Mais do que perguntar o que vai acontecer, seria importante compreender quando determinados movimentos encontram condições mais favoráveis para se desenvolver.
A analogia escolhida pelo autor é a previsão meteorológica. Assim como o apresentador do tempo informa se há possibilidade de chuva no fim de semana, sem decidir se alguém deve cancelar uma viagem ou levar um guarda-chuva, a astrologia procura oferecer uma leitura simbólica dos ciclos. A decisão permanece com cada indivíduo.
“A astrologia não deveria servir para produzir medo ou retirar das pessoas a responsabilidade pelas próprias escolhas. Seu papel é ajudar a pensar o tempo. Há momentos de expansão, recolhimento, revisão e iniciativa. Conhecer esses ritmos pode nos ajudar a refletir sobre a maneira como conduzimos a vida”, explica.
A obra também explora a diferença entre o tempo cronológico, medido por relógios e calendários, e a ideia de kairós, expressão grega associada ao momento oportuno. Essa distinção permite compreender por que a astrologia, em suas diferentes tradições, atribuiu tanta importância à escolha do momento adequado para determinadas ações.
Ao longo do livro, Hida apresenta ainda as diferenças entre astrologia tradicional e moderna, explica como os planetas adquiriram significados simbólicos e discute a relação histórica entre astrologia, religião, filosofia e práticas divinatórias. O objetivo não é apresentar a astrologia como ciência experimental, mas situá-la historicamente e oferecer instrumentos para que o leitor compreenda seus conceitos, possibilidades interpretativas e limites.
“Não é preciso acreditar em tudo o que se diz sobre astrologia para se interessar por ela. Pelo contrário, conhecer sua história e seus fundamentos é justamente o melhor caminho para questionar afirmações equivocadas. Meu objetivo é ensinar, provocar o debate e combater mitos que empobrecem uma tradição intelectual e simbólica de milhares de anos”, conclui o autor.
Com “60 minutos para entender a Astrologia”, Ricardo Hida convida o leitor a abandonar os clichês sobre signos, compatibilidades amorosas e previsões fatalistas para descobrir uma perspectiva menos supersticiosa e mais reflexiva sobre a relação entre os seres humanos e o tempo.
Serviço
Livro: 60 minutos para entender a Astrologia
Autor: Ricardo Hida
Editora: Ardane
Sobre o autor
Ricardo Hida é doutor e mestre em Ciência da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), astrólogo, escritor e comunicador. Seus estudos se concentram nas relações entre religião, cultura, simbolismo e sociedade. Dedica-se também à divulgação e ao ensino da astrologia, buscando aproximar a tradição astrológica do pensamento crítico e da reflexão contemporânea.

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