[News] Comédia farsesca Entre a Cruz e os Canibais circula por teatros e equipamentos municipais para retratar com humor as origens de São Paulo
Comédia farsesca Entre a Cruz e os Canibais circula por teatros e equipamentos municipais para retratar com humor as origens de São Paulo
Espetáculo questiona o mito bandeirante e circula por diferentes regiões da cidade em março
Cena de Entre a Cruz e os Canibais - Foto: Heloisa Bortz
Após a estreia no início do ano, o espetáculo Entre a Cruz e os Canibais inicia circulação por diferentes regiões da capital paulista, ampliando o acesso à obra e dialogando com o público em geral e alunos da rede pública. A proposta de descentralização leva a montagem aos CEU Alvarenga (Zona Sul) e CEU Parque Anhanguera (Zona Noroeste), ao Teatro Leopoldo Fróes, em Santo Amaro, e à Galeria Olido, no centro histórico, reafirmando seu caráter público e sua dimensão formativa. As apresentações, todas gratuitas, acontecem entre 18 e 29 de março, em datas e horários detalhados ao final do texto.
Com Entre a Cruz e os Canibais, Marcos Damigo dá continuidade à sua pesquisa dramatúrgica sobre a história do Brasil ao revisitar, em tom de comédia farsesca, as origens de São Paulo e o descompasso entre o projeto colonial e a realidade da então Vila de São Paulo de Piratininga. Ambientada em 1599, a trama acompanha a chegada do governador-geral Dom Francisco de Souza a uma pequena vila isolada pela Serra do Mar, onde quatro figuras de poder — o Juiz, o Vereador, o Procurador e o próprio Governador — disputam autoridade em meio a uma crise política iminente.
Enquanto os moradores se revoltam contra os desmandos do Juiz e cresce o temor de um ataque indígena provocado pelo sequestro de tupis aliados, o Procurador — um degredado com vínculos de proximidade com os indígenas — aposta na intervenção da Coroa para fazer cumprir a lei que proíbe sua escravização. O conflito expõe, com humor ácido, o embrião de um paradigma que marcaria a história nacional: justamente quando São Paulo ensaia seu primeiro impulso de progresso econômico, intensifica-se a exploração sistemática da mão de obra indígena.
Encenação
Damigo opta pelo humor como ferramenta crítica. A peça dialoga com uma tradição de comédias populares que expõem contradições sociais por meio do escárnio. A proposta não é reconstituir fielmente os fatos históricos, mas tratar os personagens como tipos, evidenciando a engrenagem de poder e os interesses que moldaram a narrativa heroica dos bandeirantes.
A trilha sonora original, composta por Adriano Salhab, estabelece pontes entre passado e presente, reforçando o comentário contemporâneo da encenação.
No elenco estão José Rubens Chachá (Juiz), Fábio Espósito (Vereador), Daniel Costa (Procurador) e Thiago Claro França (Governador-geral), atores com trajetória consolidada no teatro brasileiro.
O figurino incorpora referências visuais do modernismo e da tropicália, movimentos que revisitaram criticamente a construção da identidade nacional. O cenário é composto por lonas pintadas à mão, enquanto o cineasta guarani Richard Wera Mirim assina a criação em vídeo.
O espetáculo conta com patrocínio da Google Cloud por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (PROMAC).
Sinopse
Um Juiz autoritário descobre que o Vereador sequestrou ilegalmente tupis aliados, colocando em risco a pequena vila isolada do mundo europeu. A iminente chegada do Governador-geral do Brasil transforma o conflito em crise política. Entre interesses econômicos, exploração da mão de obra indígena e jogos de poder, a peça revisita, com humor ácido, o nascimento de uma narrativa que moldaria a identidade paulista.
Ficha Técnica
Dramaturgia, Direção artística, Desenho do cenário e Idealização: Marcos Damigo
Direção de Produção: Vi Silva
Direção musical: Adriano Salhab
Atores: José Rubens Chachá, Fabio Esposito, Daniel Costa e Thiago Claro França
Música ao vivo: Adriano Salhab e Thiago Claro França
Assistente de direção e Contrarregra: Warner Borges
Figurinista e Visagista: Marichilene Artisevskis
Iluminador: Ney Bonfante
Assistente de iluminação: Matheus Bonfante
Mobiliário cênico e Pintura do cenário: Jonato e Ever
Cenotecnia: Wanderley Wagner e Fernando Zimolo
Objetos e adereços cênicos: Marcos Damigo, Sofia Augusto e Warner Borges
Vídeos: Richard Wera Mirim e Santo Bezerra
Identidade visual: Santo Bezerra
Gestão de redes sociais: Flávia Moreira e Micaeli Alves (AuttivaLab)
Fotógrafa: Heloisa Bortz
Historiadores (consultoria histórica e palestrante): Paulo Rezzutti e Rodrigo Bonciani
Consultoria dramatúrgica: Luís Alberto de Abreu
Produção executiva: Carolina Henriques (Rodri Produções)
Assistente de produção: Sofia Augusto
Administração financeira: Gustavo Sanna
Assessoria de imprensa: Canal Aberto - Márcia Marques, Daniele Valério e Flávia Fontes de Oliveira
Serviço
Entre a Cruz e os Canibais
Duração: 85 minutos Classificação indicativa: 12 anos Gênero: comédia musical
Haverá bate-papo em todas as sessões e Libras e Audiodescrição nas sessões das 20h nos dias 18, 20 e 27 de março, e na sessão do dia 28 de março
Circulação Março 2026
18 de março (quarta-feira), às 15h e 20h
CEU Alvarenga
Estr. do Alvarenga, 3752 – Balneário São Francisco – São Paulo/SP
20 de março (sexta-feira), às 15h e 20h
Teatro Leopoldo Fróes
Av. João Dias, 822 – Santo Amaro – São Paulo/SP
27 de março (sexta-feira), às 15h e 20h
CEU Parque Anhanguera
R. Pedro José de Lima, 1020 – Anhanguera – São Paulo/SP
28 de março (sábado), às 19h
29 de março (domingo), às 18h
Galeria Olido – Sala Olido
Av. São João, 473 – Centro Histórico – São Paulo/SP
Informações à imprensa
Canal Aberto Assessoria de Imprensa
Nenhum comentário