[News] Funarte e Grafias da Cena divulgam equipes selecionadas para Quadrienal de Praga de 2027

 Funarte e Grafias da Cena divulgam equipes selecionadas para Quadrienal de Praga de 2027

 Propostas selecionadas para a PQ 2027 investigam ausências, silêncios e territorialidades, levando à mostra internacional perspectivas plurais da cenografia produzida no Brasil.

Funarte e Grafias da Cena anunciam as equipes que irão conceber as exposições brasileiras na 16ª Quadrienal de Praga, um dos principais eventos mundiais dedicados ao desenho da cena.


A Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), em parceria com a Grafias da Cena Brasil apresenta o resultado final do Chamamento Público para a seleção das duas equipes curatoriais responsáveis pelas exposições brasileiras na 16ª Quadrienal de Praga de Desenho da Cena e da Performance (PQ 2027). Realizada a cada quatro anos, a próxima Quadrienal acontece entre 8 e 17 de junho de 2027, e é reconhecida como uma das principais plataformas de reflexão, inovação e intercâmbio nas artes da cena, reunindo  artistas, profissionais criativos, pesquisadores e curadores de todo o mundo. 

Cenografias do avesso: corpos, territórios e pedagogias do silêncio é a proposta selecionada para a Mostra dos Estudantes da Quadrienal de Praga 2027, desenvolvida por Cleiton Almeida, Mayara Assis, Mery Horta e Yasmin Coelho.

Já Aqui Embaixo Passa o Rio foi escolhida para a Mostra de Países e Regiões. A equipe é formada por Andreia Duarte (concepção artística), Gabrielle Windmüller (direção de arte, cenografia e figurino), Gilmar Kaminski (produção), Lucri Reggiani (iluminação) e Maíra Lour (dramaturgia, atuação e criação cênica).

Ao todo, foram recebidas doze propostas, com participação de equipes de todas as regiões do país. Os projetos selecionados refletem diversidade regional, de gênero e racial, alinhando-se às diretrizes de democratização da política cultural.

A partir dessa escolha, cada equipe deve desenvolver as exposições brasileiras na Mostra dos Países e Regiões e na Mostra dos Estudantes, dois dos principais eixos da PQ. As propostas foram escolhidas por uma comissão especializada, com base em critérios como consistência curatorial, clareza conceitual, diversidade e diálogo com o tema da edição: “Ausências e Silêncios, espaços de potencial para futuros cenográficos”.

Cada equipe será responsável pela concepção e realização de uma exposição inédita, incluindo expografia, produção, logística internacional e ações de acessibilidade e sustentabilidade.

Com o resultado, inicia-se a etapa de desenvolvimento dos projetos que representarão o Brasil na PQ 2027, um dos mais importantes eventos internacionais dedicados às artes da cena. O Brasil mantém uma trajetória de destaque na Quadrienal de Praga, com premiações relevantes, como a Triga de Ouro (1995 e 2011) e o prêmio de Melhor Trabalho em Equipe na edição de 2023.

Propostas

Para a Mostra de Estudantes, a iniciativa investiga as artes da cena a partir de uma inversão de perspectiva: deslocar o olhar daquilo que historicamente foi centralizado para aquilo que permaneceu à margem: os silêncios, as ausências e os saberes não legitimados como linguagem cenográfica. A partir do contexto brasileiro, a curadoria destaca práticas de organização do espaço cênico que emergem de territórios frequentemente marginalizados:  festas populares, rituais, ruas e terreiros. Nesses espaços, corpo, objeto, som e ambiente se organizam e geram experiências performativas. A proposta se ancora na noção de corpo como arquivo, em diálogo com o pensamento de Leda Maria Martins, para compreender o adereço como um campo expandido da cenografia: não um elemento decorativo, mas uma extensão do corpo, uma prótese sensível que produz espacialidades e ativa relações entre memória, materialidade e território.

A ideia expográfica para a Mostra de Países e Regiões parte de um olhar sobre a terra, o solo brasileiro como espaço ancestral, sagrado e de conexão entre corpo, casa e território. Também se inspira no Teatro Oficina, concebido por Lina Bo Bardi e Zé Celso, um espaço vivo, marcado por resistência política, conflitos urbanos e produção artística. Para compor o projeto, há um diálogo com o pensamento de Ailton Krenak e busca dar visibilidade a histórias e culturas apagadas. 

A curadoria também deve incorporar a cena teatral brasileira ao incluir processos criativos e valorizar profissionais técnicos. “A participação na mostra internacional reforça a relevância da produção brasileira, destacando trajetórias marcadas pela resistência e pela permanência de saberes e culturas muitas vezes silenciados”, dizem os curadores.

As duas equipes devem abrir chamamentos para artistas e coletivos de diferentes regiões do Brasil para compor suas mostras. 

Informações para imprensa:
Canal Aberto Assessoria de Imprensa

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