[News] Curta-metragem com Alice Braga, Vitória Régia imagina um Brasil extremo para debater direitos territoriais, crise climática e democracia

 Curta-metragem com Alice Braga, Vitória Régia imagina um Brasil extremo para debater direitos territoriais, crise climática e democracia



Produção faz parte da campanha “A Resposta Somos Nós”, do movimento indígenae estreia dia 14 de abril

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Curta-metragem com Alice Braga, Ywyzar Tentehar e Ayra Kopém faz parte da campanha “A Resposta Somos Nós”


Em um contexto global marcado por guerras e conflitos movidos pela disputa dos recursos naturais da Terra, debater a soberania popular e a proteção territorial nunca foi tão importante, e é essa a proposta do curta-metragem Vitória Régia. Idealizado pelo coletivo Zero, protagonizado por Alice Braga, escrito por Carol Pires e dirigido por Cisma, o filme integra a campanha “A Resposta Somos Nós”, do movimento indígena brasileiro, e estreia no dia 14 de abril no Youtube e em uma sessão especial em São Paulo.

O elenco reúne, ainda, nomes de peso como Caio Horowicz, Marina Person, Marat Descartes, Hodari e as lideranças e artistas indígenas Ywyzar Tentehar e Ayra Kopém. A obra marca uma união histórica entre o audiovisual brasileiro e o movimento indígena (COIAB, APIB e G9).

Ambientado em uma realidade paralela, onde um candidato derrotado nas urnas consegue dar um golpe de Estado no Brasil com apoio dos Estados Unidos, a Amazônia é entregue aos interesses norte-americanos e rebatizada de "Amazon of America".

Nesse cenário sombrio, nasce uma resistência formada por povos indígenas e comunidades quilombolas — herdeiros de uma luta ancestral que sempre batalhou contra o fim do mundo — para defender o território e o futuro.

Em meio ao caos, uma jornalista (Alice Braga) se aventura profundamente no território, determinada a contar essa história para o mundo.

Mais do que uma obra de ficção, Vitória Régia é um manifesto político, no qual o movimento indígena brasileiro assume o protagonismo na linha de frente das batalhas climáticas globais. 

Pedro Inoue, diretor criativo e produtor executivo do curta, enaltece o papel de destaque dado aos indígenas para a concepção da história: “Eles são os verdadeiros super-heróis do nosso tempo: falam com árvores, montanhas e rios. Alguém da gente sabe fazer isso? Se tem alguém que precisa da nossa atenção, apoio e respeito, são eles que estão na primeira linha da batalha para salvar as florestas, os rios, e o futuro. E fazem isso há mais de 500 anos: Se tem alguém que sabe sobre o fim do mundo, são eles”.

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Alice Braga em cena do curta “Vitória Régia”

Para Alice Braga, fazer parte da obra foi mais do que uma decisão profissional, mas uma parceria inevitável movida por seus ideais. 

“O desejo de usar a ficção para ampliar uma escuta que já existe, e ajudar essas vozes a chegarem mais longe. Os povos indígenas, enquanto guardiões da floresta, são também os guardiões do futuro. Então fazer esse filme foi colocar meu trabalho a serviço de algo que eu acredito e me mobiliza profundamente”, conclui. 

Toya Manchineri, coordenador-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), ressalta que a ambientação é uma peça central da história. 

“No filme, a Amazônia não é pano de fundo – é território vivo, em disputa, onde democracia, soberania e futuro climático se tornam inseparáveis. A partir disso, o filme coloca uma pergunta central: quem decide o destino de territórios estratégicos – e a serviço de quais interesses? E quais são as consequências dessas decisões no longo prazo?”, questiona.

Dinamam Tuxá, coordenador-executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), conta que o filme explicita tensões vividas pelos povos indígenas que já existem na realidade e que condensam projetos opostos de país. 

 

“De um lado, a lógica da exploração predatória, acelerada e orientada pelo lucro imediato. Do outro, a defesa de ecossistemas que regulam o clima e sustentam a vida. O que está em disputa não é apenas território. É poder, é soberania e é o lugar do Brasil no mundo. É um filme sobre escolhas”, ressalta. “Um lembrete de que democracias não são garantias permanentes – e de que territórios não são mercadorias”.

 

Dinamam enfatiza que o curta nasceu com o objetivo de dar visibilidade às pautas territoriais, sociais e climáticas que os povos indígenas têm defendido continuamente ao longo do tempo. 

“É nesse contexto que, no Acampamento Terra Livre (ATL) deste ano, afirmamos: ‘nosso futuro não está à venda’. Porque nossos territórios, nossos corpos e a natureza, da qual fazemos parte, não podem ser comprados.”

 

SINOPSE

Vitória Régia acompanha uma jornalista investigativa (Alice Braga) que tenta revelar ao mundo um Brasil que resiste há mais de 500 anos de exploração predatória.

Na história, após as eleições de 2022, o país sofre um golpe de Estado e passa a viver sob um regime autoritário. Em acordos internacionais, a Amazônia é entregue ao governo dos Estados Unidos e rebatizada “Amazon of America”, tornando-se uma nova fronteira de exploração de petróleo e mais desmatamento.

Enquanto parte da sociedade normaliza esse cenário, uma liderança indígena emerge como símbolo de resistência, reafirmando a capacidade histórica dos povos indígenas de enfrentar sucessivas ameaças e seguir defendendo seus territórios e o futuro.

 

ELENCO

Alice Braga

Ywyzar Tentehar

Marina Person

Ayra Kopém

Caio Horowicz

Marat Descartes

Hodari

 

FICHA TÉCNICA

Apresentação: Coiab, Apib e G9

Produtora: Vetor Zero

Produção Executiva: Francisco Puech, Fernando Alcantara e Diego Dossa

Direção: Cisma

Direção Criativa e Produção Executiva: Pedro Inoue

Roteiro: Carol Pires e Fábio Leal

Direção de Fotografia: Will Etchebehere

Direção de Arte: Taísa Malouf

Consultoria Indígena: Alana Manchineri, Dinamam Tuxá

Articulação: Tica Minami, Marcel Taminato, Carol Marçal, Camila Fudissaku

Edição: Ricardo Farias, Rodrigo Menecucci

Trilha Sonora: Daniel Ganjaman, Tropkillaz

Pós-Produção de Som: Pedro Magrão Cortez

 

ALICE BRAGA

Alice Braga é uma atriz brasileira de projeção internacional. Sua estreia no cinema foi no curta-metragem Trampolim (1998), mas foi com o papel de Angélica em Cidade de Deus (2002) que ganhou reconhecimento internacional. Seguiram-se filmes como Cidade Baixa (2005), Eu Sou a Lenda (2007), Elysium (2013) e O Esquadrão Suicida (2021). Na televisão, foi protagonista da série Rainha do Sul (2016–2021). Recentemente, estrelou a série de ficção científica Dark Matter (2024).

 

YWYZAR TENTEHAR

Ywyzar Tentehar é atriz, natural do Maranhão e que vive atualmente no Rio de Janeiro. Sempre esteve em contato com as artes através de sua família e, para aprimorar seus conhecimentos práticos, fez o curso de Artes Visuais na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (RJ). Participou da Residência Germinadora, laboratório de criação voltado para jovens estudantes.

Sua primeira experiência no audiovisual foi atuando na série IndependênciaS (2022, TV Cultura), do renomado diretor Luiz Fernando Carvalho, em que interpretou a personagem Cyara. 

Fez a novela Vale Tudo (2025, Globo), e, no streaming, a série Guerreiros do Sol (Globoplay) e será a protagonista Gaia na série Tarã (Disney+), com direção de Marco Dutra e Juliana Rojas.

 

AYRA KOPÉM 

Ayra Kopém, 26 anos, indígena Dofurêm Guaianá, é uma multiartista que transita entre diferentes linguagens criativas como atriz, cantora, compositora, modelo, comunicadora e cineasta. Natural de São Paulo, constrói sua trajetória artística aliada ao ativismo pelos direitos indígenas e à valorização das culturas originárias.

Em seu trabalho, Ayra investiga e expressa temas ligados à ancestralidade, espiritualidade e identidade, articulando também reflexões sobre beleza, bem-estar e autoestima indígena como ferramentas de afirmação cultural e de ruptura com estereótipos historicamente impostos aos povos originários. Sua produção propõe novas narrativas e amplia a presença indígena nos espaços contemporâneos da arte, da comunicação e da cultura.

 

CAIO HOROWICZ

Caio Horowicz é ator formado em Artes Cênicas com habilitação em Direção Teatral pela ECA/USP e pela Escola de Arte Dramática (EAD), com atuação no cinema, TV e teatro. Em 2022, figurou a lista da Forbes Under 30 como um dos destaques das Artes Dramáticas, 

No cinema, atuou no filme vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional Ainda Estou Aqui e protagonizou os longas-metragens  (Dir. Rafael Conde) e A Batalha da Rua Maria Antônia (Dir. Vera Egito).

Na TV, estreou sua trajetória com a série Família Imperial (Dir. Cao Hamburguer, TV Futura), passando por Que Monstro Te Mordeu? (Dir. Cao Hamburguer e Teo Popovic, TV Cultura) e Hebe (Dir. Maurício Farias, Globo). Nos streamings, protagonizou a série Boca a Boca (Dir. Esmir Filho, Netflix) e Lov3 (Dir. Felipe Braga, Prime Video).

 

DENIS KAMIOKA (CISMA) | Diretor

O diretor brasileiro Denis Kamioka, também conhecido como Cisma, começou sua carreira como motion designer e animador 3D na Lobo, no Brasil. Posteriormente, foi convidado pela Diesel, a marca de jeans, para integrar sua equipe criativa na Itália. Desde então, foi indicado ao Grammy Latino© e ganhou prêmios em festivais de publicidade como Cannes Lions, Clio, D&AD e One Show Interactive. Ele dirigiu documentários para ESPN, Canal Combate e videoclipes para artistas como Criolo, Milton Nascimento, Racionais MCs, Tropkillaz e Nação Zumbi. Atualmente, dirige séries de TV, incluindo a 4ª temporada de Sintonia, que alcançou o primeiro lugar no ranking global de séries não faladas em inglês da Netflix.

 

PEDRO INOUE | Diretor criativo e produtor executivo

Pedro Inoue é designer gráfico e artista autodidata, nascido no Brasil. Trabalhou com David Bowie, Ryuichi Sakamoto, William Gibson, Kalaf Epalanga, Mano Brown e Caetano Veloso. Desde 2010, faz parte da revista Adbusters como diretor criativo, participando da criação do meme e pôster #occupywallstreet, que ajudou a impulsionar o movimento #OCCUPY. Foi indicado ao Grammy Latino® em 2019.

 

CAROL PIRES | Roteirista

Carol Pires possui mestrado em Estudos Latino-Americanos pela Universidade de Columbia e é colaboradora na seção de opinião do The New York Times en Español. Seus textos podem ser encontrados em revistas como Piauí (Brasil), Etiqueta Negra (Peru), Gatopardo (México), El Malpensante (Colômbia) e Internazionale (Itália). Ela é corroteirista do documentário The Edge of Democracy, indicado ao Oscar© de Melhor Documentário em 2020.

 

ZERO | Idealizador

Zero é um grupo independente de comunicadores e ativistas dedicado a fortalecer o movimento socioambiental no Brasil. Seu trabalho é focado em comunicação estratégica, produção de conteúdo criativo, atuação política e mídia. Já colaboraram com APIB, COIAB, MST, MABE, Observatório do Clima, ClimaInfo, Greenpeace, Massive Attack, Cavalera, Festival de Glastonbury, revista Adbusters, Caetano Veloso, Midia Ninja e In Place of War (Reino Unido).

 

VETOR ZERO | Produtora

Uma produtora apaixonada por imagens em movimento e por todas suas formas de criação: animação 2D e 3D, stop motionlive action, VR, AR, e muito mais. Somos um time versátil de artistas, desenvolvedores e diretores capazes de, a partir de nossos escritórios em São Paulo e Nova York, cuidar de todos os aspectos de um filme, da pré à pós-produção, passando por direção de arte, cinematografia, filmagem, design de personagens, animação e efeitos especiais.

 

COIAB

Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) é uma organização indígena brasileira composta por 75 organizações associadas de todos os nove estados da Amazônia brasileira: Amazonas, Acre, Amapá, Mato Grosso, Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. A organização representa cerca de 860 mil indígenas de 180 povos indígenas diferentes, em aproximadamente 110 milhões de hectares de território amazônico. A coordenação desenvolve ações locais relacionadas a temas como direitos básicos de terra, saúde, educação e interculturalidade.

 

APIB

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) é o movimento nacional para defesa dos direitos dos povos indígenas no Brasil. Ela surgiu como uma resposta à necessidade urgente de unir e fortalecer as diversas organizações indígenas regionais em uma única frente. A organização representa 305 povos indígenas, falantes de mais de 274 línguas e 114 povos isolados e de recente contato, habitando 1.298 terras indígenas. Desde sua criação, a Apib tem desempenhado papel fundamental na promoção da união entre os povos indígenas, e na defesa de direitos e territórios.

 

G9

G9 da Amazônia Indígena é uma articulação das organizações de nove países da Bacia Amazônica: Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. O grupo reivindica o reconhecimento dos povos indígenas como verdadeiras autoridades nas discussões de temas globais relacionados ao clima e à biodiversidade. As nove organizações indígenas da Bacia Amazônica representam mais de 511 povos indígenas e centenas de organizações de base em todo o território amazônico.


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