[News] MITsp - Mostra Internacional de Teatro de São Paulo apresenta a programação de sua 11ª edição
MITsp - Mostra Internacional de Teatro de São Paulo apresenta a programação de sua 11ª edição
Em 2026, a Mostra acontece de 06 a 15 de março, com espetáculos que abordam questões como violência, vigilância, homofobia, imigração e controle social. Ao longo de dez dias, artistas nacionais e internacionais participam dos quatro principais eixos do festival: Mostra de Espetáculos, MITbr – Plataforma Brasil, Ações Pedagógicas e Olhares Críticos. As vendas de ingressos começam a partir do dia 12 de fevereiro, no site www.mitsp.org
História da Violência, com texto de Édouard Louis, direção de Thomas Ostermeier e produção da Schaubühne, faz a abertura desta edição no Teatro Liberdade - Foto Arno Declair
A MITsp - Mostra Internacional de Teatro de São Paulo lança sua 11ª edição, que este ano acontece entre os dias 06 e 15 de março de 2026, com espetáculos e ações dedicados a temas como violência, controle social, homofobia, vigilância, entre outros. O espetáculo História da Violência, adaptação do livro homônimo do autor francês Édouard Louis, com direção de Thomas Ostermeier e produção da Schaubühne (Berlim), faz a abertura desta edição no Teatro Liberdade (R. São Joaquim, 129 - Liberdade, São Paulo). A programação conta com cinco espetáculos e uma abertura de processo internacionais, uma série de oficinas, mesas de debates e conversas – entre outras atividades reflexivas e formativas – e a diversificação da MITbr – Plataforma Brasil, que, até o lançamento da programação, engloba três espetáculos selecionados via convocatória nacional, seis espetáculos da parceria Conexões Centro-Oeste com o Itaú Cultural, duas aberturas de processos, dois espetáculos convidados e uma virada performativa inédita. A venda de ingressos começa a partir do dia 12 de fevereiro, informações no site da MITsp.
Em 2026, a MITsp tem apresentação do Ministério da Cultura, Laranjinha Itaú e Olhares Instituto Cultural, patrocínio da Vale e copatrocínio do iBT – Instituto Brasileiro de Teatro. A mostra tem parceria institucional do Instituto Goethe e Consulado Geral da Alemanha em São Paulo, do Consulado Geral da França em São Paulo e do Instituto Francês. A realização do evento é da Olhares Instituto Cultural, ECUM Central de Produção, Itaú Cultural, Sesc São Paulo, Sesi SP, Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa da Prefeitura de São Paulo, Funarte e Ministério da Cultura – Governo Federal.
A 11ª edição da Mostra, idealizada e dirigida desde 2014 por Antonio Araujo, diretor artístico, e Guilherme Marques, diretor geral de produção, mergulha na produção contemporânea com temas urgentes de nosso tempo, sem deixar de lado a pesquisa de linguagem e a provocação cênica, questões que atravessam o olhar para a curadoria dos principais eixos do festival: Mostra de Espetáculos, MITbr – Plataforma Brasil, Ações Pedagógicas e Olhares Críticos.
“Este ano, temos um corpo de trabalhos com artistas relevantes da cena internacional e uma mostra brasileira diversificada. Pela primeira vez, um grupo representativo da performance negra e afroindígena no Brasil se apresenta em uma virada performativa e também temos um foco nas artes cênicas brasileiras da região centro-oeste. Além desse recorte, a MITsp traz espetáculos brasileiros de outras regiões, grupos convidados e aberturas de processos nacionais e internacional”, afirma Antonio Araujo.
Ao longo de onze edições, a MITsp já apresentou 189 espetáculos, de 49 países, a um público de mais de 215 mil pessoas. As Ações Pedagógicas e os Olhares Críticos reuniram mais de 300 convidados. Este ano, a Mostra deve gerar cerca de 300 empregos diretos e 1000 indiretos.
Guilherme Marques, responsável por captar recursos e realizar parcerias para que a Mostra aconteça anualmente, lembra: “estudos indicam que a economia da cultura e das indústrias criativas (ECIC) representam um forte impacto na economia nacional”. Para ele, recente pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e divulgada pelo Ministério da Cultura (MinC) comprova o efeito econômico da Lei Rouanet (Lei Federal de Incentivo à Cultura) no ano de 2024: a cada R$ 1,00 investido, R$ 7,59 retornam para a economia e a sociedade. “É fundamental que o setor cultural seja considerado por políticas públicas e de estado. Na MITsp, desde o princípio, temos grandes parcerias que nos permitem, a cada ano, trazer não apenas novidades artísticas, mas também movimentar a economia”, completa Guilherme.
Eixo - Mostra de Espetáculos
Entre a programação de obras internacionais, História da Violência [Im Herzen der Gewalt], adaptação do livro do autor francês Édouard Louis, abre a MITsp deste ano. Com direção de um dos nomes mais conhecidos da cena contemporânea europeia, Thomas Ostermeier, desde 1999 diretor e membro da direção artística da Schaubühne, em Berlim, conhecida casa alemã fundada em 1962, a peça tem quatro atores em cena para refletir, a partir de um episódio de violência sexual, sobre desejo, migração e racismo.
Quem Matou Meu Pai [Qui a Tué Mon Père], outra obra de Louis, também dirigida por Ostermeier, tem o próprio autor em cena, e coloca lado a lado a violência, a ignorância e a fragilidade da figura de seu pai. Ao adoecer, o pai, que sempre foi homofóbico e agressivo, inspira compaixão do filho humilhado durante a infância. “Édouard Louis é hoje um dos nomes mais conhecidos da literatura e o Thomas Ostermeier tem alguns diálogos importantes que vem estabelecendo com alguns autores. As duas obras selecionadas para a MITsp são trabalhos muito fortes, significativos dessa parceria entre os dois. Além do fato de o diretor ser um dos encenadores mais relevantes da cena atual”, coloca Antonio Araujo.
Os dois livros narram histórias a partir das experiências pessoais do autor e as montagens do diretor dialogam com o perfil do teatro que combinam realismo, crítica e experimentação técnica. As peças serão apresentadas pela primeira vez no Brasil durante a MITsp.
O artista congolês Dieudonné Niangouna apresenta o solo Do Lado de Cá [De ce côté], em que atua e dirige. O espetáculo reflete sobre exílio e teatro político, questionando o lugar do artista quando ele deixa para trás sua história pessoal, seu público e seu país. “Um dos dramaturgos mais importantes do continente africano”, nas palavras de Araujo. Apesar de ser o segundo trabalho de Dieudonné apresentado na MITsp, desta vez o artista participa presencialmente do festival: em 2019, por questões políticas, ele não conseguiu vir ao Brasil acompanhar sua peça.
Pela primeira vez, a MITsp apresenta um trabalho do Canadá. A montagem do Théâtre Prospero, dirigida por Philippe Cyr, Vigiada e Punida [Surveillée et Punie] parte das ofensas reais sofridas pela cantora Safia Nolin, que também está em cena, para a criação da obra musical que reflete sobre liberdade de expressão, violência e faz um apelo ao coletivo e à solidariedade. “É um trabalho de impacto tanto do ponto de vista da discussão que ele traz, sobre os linchamentos virtuais, essa violência nas redes sociais, quanto da maneira como ele elabora isso cenicamente, numa mistura muito sofisticada entre teatro e música”, coloca o diretor da MITsp.
Milo Rau, em sua segunda passagem pela MITsp – em 2019 foi o artista em foco da edição, com três trabalhos apresentados –, traz A Carta [La Lettre], produção do Festival de Avignon, com os atores Arne De Tremerie e Olga Mouak. “É um trabalho mais centrado na palavra, no trabalho dos atores, na narrativa que acontece na cena: é bem-humorado, mas, ao mesmo tempo, é uma homenagem ao teatro e ao fazer teatral”, diz Antonio Araujo. No espetáculo, o diretor suíço investiga como trajetórias pessoais e heranças familiares se entrelaçam a conflitos geracionais, à história política e às experiências de amor e perda, articulando humor e reflexão para pensar o teatro como espaço de comunidade e partilha.
Eixo - MITbr — Plataforma Brasil
A primeira edição da MITbr – Plataforma Brasil aconteceu em 2018, com esforço dos diretores Antonio Araujo e Guilherme Marques para criar um projeto de internacionalização e circulação das artes cênicas brasileiras, a partir de uma série de ações pedagógicas e reflexivas, como o Seminário de Internacionalização das Artes Cênicas Brasileiras e workshop de capacitação e produção com artistas e produtores locais, para garantir uma estrutura capaz de levar adiante os artistas brasileiros.
Desde então, além da seleção anual para apresentar trabalhos aos programadores nacionais e internacionais, houve uma preocupação para essa estruturação do mercado, para o domínio das formas de negociação e interlocução com instituições internacionais. “A MITbr - Plataforma Brasil tem sido um meio importante para ampliar a circulação das obras no Brasil e no exterior. O resultado que vemos alguns trabalhos alcançar é parte do projeto de internacionalização das artes cênicas brasileiras que a MITsp vem desenvolvendo desde 2017, quando iniciou os primeiros cursos e discussões sobre a importância da preparação de produtores nacionais para apresentações em Festivais e teatros pelo mundo“, afirma Guilherme Marques.
Até hoje, 74 espetáculos nacionais se apresentaram na MITsp e MITbr e 40 espetáculos circularam, no Brasil e exterior, a partir das apresentações no festival. Ano passado, pela primeira vez, a MITsp fez a curadoria de espetáculos e atividades durante o Festival Off Avignon, dando um passo a mais na sua trajetória.
Em 2026, como ação inédita, a MITbr se expande em cinco frentes: seleção de trabalhos feita por três curadores independentes, o projeto Conexões Centro-Oeste, em parceria com o Itaú Cultural, a PERFORMA12h, realizada em parceria com o iBT – Instituto Brasileiro de Teatro, além de espetáculos convidados e aberturas de processos.
Carmen Luz, Francis Madson e Quito Tembe são os curadores convidados desta edição, cuja seleção de trabalhos feita via convocatória evidencia a diversidade da cena brasileira. Até agora, estão na programação os trabalhos: Epílogo, de chameckilerner (PR); TA | Sobre Ser Grande, do Corpo de Dança do Amazonas (AM), e Para Mariela, do Grupo Sobrevento (SP).
O projeto Conexões Centro-Oeste, com seleção feita por Galiana Brasil e Carlos Gomes, gestores do Itaú Cultural, a partir de inscrições do chamamento da MITbr, reúne trabalhos oriundos do Centro-Oeste brasileiro, e apresenta Atrás das Paredes, com a Cia Plágio (Brasília); Cavucada – A Festa Não Será Amanhã, da Cia Dançurbana (MS); Galhada, em Tempos de Fissura, do Teatro do Instante (Brasília); Dança Boba, do Ateliê do Gesto (GO); Cabeça de Toco, Aqui Tudo É Mato, de Febraro de Oliveira, Marcos Mattos, Marcus Perez e Renata Leoni (MS), da Arado Cultural; e Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco, do Teatro Gueroba(GO).
O PERFORMA12h, realizado durante doze horas no iBT, tem curadoria de Rodrigo Severo, e apresenta cinco trabalhos de artistas de diversos estados, em uma única noite. São eles: Axexê da Negra ou o Descanso das Mulheres que Mereciam Ser Amadas, de Renata Felinto; Cabeça de Cabaças, de Keila-Sankofa; Aparição, Nego Fugido, uma das mais tradicionais expressões da cultura popular baiana; Mandinga Major Ball, de Puma Camillê; e Transcrições Consanguíneas, de Panamby.
Grupos convidados
Este ano, o trabalho Vogue Funk, coreografia de Patfudyda, com produção da Quafá Produções, do Rio de Janeiro, é um dos espetáculos convidados da edição.
Filoctetes em Lemnos, solo de Vinicius Torres Machado, dirigido por Marina Tranjan, revisita o mito grego a partir de sua história pessoal.
Aberturas de processo
Internacional
Três Estações e um Corpo | Trois Saisons et un Corp, com direção da brasileira Marta Perrone Kiss e interpretação do artista e escritor palestino Mohammed Al Qudwa, fará sua abertura de processo durante a MITsp.
Nacional
Do Brasil, a performance-instalação SSOL – Paisagem 03, de Wagner Antônio; e a performance cênico-musical, Jukybox, de Cris Meirelles e Jaya Batista, apresentam a pesquisa que vem sendo desenvolvida pelos artistas.
Atividades paralelas
Ao longo da MITsp, três mostras acontecem na cidade de São Paulo, de forma paralela, com trabalhos e processos artísticos nacionais voltados ao público em geral e a programadores nacionais e internacionais: a Farofa do Processo, Instituto Capobianco e o iBT - Instituto Brasileiro de Teatro. A programação de cada evento poderá ser consultada em suas respectivas redes sociais e sites, com dias e horários disponíveis e abertos ao público.
Eixo - Ações Pedagógicas
No eixo de Ações Pedagógicas, a curadoria de Alexandra G. Dumas, professora e pesquisadora em teatro, traz atividades com artistas da Mostra e outros convidados/as. São oficinas, rodas de conversa e trocas de experiências realizadas de forma gratuita para o público.
Presente desde a primeira edição, a programação reúne aulas com artistas e encenadores de referência internacional, com temas como processo criativo, corpo, fronteira e reinvenção da linguagem. As oficinas ampliam o contato com metodologias e tradições distintas, passando pelo teatro documental do Rimini Protokoll (Stefan Kaegi), pela afrofabulação e arte drag (Thiago Romero), pelas práticas corporais de Pisada do Pulso (Helder Vasconcelos), pelos Jongos do Sudeste e Congados Mineiros (Renato Ihu), além do Teatro Preto de Candomblé, conduzido por Onisajé.
Complementam esse eixo as mesas de debate, que colocam em diálogo culturas cênicas negras, indígenas, populares e brasileiras; questões de acesso nas culturas Def; e diferentes noções de corpo nas experiências performáticas contemporâneas.
Eixo - Olhares Críticos
Olhares Críticos, com curadoria da pesquisadora, transfeminista e escritora Helena Vieira apresenta uma programação com encontros e conversas com convidados de visões plurais e complementares.
Esse propõe espaços de reflexão sobre as obras e os contextos que atravessam a cena contemporânea, reunindo artistas, pesquisadoras e pensadores em entrevistas, mesas e encontros de acompanhamento de processos. Destacam-se as entrevistas e as atividades Pensamento em Processo com artistas da edição.
As mesas abordam questões como memória e reparação (Cena, memória e recontar o irreparável), a permanência do Teatro Experimental do Negro (Teatro Experimental do Negro: memória, transmissão, permanência), as relações entre slam, participação e teatro político (Palavra que age: slam, participação e teatro político no presente), os limites da representação da violência (Dramaturgias do presente: memória, versão e os limites de representar a violência), os modos de narrar no teatro e no cinema fora dos enquadramentos hegemônicos, a percepção de corpos e discussão sobre imagem e presença (Quem conta, como conta: teatro e cinema fora do enquadramento; O corpo na cena e na imagem: entre a visibilidade e a captura; Quando a obra muda o espaço: imagem, presença e intervenção).
Cartografias
Entre as atividades planejadas, haverá o novo número de Cartografias, com ensaios, entrevistas e artigos de pensadores/as, artistas e acadêmicos/as sobre cena teatral. Cartografias é editado pelo jornalista, professor e pesquisador da ECA-USP Ferdinando Martins.
Programação
Eixo - Mostra de Espetáculos
A Carta
[La Lettre]
De Milo Rau
Sesi SP | Dias 07, 08 e 09 de março | 80 min
Sinopse: Brincando com a premissa de que um jovem artista é moldado tanto pelos papéis que interpreta quanto pelo seu histórico familiar, o encenador suíço Milo Rau explora em cena os acontecimentos que, de forma imperceptível, alteram o curso da vida de qualquer um: conflitos geracionais, história política, amor e morte. Bem-humorada, a obra é um manifesto sobre o que o teatro popular pode ser hoje. Da história da heroína francesa Joana d’Arc à peça A Gaivota, do dramaturgo russo Anton Tchekhov, o espetáculo se desdobra em diversos planos, em um constante vaivém entre arte e vida – no qual até mesmo os mortos retornam ao palco com a ajuda de vozes gravadas.
Do Lado de Cá
[De ce côté]
De Dieudonné Niangouna
Sesc Vila Mariana | Dias 13, 14 e 15 de março | 55 min | 14 anos
Sinopse: Neste monólogo íntimo com traços autoficcionais, o dramaturgo congolês Dieudonné Niangouna questiona o teatro, o exílio e o seu lugar como artista entre dois mundos. O narrador, Dido, é um ex-ator que vive recluso em um bar, afastado da família, do país natal e do seu público. Assombrado por memórias e ausências, convive com os fantasmas do passado até o dia em que um diretor oferece um papel para ele em um espetáculo. Num cenário escuro e sóbrio, Dido é levado a encarar demônios, enterrar mortos e, por fim, voltar ao palco com uma visão renovada sobre como um teatro politicamente engajado deve ser.
História da Violência
[Im Herzen der Gewalt]
De Édouard Louis com direção de Thomas Ostermeier | Schaubühne
Teatro Liberdade | Dias 6 (abertura, para convidados), 7 e 8 de março | 120 min
Sinopse: Baseado no romance autobiográfico homônimo de Édouard Louis, o espetáculo, com direção de Thomas Ostermeier, é, ao mesmo tempo, um relato pessoal e uma contundente análise social sobre amadurecimento, desejo e migração. A obra reconstrói a noite em que o jovem Édouard conhece Reda, um homem de origem argelina, e o leva para seu apartamento em Paris. O encontro, inicialmente marcado pela intimidade e pelo afeto, se transforma em uma experiência de extrema violência. A partir do trauma, a peça acompanha o percurso do protagonista entre a polícia, o sistema médico e o refúgio na casa da irmã, no interior do Norte da França, revelando como as reações institucionais e pessoais expõem o racismo, a homofobia e as estruturas obscuras de poder enraizadas na sociedade.
Quem Matou Meu Pai
[Qui a Tué Mon Père]
De Édouard Louis com direção de Thomas Ostermeier | Schaubühne
Sesc Pinheiros | Dias 11, 12 e 13 de março | 90 min
Sinopse: O desgosto com que o escritor francês Édouard Louis olha para o pai – violento, alcoólatra, conservador e responsável por explosões homofóbicas que o traumatizaram – está profundamente enraizado em sua história de vida. No entanto, ao confrontar o pai doente em seu livro homônimo, agora levado à cena e interpretado pelo próprio autor nesta peça dirigida pelo encenador alemão Thomas Ostermeier, essa raiva se desloca e se transforma em compaixão. Partindo do corpo quebrado do pai, Louis propõe uma reescrita contundente da história política e social recente da França. Em cena, ele constrói um manifesto polêmico e rebelde contra o esquecimento, a exclusão e a violência física de uma sociedade atravessada por divisões de classe e, ao mesmo tempo, elabora uma declaração íntima de amor dirigida a alguém que se torna quase impossível amar.
Vigiada e Punida
[Surveillée et Punie]
Safia Nolin e Philippe Cyr | Théâtre Prospero
Sesi SP | Dias 13, 14 e 15 de março | 80 min
Sinopse: Sublimar o ódio: esse é o objetivo da cantora e compositora Safia Nolin e do diretor Philippe Cyr. Juntos, os criadores canadenses transformam milhares de insultos reais dirigidos à artista em matéria-prima para esta obra musical. Questionando que significado damos à liberdade de expressão quando ela irrompe em violência, a intérprete se coloca no centro da cena, encarando um coro que despeja sobre ela ofensas violentas. Irmandade e solidariedade são fundamentais para essa celebração dramática, que também serve como apelo à ação coletiva. Em resposta à punição infligida pelo discurso público, Nolin se arma com seu violão e recupera, finalmente, o espaço do qual foi expulsa.
Eixo MITbr — Plataforma Brasil
Epílogo
chameckilerner (PR)| CCSP | 60 min | 16 anos
Sinopse: Desafiando o fetichismo da juventude eterna e subvertendo o corpo normativo, o espetáculo concebido pelo duo chameckilerner se apoia em um vocabulário físico inspirado em nus icônicos da história da arte. Essas pinturas, fotografias e esculturas ganham vida por meio de performers com idades, habilidades, origens raciais e gêneros diversos, destituindo o “corpo padrão” de seu poder no imaginário visual. Movida por histórias pessoais, pela passagem do tempo e pelas experiências acumuladas inscritas em cada corpo, a obra cria um espaço em que a identidade não é limitada pela idade. Em cena, a presença de corpos que carregam as marcas do tempo em sua pele deixa de ser fonte de temor e passa a ser motivo de fascínio, despertando um complexo jogo de identificação e desejo.
TA | Sobre Ser Grande
Corpo de Dança do Amazonas (AM) | Teatro Sérgio Cardoso | 70 min | Livre
Sinopse: Para os tikuna, povo originário que ocupa uma vasta área do estado de Amazonas, a palavra “TA” significa grande. Eles acreditam que a língua é parte deles, assim como os sons do ambiente fazem parte do idioma que se fala, sejam roncos, chiados e tantas outras sonoridades que conseguem escutar. Os tikuna também definem onde vivem como "TA", um território que abriga, acolhe, alimenta e precisa de cuidados. Com coreografia de Mário Nascimento e trilha sonora original do DJ Marcos Tubarão, o espetáculo, que conta com bailarinos do Corpo de Dança do Amazonas, apresenta a dor e a beleza dos tikunas, e simboliza a conexão entre a dança e a identidade cultural amazônida, homenageando seu povo e a natureza local.
Para Mariela
Grupo Sobrevento (SP) |Espaço Sobrevento | 75 min | livre
Sinopse: O espetáculo celebra os 40 anos do Grupo Sobrevento com uma reflexão sobre os sonhos de uma vida simples e as complexidades da imigração. Baseada em histórias de crianças imigrantes bolivianas que vivem na vizinhança da sede da companhia, no bairro do Belém, zona leste de São Paulo, a peça parte de objetos cotidianos para criar uma narrativa poética. Músicas e sonoridades de diferentes regiões da Bolívia revelam o ambiente do espetáculo e a busca por um mar utópico, que simboliza os sonhos de um futuro mágico e a infância deixada para trás.
Conexões Centro-Oeste
Atrás das Paredes
Cia Plágio de Teatro (Brasília) | Itaú Cultural | 75 min | 16 anos
Sinopse: Em um domingo, uma família se prepara para o almoço. Flora, esposa de Simão, resolve fazer uma surpresa e convida os vizinhos para celebrar um aniversário. Aos poucos, o que estava submerso pelas aparências vai sendo revelado. Com texto do dramaturgo argentino Santiago Serrano, conhecido pelo seu teatro realista, e direção de Sérgio Sartório, o espetáculo da Cia Plágio de Teatro é uma comédia dramática que provoca reflexões sobre a espécie humana por meio de temas como a violência doméstica, a ética na sociedade, a invasão da intimidade e o voyeurismo. Os diálogos, ora profundos, ora carregados de humor, expõem até onde vai – e que diferentes formas podem assumir – a capacidade destruidora do ser humano.
Cabeça de Toco, Aqui Tudo É Mato
Febraro de Oliveira, Marcos Mattos, Marcus Perez e Renata Leoni | Arado Cultural (MS) | Itaú Cultural | 50 min | 16 anos
Sinopse: No limiar entre corpo, matéria e memória, o espetáculo investiga o impacto da ação humana sobre a natureza e os territórios simbólicos do Centro-Oeste. No espetáculo dirigido por Eduardo Fukushima, árvores viram pedaços de madeira, tensionando destruição e renascimento em uma narrativa aberta e poética que, por meio dos movimentos dos intérpretes-criadores, evoca bichos, rios, vegetações e pessoas. A madeira se torna uma protagonista que dança e conta histórias, dialogando com as questões ambientais e culturais do Mato Grosso do Sul, um lugar, ao mesmo tempo, brasileiro e paraguaio. Com referências à obra de Conceição dos Bugres e à música de Tetê Espíndola – duas artistas sul-mato-grossenses –, a reflete sobre novas formas de pensar o corpo da terra.
Cavucada – A Festa Não Será Amanhã
Cia Dançurbana (MS) | iBT| 60 min | 18 anos
Sinopse: A Cia Dançurbana comemora mais de duas décadas de trajetória na pista de dança. Sem divisão entre palco e plateia, artistas e público rememoram juntos coreografias presentes no repertório da companhia, além de se movimentarem embalados por sonoridades festivas de diferentes estilos. O espetáculo-festa, cujo título faz referência a um passo de dança do brega funk, passeia por elementos presentes no hip-hop, no vogue, na dança contemporânea e em coreografias do TikTok. A obra privilegia o encontro, ressaltando seu potencial político e artístico, e valoriza a diversidade e a liberdade de cada intérprete.
Dança Boba
Ateliê do Gesto (GO) | Itaú Cultural | 50 min | Livre
Sinopse: O espetáculo, interpretado pelo duo de bailarinos e coreógrafos Daniel Calvet e João Paulo Gross, se funda na construção de danças a partir de jogos de improviso. As coreografias são desenvolvidas a partir da simplicidade e da criação poética dos intérpretes, cujos gestos se constroem por meio da presença e da fisicalidade de seus corpos. Nessa profusão de imagens e sentidos, a obra transita por memórias, nostalgias, leveza, dramaticidade e ludicidade. Metáforas são criadas sobre uma possível história que a dupla possa querer contar no aqui e no agora.
Galhada, em Tempos de Fissura
Teatro do Instante (Brasília) | Itaú Cultural | 58 min | 14 anos
Sinopse: Neste solo da artista e professora de artes cênicas Alice Stefânia, uma pesquisadora expõe ideias em torno dos desafios planetários vividos hoje pela humanidade em colapso ambiental. Mergulhada em contradições e diálogos proféticos com uma planta, ela sofre as consequências de uma mutação genética, enquanto partilha saberes, canta espantos, sofre colapsos e respira utopias. Nessa mudança, a personagem se transforma em uma mulher galhada, representando um conceito que remete à existência dos reinos vegetal, animal e mineral. Ela percebe galhos brotando de si, como uma espécie de antena orgânica que a transfigura em uma deusa-ciborgue conectada a distintos mundos e tempos, operando como uma encruzilhada de forças.
Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco
Teatro Gueroba (GO) | TUSP | 70 min | 14 anos
Sinopse: Transitando entre o sertão e a cidade, o espetáculo do Teatro Gueroba aborda temas como a resposta das pessoas diante de uma pandemia causada por um vírus fatal e a reatividade da política brasileira polarizada. Relações entre vida e morte e questionamentos sobre a passagem do tempo se articulam numa dramaturgia que explora um Brasil multiforme e celebra a riqueza e o perigo da extinção de biomas como o Cerrado, onde fica a sede do grupo. Tendo como ponto de partida histórias reais e referências como os escritos do antropólogo mineiro Darcy Ribeiro, tragédias gregas como Antígona, de Sófocles, e tradições ancestrais e mitológicas negras e indígenas, a obra transfigura o luto coletivo em memória, corpo e território.
PERFORMA12h
Aparição, Nego Fugido
Nego Fugido (BA) | iBT | 180 min | livre
Sinopse: Esta encenação de reparação história realizada pelo Nego Fugido coloca os negros como protagonistas da conquista da abolição da escravatura. A manifestação popular, nascida na comunidade quilombola baiana de Acupe, narra em aparições a saga de pessoas escravizadas que, em batalha, subjugam o rei de Portugal e exigem do monarca a carta de alforria. As encenações acontecem anualemnte na rua, no mês de julho, em meio a uma série de expressões culturais quilombolas, como o samba de roda, a capoeira e as aparições de Caretas, Mandus e Bombachos, elementos simbólicos fundamentais na identificação de um passado marcado pelo processo de escravidão de populações africanas.
Axexê da Negra ou o Descanso das Mulheres que Mereciam Ser Amadas
Renata Felinto (SP) | iBT| 90 min | 16 anos
Sinopse: Acionando a ideia de axexê – rito de despedida e passagem – como linguagem poética e política, a performance da artista visual Renata Felinto estabelece um diálogo crítico com A Negra, pintura de Tarsila do Amaral, tensionando a tradição de hipervisibilidade e objetificação do corpo negro no Brasil. Entre gesto, tempo e materialidade, a obra elabora luto, reparação e cuidado como formas de restituição simbólica. Ao reivindicar o descanso como direito e urgência ética, a cena cria um campo de travessia que convoca memória e dignidade para mulheres negras historicamente impedidas de serem amadas.
Cabeça de Cabaças
Keila-Sankofa (AM) | iBT | Da Várzea das Artes | 30 min | livre
Sinopse: Nesta performance, a artista manauara Keila-Sankofa manifesta o Cabeça de Cabaças, uma presença visual e sonora que entoa narrativas sensoriais sobre a Amazônia. O paramento, confeccionado com cuias e cabaça, surge como uma aparição que reinscreve o encontro histórico entre as populações negras e indígenas. Ao centrar-se nestes suportes, a artista celebra uma herança compartilhada entre as identidades afrodiaspóricas e originárias. Mais que objetos, esses itens são centrais na pesquisa e vida da artista, transitando entre o uso prático, o rito sagrado e as cosmogonias de criação do mundo. É a imagem viva da multiplicidade amazônica traduzida em matéria e som.
Mandinga Major Ball
Puma Camillê (BA) | iBT| Haus of Basquiat e Capoeira para Todes | 240 min | 16 anos
Sinopse: Este ritual contemporâneo de celebração e denúncia articula sabedorias ancestrais às urgências do presente pela perspectiva LGBTQIAPN+. Inspirada na ballroom, criada por corpos dissidentes negros e latinos em Nova York nos anos 1970 e 1980, a obra afirma o corpo como linguagem política, arquivo vivo e estratégia de sobrevivência. Em diálogo com a capoeira e o vogue, o trabalho, criado e conduzido pela artista interdisciplinar South American Princess Puma Camillê Basquiat, reune categorias performáticas e musicalidades que constroem atravessamentos entre passado, presente e futuro, afirmando a ballroom como patrimônio cultural negro em constante atualização.
Transcrições Consanguíneas
Panamby (MA) | iBT| 120 min | 16 anos
Sinopse: Uma aparição de corpo sonoro. Na obra, Panamby faz uma leitura ao microfone – são textos autorais, histórias silenciadas que latejam – enquanto Filipe Espindola transcreve fragmentos dessa fala em suas costas com uma máquina de tatuar sem tinta. No processo de escarificar, as palavras brotam sanguíneas no tecido vivo e geram um novo texto a partir do exercício da escuta em meio à verborragia e à cacofonia. Simultaneamente, Panamby produz camadas e texturas sonoras a partir da voz, do looping, de objetos sônicos e de áudios de parentes. Como um importante aspecto de presença, o som é fio condutor de toda a ação.
Espetáculos convidados
Vogue Funk
Patfudyda | Quafá Produções (RJ) | CCSP | 70 min | 16 anos
Sinopse: Das vielas para os palcos, das batalhas nas ruas para os holofotes, dos fios emaranhados dos postes ao fio dental das gatas: baile funk e vogue ball se cruzam no espetáculo de dança dirigido por Patfudyda. Originados em contextos geográficos e cronológicos distintos, os movimentos têm em comum a origem periférica e predominantemente preta, além de serem símbolos de resistência cultural, política e social. O trabalho reúne artistas de ambas expressões artísticas e explora a atitude coreográfica dos dois universos: em cena, poses e passos desafiam convenções e elaboram novas relações históricas e culturais.
Filoctetes em Lemnos
Vinicius Torres Machado (SP) | TUSP | 60 min | 16 anos
Sinopse: O solo de Vinicius Torres Machado, dirigido por Marina Tranjan, acompanha Filoctetes: herói, mas não o suficiente para suportar a dor de uma ferida que não cicatriza. Diante de sua carne podre e gritos aterradores, os companheiros de guerra o abandonam no caminho a Troia. Assim, Filoctetes vive sozinho na Ilha de Lemnos por nove anos, tendo de aguentar essa ferida incurável. A partir do mito grego, o artista apresenta a matéria do próprio corpo após a retirada de parte do seu nervo ciático e musculatura posterior, em decorrência do tratamento de um tumor. Sem alguns movimentos da perna direita e uma ferida causada pela radioterapia, que há 20 anos se abre de tempos em tempos, ele se aproxima de Filoctetes para tratar da fragilidade corporal atualizada na forma humana.
Abertura de processo
Internacional
Três Estações e um Corpo | Trois Saisons et un Corp
Mohammed Alqudwa e Martha Kiss Perrone (Brasil-França-Palestina) | iBT | 50 min | 12 anos
Sinopse: Cinco guerras atravessam a vida de Mohammed Alqudwa em Gaza – e a última ainda não terminou. Quando ela irrompe, o jovem palestino tem cinco anos: e, depois, doze, quinze e dezoito anos. O estudante aplicado daquela época é, também, um exímio praticante de karatê e um poeta. Poeta que coloca palavras no indizível de um cotidiano atingido por bombas, de um corredor humanitário que não tem nada de humano, de uma esperança cujas fundações ainda precisam ser reconstruídas. Nesta abertura de processo de seu primeiro espetáculo, com direção da brasileira Martha Kiss Perrone, por meio das palavras e gestos que combinam teatro, dança e karatê, Mohammed questiona os significados de identidade e memória coletiva de uma terra e de um povo que vivem um século de massacres ininterruptos. Seu trabalho explora as tensões entre esperança e confinamento, por meio de uma poesia enraizada na experiência cotidiana dos palestinos.
Nacionais
Jukybox
Cris Meirelles e Jaya Batista (SP) | iBT | 60 min | 12 anos
Sinopse: Nesta performance cênico-musical, uma máquina de música é despertada quando Juky, uma carismática bixa MC, encontra seu público. Assumindo o papel de mestra de cerimônias de um programa popular, ela se apresenta como uma popstar e símbolo de força contra as opressões sociais, mesclando a urgência da poesia falada, referências da cultura mineira e canções românticas. Ao tensionar tradição e diversidade, esta criação em processo devolve ao público a imagem de um Brasil popular mais plural: um país em que a festa, a fé e a cultura também podem constituir territórios de respeito, alegria, afeto e re-existência para as pessoas LGBTQIAPN+.
SSOL – Paisagem 03
Wagner Antônio (SP) | iBT | livre
Sinopse: Parte da série Paisagens Oníricas, do encenador e artista visual Wagner Antônio, esta peça-instalação nasce da história da carochinha narrada em Woyzeck, de Georg Büchner, em diálogo com fragmentos da obra radiofônica Para Dar um Fim no Juízo de Deus, de Antonin Artaud, articulando reflexões sobre sonho, loucura, morte e memória, com base no corpo, no ambiente e na imaginação. O público é convidado a circular livremente pelo espaço da obra, que, em determinado momento, é ativada por uma equipe técnica que inventa um ritual para o Sol enquanto um girassol morre lentamente numa estufa. Assim como nos outros estudos cênicos da série, o trabalho é composto de painéis luminosos, refletores, telas, projetores, legendas, fragmentos de filmes, objetos esculturais, caixas de som, ruídos e falas distorcidas de peças teatrais.
Serviço
MITsp - Mostra Internacional de Teatro de São Paulo - 11ª Edição
06 a 15 de março de 2026
Ingressos a partir de 12 de fevereiro em www.mitsp.org
Programação completa no site www.mitsp.org
Locais:
CCSP – Centro Cultural São Paulo (R. Vergueiro, 1000 - Vergueiro, São Paulo-SP)
Casa do Povo (R. Três Rios, 253 - Bom Retiro, São Paulo-SP)
Espaço Sobrevento (R. Cel. Albino Bairao, 42 - Belenzinho, São Paulo-SP)
iBT – Instituto Brasileiro de Teatro (Av. Brigadeiro Luís Antônio, 277 - Bela Vista, São Paulo-SP)
Itaú Cultural (Av. Paulista, 149 - Bela Vista, São Paulo-SP)
Teatro Paulo Autran - Sesc Pinheiros (R. Paes Leme, 195 - Pinheiros, São Paulo-SP)
Teatro Antunes Filho - Sesc Vila Mariana (R. Pelotas, 141 - Vila Mariana, São Paulo-SP)
Teatro Liberdade (Rua São Joaquim, 129 - Liberdade-SP)
Teatro do Sesi-SP (Av. Paulista, 1313, São Paulo-SP)
Teatro Sérgio Cardoso (R. Rui Barbosa, 153 - Bela Vista, São Paulo - SP)
Tusp - Teatro da Universidade de São Paulo (R. Maria Antônia, 294 - Vila Buarque, São Paulo-SP)
Press Office Canal Aberto Comunicação
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