[News]Frankenstein ganha leitura contemporânea no CCBB Rio pelas mãos de Camila Bauer

Frankenstein ganha leitura contemporânea no CCBB Rio pelas mãos de Camila Bauer
Espetáculo do Coletivo Gompa, inspirado no clássico de Mary Shelley, cruza teatro, dança, artes visuais e música para discutir identidade, colonialismo e dominação
E se a criatura de Frankenstein fosse uma mulher que se recusasse a corresponder aos desejos de seu criador? É a partir dessa inversão que o Coletivo Gompa constrói sua versão de Frankenstein, espetáculo dirigido por Camila Bauer, vencedora do Prêmio Shell de Melhor Direção em 2025 por Instinto. A montagem chega ao CCBB Rio para uma temporada de 14 de outubro a 15 de novembro, dentro da ocupação Gompa no CCBB Rio — Frankenstein para Todas as Idades.
Foto: Vilmar Carvalho
Inspirado no clássico de ficção científica de Mary Shelley, o espetáculo reconta a história da criatura criada pelo cientista Victor Frankenstein. Porém, a montagem vai além, parte da ideia de um ser formado por partes de outros seres para construir uma metáfora da diversidade que caracteriza a sociedade brasileira - um corpo feito de muitos corpos, marcado por processos de colonização, apagamento e disputa de identidades.
No palco, essa reflexão ganha forma nos corpos dos bailarinos Fabiane Severo e Alexsander Vidaleti, protagonistas de uma encenação que combina teatro, dança, artes visuais e trilha sonora original. A criatura é uma mulher que não consegue — e tampouco deseja — adaptar-se aos desejos do homem que a criou. É nesse confronto que o espetáculo abre espaço para uma perspectiva decolonial e para questões relacionadas à dominação cultural, de gênero e de pensamento.
“Eu sempre gostei muito desta obra, de como ela revela nossa incompletude, nossa dificuldade de lidar com as perdas e nosso desejo de driblar a morte”, explica Camila Bauer. Para a diretora, a escolha de Frankenstein também permite perguntar quem somos diante da mistura de histórias, culturas e corpos que formam a humanidade. “Quem somos nós, em meio a esta colcha de retalhos que é a própria humanidade? E como decolonizamos nosso pensamento?”, questiona.
A montagem integra a trajetória de pesquisa do Coletivo Gompa, grupo fundado em Porto Alegre em 2014 e dedicado ao cruzamento entre teatro, dança, música, artes visuais e audiovisual. Em pouco mais de uma década, o coletivo criou 12 espetáculos, entre eles As Aventuras do Pequeno Príncipe, Margem Oculta, Olga, Derrota, Amazônia, Instinto e Meretrizes.
À frente da encenação, Camila Bauer reúne uma trajetória que passa pela direção teatral e pela dramaturgia. Professora de dramaturgia do Departamento de Arte Dramática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a diretora também assina trabalhos como A Menina dos Olhos d’Água e Meretrizes.
>> Programação - Oficinas gratuitas
HISTÓRIAS DE ARREPIAR: QUEM ESCREVE SEUS MEDOS ESPANTA
Oficina com Pedro Bertoldi, 20 vagas.
31/10, sábado, das 15h às 17h
Local: Teatro II
Público-alvo: adolescentes de 12 a 16 anos
Inscrições: bb.com.br/cultura
O que faz uma história dar medo? É o monstro que aparece ou aquilo que a gente imagina que está escondido? E se os seus medos pudessem virar personagens, cenas e histórias? Nessa oficina de escrita criativa, adolescentes de 12 a 16 anos são convidados a explorar o universo do terror por meio da imaginação, da escrita, da dramaturgia e das artes visuais. A partir de jogos e exercícios de criação, os participantes vão inventar criaturas, construir personagens e universos, experimentar atmosferas de suspense e descobrir como transformar medos — reais ou imaginários — em histórias de arrepiar. Serão investigados os ingredientes de uma boa história de terror para descobrir como criar suspense, tensão, surpresa e personagens que sejam capazes de nos levar para dentro dessas histórias.
ERA UMA VEZ… CRIAÇÕES ASSOMBRADAS PARA CRIANÇAS
Oficina com Pedro Bertoldi, 20 vagas.
1º/11, domingo, das 15h às 17h.
Local: Teatro II
Público-alvo: crianças de 8 a 11 anos
Inscrições: bb.com.br/cultura
Como tirar do papel um monstrinho e transformá-lo em uma história só dele? A oficina de criação de histórias é direcionada a crianças de 8 a 11 anos, que serão convidadas a entrar em um universo de criaturas estranhas, divertidas e um pouquinho assustadoras. A partir da criação de monstrinhos nas artes visuais, os pequenos vão ser convidados a imaginar quem são esses seres, onde vivem, do que têm medo, o que desejam e quais aventuras podem viver. Entre desenhos, colagens, personagens, jogos teatrais e criação de histórias, a oficina propõe um encontro entre artes integradas, criação de histórias e literatura, estimulando a imaginação e fantasia na superação dos medos da infância.
DRAMATURGIA DA MÁSCARA
Oficina com Liane Venturella, 30 vagas.
21, 22 e 23/10 — quarta, quinta e sexta-feira — das 15h30 às 18h.
Local: Teatro II
Público-alvo: atores, bailarinos e demais artistas da cena, estudantes com ou sem experiência prévia no uso de máscaras.
Inscrições: bb.com.br/cultura
Atriz e diretora de premiados trabalhos de teatro de máscaras, Liane Venturella conduz uma oficina dedicada à dramaturgia que nasce do corpo, da escuta e da percepção. Sem o recurso da palavra, a máscara convida a aguçar os sentidos e perceber aquilo que nem sempre é possível ver e dizer. O corpo passa a escutar, pensar e narrar: um olhar, uma pausa ou um pequeno gesto podem revelar uma história inteira. Paradoxalmente, ao esconder o rosto, a máscara permite que sentimentos, desejos e impulsos ocultos venham à superfície. Ao longo de três encontros, os participantes experimentarão princípios do jogo com máscaras expressivas, trabalhando presença, precisão, economia de movimentos, relação com o espaço e construção de pequenas dramaturgias sem palavras. Cada participante será convidado a descobrir uma figura e, por meio dela, criar sua própria narrativa. Serão utilizadas máscaras expressivas adquiridas junto à Trestle Theatre Company, da Inglaterra. Não é necessária experiência anterior com máscaras.
APARIÇÕES
Intervenção cênica no CCBB
23/10, sexta-feira, às 18h.
Gratuito e sem necessidade de retirada de ingressos.
Às 18h, as criaturas começam a aparecer em diferentes pontos do CCBB. Figuras mascaradas atravessam corredores, ocupam passagens, observam, escondem-se e aproximam-se do público, transformando o espaço cotidiano em território do estranho e do inesperado. Criada a partir da oficina Dramaturgia da Máscara e em diálogo com o universo de Frankenstein, a intervenção sem palavras investiga o que permanece oculto e o que vem à tona.
OFICINA DE DRAMATURGIAS DO CORPO PARA ATORES E BAILARINOS
Oficina com Letícia Paranhos, 20 vagas.
28 e 29/10, quarta e quinta-feira, das 18h às 21h.
Local: Teatro II
Público-alvo: atores, bailarinos e demais artistas da cena, estudantes com ou sem experiência prévia em dança
Inscrições: bb.com.br/cultura
A proposta é investigar o estranho não como algo a ser corrigido, mas como potência de criação. Um convite para sair do corpo habitual, desconstruir referências e descobrir movimentos que talvez ainda não tenham nome. Não é preciso ter um corpo “ideal” ou uma experiência específica em dança. É preciso apenas disponibilidade para experimentar, imaginar e deixar o corpo e assumir novas formas
DANÇAS URBANAS PARA CRIANÇAS
Oficina com Thiago Ruffoni, 20 vagas.
07/11, das 15h às 17h, sábado.
Local: Teatro II
Público-alvo crianças a partir dos 7 anos
Inscrições: bb.com.br/cultura
A partir das danças urbanas, a oficina convida as crianças a brincar com um corpo que pode se desmontar e se reconstruir de muitos jeitos. Braços, pernas, cabeça e tronco ganham movimentos próprios, criando corpos estranhos, divertidos e inesperados. Em duas horas de experimentação, ritmo e imaginação, cada criança poderá inventar novos modos de mover, combinar e transformar o próprio corpo.
OFICINA DE DRAMATURGIAS HÍBRIDAS
Oficina com Camila Bauer, 30 vagas.
12/11, quinta-feira, das 14h às 17h
Local: Teatro II
Público-alvo: artistas da cena, escritores estudantes e pessoas interessadas em escrita.
Um texto precisa escolher o que quer ser? Nesta oficina, a escrita teatral vira território de mistura e experimentação. A partir de exercícios práticos, os participantes criarão fragmentos que atravessam teatro, poesia, narrativa e outras formas de escrita, desmontando fronteiras e experimentando diferentes maneiras de construir dramaturgia.
>> Camila Bauer
Camila Bauer é diretora teatral e professora de dramaturgia do Departamento de Arte Dramática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Doutora pela Universidade de Sevilha e pela Universidade Livre de Bruxelas com estâncias na Espanha, França e Bélgica. Desenvolveu diferentes projetos de direção cênica, os mais recentes sendo A Menina os Olhos d´Água (2025), que retrata as enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul e já foi exibido na Alemanha, e Meretrizes (2023), espetáculo de teatro documental que pesquisou a prostituição em Porto Alegre — ambos produzidos pelo Coletivo Gompa.
Camila já recebeu uma série de indicações e troféus em premiações de teatro, como o Prêmio Shell de melhor direção por Instinto e os troféus Tibicuera de direção e espetáculo por Chapeuzinho Vermelho, prêmio Braskem em Cena de direção por Estremeço e de espetáculo pela ópera Dido e Enéias. Também já ministrou oficinas de dramaturgia na Espanha, México e diversas cidades do Brasil.
>> Coletivo Gompa
Fundado em Porto Alegre em 2014, o Coletivo Gompa é formado por artistas que desenvolvem projetos de experimentação em dramaturgia e linguagem cênica, pesquisando cruzamentos entre teatro, dança, música, artes visuais e audiovisual. Tem como ênfase a fusão das diferentes artes como princípio narrativo. As criações são feitas em colaboração com atores, bailarinos e músicos de diferentes escolas e companhias. O grupo possui também uma atenção especialmente voltada a experimentações de linguagens que ampliem os limites do que compreendemos por teatro para adultos e teatro para público infantojuvenil.
Em pouco mais de uma década, o Coletivo Gompa produziu doze espetáculos teatrais premiados e vistos em várias cidades brasileiras e até fora do país, entre eles As Aventuras do Pequeno Príncipe (2014), Margem Oculta (2016), Inimigos na Casa de Bonecas (2018), Olga (2020), Derrota (2021), Amazônia (2022), Instinto (2023) e Meretrizes (2023). Também lançou cinco obras audiovisuais: A Última Negra (2021), Derrota (2021), A Avó da Menina (2021), A Mãe da Mãe da Menina (2021) e À Borda da Vida (2024).
SOBRE O CCBB RJ
Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro marca o início do investimento do Banco do Brasil em cultura. Instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, é um marco da revitalização do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. São 35 anos ampliando a conexão dos brasileiros com a cultura com uma programação relevante, diversa e regular nas áreas de artes visuais, artes cênicas, cinema, música e ideias. Quando a cultura gera conexão ela inspira, sensibiliza, gera repertório, promove o pensamento crítico e tem o poder de impactar vidas. A cultura transforma o Brasil e os brasileiros e o CCBB promove o acesso às produções culturais nacionais e internacionais de maneira simples, inclusiva, com identificação e representatividade que celebram a pluralidade das manifestações culturais e a inovação que a sociedade manifesta. Acessível, contemporâneo, acolhedor, surpreendente: pra tudo que você imaginar.
SERVIÇO
“Frankenstein”
do Coletivo Gompa
CCBB Rio — Teatro I
Rua Primeiro de Março, 66, Centro — Rio de Janeiro
Temporada: de 14 de outubro a 15 de novembro
Quartas, quintas, sextas, sábados e segundas, às 19h; domingos, às 18h.
Não haverá apresentações entre 28 de outubro e 1º de novembro e entre 4 e 7 de novembro.
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação: 14 anos
Duração: 50 minutos
Ingressos: bb.com.br/cultura
Ficha técnica
Encenação: Camila Bauer; Dramaturgia: Camila Bauer e Pedro Bertoldi; Colaboração dramatúrgica: Carina Corá; Direção coreográfica: Carlota Albuquerque; Elenco: Fabiane Severo e Alexsander Vidaleti; Narração: Sandra Dani e Elcio Rossini.
Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro/RJ
Contato: 21 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br
Mais informações em bb.com.br/cultura
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Ingressos:
Meia entrada para estudantes, maiores de 65 anos e pagamentos com cartões BB.
Para eventos gratuitos, a retirada de ingressos pode ser feita na bilheteria do CCBB ou pelo site bb.com.br/cultura.
Funcionamento: De quarta a segunda, das 9h às 20h (fecha às terças). *
*Domingos, das 8h às 9h - horário de atendimento exclusivo para visitação de pessoas com deficiências intelectuais e/ou mentais e seus acompanhantes, conforme determinação legal (Lei Municipal nº 6.278/2017).
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