[News] Livros infantis interativos ensinam sobre a biodiversidade brasileira, com apoio à pesquisa científica
Os novos títulos combinam ilustrações, aplicativos e inteligência artificial para aproximar as crianças da natureza. 10% das vendas são revertidas para o Instituto de Pesquisa da Biodiversidade
“Anaí no mundo dos Mamíferos”, são os novos livros que trazem histórias repletas de representatividade, dando protagonismo aos biomas e animais brasileiros. Os três títulos já estão disponíveis para compra online e 10% das vendas são direcionadas ao trabalho do Instituto de Pesquisas da Biodiversidade (IPBio). O lançamento faz parte de uma parceria entre o Instituto e a editora Neotrópica e combina ilustrações de artistas, aplicativos educativos e agente de inteligência artificial para levar a riqueza da natureza brasileira para os lares e escolas de todo o país.
A educação ambiental apoia o envolvimento afetivo e cognitivo de crianças, sendo um fator relevante para o desenvolvimento socioemocional saudável, segundo uma revisão sistemática de 66 estudos publicada na plataforma global ScienceDirect. No Brasil, o cenário se reflete em dados do último Censo da Educação (INEP, 2024), que mostram que um terço das escolas brasileiras ainda não oferece esse tipo de atividade.
"Cresci em uma época em que a maioria dos livros de educação ambiental que chegavam às escolas mostrava ursos polares e elefantes africanos. A onça-pintada, o boto-cor-de-rosa, a riqueza que existe aqui raramente aparecia como protagonista. Com esses lançamentos, queremos ampliar o repertório disponível e mostrar para as crianças brasileiras que a biodiversidade mais rica do mundo está também no nosso quintal", declarou Sérgio Pompéia, presidente e fundador do IPBio, durante a Semana da Mata Atlântica da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA).
Os títulos e a conexão com a biodiversidade brasileira
Seu Inácio, o Pescador e o Manguezal (64pg): o livro (R$39,90) é baseado na história real de Seu Inácio, morador da Vila dos Pescadores em Cubatão (SP), que dedicou mais de 40 anos aos manguezais, sustentando a família por meio da pesca e coleta sustentáveis. A obra narra como ele mobilizou pescadores e conscientizou crianças e jovens para o plantio de manguezais em áreas degradadas do estuário de Cubatão, no início dos anos 1990. No final do livro, encontra-se uma galeria interativa de aves dos manguezais, onde o leitor poderá acessar um mundo de informações sobre as espécies e ouvir o seu canto, pelo WebApp Bioviews.
Felícia: uma aventura no oceano (24pg): Felícia, Duda e Lilica exploram formas de proteger os seres do oceano. O diferencial do título (R$35) é a integração com um agente de inteligência artificial: por meio de um aplicativo (o WebApp Bioviews), o leitor pode interagir com Duda, uma filhote de baleia-franca, e obter informações sobre a biologia e o comportamento das baleias. As crianças que aprendem sobre a vida das baleias recebem, ao final, um certificado de “Especialista Mirim em Baleias”.
Anaí no mundo dos Mamíferos (60pg): protagonizado por Anaí, uma menina de origem Tupi que conhece os nomes indígenas dos animais brasileiros, o livro (R$40) integra alfabetização, arte e ciência. Além da interação pela escrita dos nomes (um para cada letra do alfabeto) e pela pintura dos animais no próprio livro, as crianças, utilizando o WebApp Bioviews, conseguem investigar as pegadas deixadas nas páginas e descobrir de que animais são.
Educação, ciência e tecnologia
Os três livros unem educação, ciência e tecnologia. O aplicativo integrado ao livro da baleia Felícia inclui uma funcionalidade de alerta de tempo de tela, um áudio da personagem Duda para que a criança pause o uso do dispositivo quando o tempo recomendado for atingido, podendo retomar a conversa no dia seguinte. A iniciativa dialoga com o uso equilibrado de dispositivos digitais para essa faixa etária e reforça a proposta de que a tecnologia, nesse caso, seja uma ponte para a natureza real e a leitura, e não as substitua.
"A parceria com o IPBio fortalece o rigor científico e pedagógico dos livros. Os aplicativos que acompanham cada título transformam a leitura em uma experiência que continua depois de fechar o livro. É um material que conecta literatura infantil ao que a tecnologia pode oferecer para a educação ambiental", explica Jayme Serva, Editor da editora Neotropica.
Há mais de 12 anos, o IPBio realiza atividades de educação ambiental em reservas localizadas em diferentes biomas brasileiros (Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica). Na Reserva Betary, em Iporanga (SP), interior da Mata Atlântica, o Instituto recebe mais de 2 mil estudantes por ano e já somou mais de 20 mil alunos em atividades que incluem trilhas, laboratórios de fungos bioluminescentes e outras experiências na natureza. Além dos livros, camisetas com estampas de cogumelos bioluminescentes, que brilham no escuro, podem ser compradas para apoiar o trabalho de pesquisa científica e educação ambiental do Instituto.
"A gente só cuida do que conhece. No IPBio, percebemos que para muitas crianças aquela visita representa o primeiro contato real com um ecossistema natural. Os itens levam essa experiência para dentro das casas e os aplicativos que os acompanham aproveitam a tecnologia para aprofundar essa conexão com a biodiversidade única que temos no Brasil", conclui Pompéia.


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