27 maio 2018

[Resenha] Boo - Minha Vida Após a Morte


Sinopse:Oliver Dalrymple é o típico “looser” americano: aos 13 anos, magro e pálido como um fantasma, está mais interessado em biologia e química do que em esportes e vida social. Um dia, enquanto se recupera de um dos frequentes episódios de bullying de que é vítima recitando a tabela periódica em frente a seu armário, ele desfalece para sempre. E é aí que sua verdadeira vida começa. O “céu” onde Oliver acorda depois do que acredita ter sido uma parada cardíaca em função de um problema congênito chama-se Cidade e é povoado por pessoas que morreram aos 13 anos, como ele e seu colega de escola Johnny Henzel, que chega dias depois de Boo à Cidade, trazendo notícias perturbadoras sobre a causa da morte deles. Notícias que mudam para sempre a percepção de Oliver Boo sobre sua personalidade e seu lugar no mundo. Elogiado pela crítica e adorado pelos leitores,' Boo” é um romance cativante sobre amizade, confiança, bullying e a difícil tarefa de ser adolescente.

O que eu achei?
Oliver Dalrymple, ou simplesmente Boo como todos o chamam depois que herdou esse apelido dos seus agressores e causadores do bullying que sofre diariamente - E acaba que em todo o livro todos chamam-o assim- é um garoto que tenta sobreviver a adolescência nos seus apenas treze anos, mas quem disse que está sendo fácil para Boo? o típico looser e nerd que acaba não tendo uma vida social e amigos, sua vida é dedicada à ciência e nada mais. Nunca sentiu aquele desejo de ser rebelde, de saber sobre garotas, nem de querer sair e curtir o que essa idade proporciona, a única coisa que ele pode dizer que faz bem feito é resistir às pancadas que leva mantendo-se calmo e ignorando o que sofre.

Porém, esses dias de tortura chega ao fim quando descobre que morreu de uma forma estranha, uma hora estava finalizando de recitar os elementos da tabela periódica e no outro sente uma escuridão repentina e acorda na enfermaria de um lugar chamado Cidade e conhece Thelma Rudd, uma menina da mesma idade porém, mais velha pelos anos que já passou no lugar.

Boo não sabe muito bem como morreu, acredita que foi por causa do seu coração furado e que quando finalmente consegue recitar a tabela periódica entrou em uma parada cardíaca contudo, quando Johnny Henzel, um aluno de sua mesma escola, aparece na Cidade traz revelações perturbadoras sobre sua morte e de Boo, novas informações que o garoto não suspeitava mas que parecem estranhas para ele. Será que realmente morreu da forma que Johnny descreveu? Infelizmente, sua mente tem alguns espaços vazios sobre sua morte e não pode afirmar muito bem sobre.

Então, os garotos partem em busca de provas que possam comprovar a teoria de Johnny, mas não sozinhos, recebem a ajuda de Thelma e de Esther, uma anã bem esquentada e improvável candidata para ser uma alma caridosa - são pessoas que ajudam os novatos e mantém a ordem do lugar. Dessa forma, o quarteto vasculha pela Cidade informações que podem ser úteis para desvendar esse mistério e esperam que Zig o ajudem.
 Ao mesmo tempo que estão procurando essas provas, conhecem um pouco da Cidade e seus habitantes, como são às regras, o que acontece com as pessoas que morrem ali? Como se alimentam? ZIg fala com eles? Eles têm contato com pessoas de outra idade? Em meio a essas curiosidades, Boo conhece o Curious, é uma espécie de museu que guarda objetos incomuns que Zig lhes enviou por algum engano ou um propósito que desconhecem, como um inveterado curioso fica rapidamente fascinado pelo lugar e acaba conhecendo o curador do lugar Peter Peter, um menino velho.

Boo aprenderá muitas coisas sobre a Cidade e as pessoas que habitam ali, é quase parecido com uma cidade de verdade com algumas exceções, nesse lugar não existe doença ou outros males, pessoas que eram surdas, cegas, mudas, com alergia e outros não possuem mais, o “céu” é totalmente diferente do que podemos imaginar, existem pessoas ateístas, católicas e outras religiões. Acabe sendo um pouco divertido ver as metáforas e suposições que tem do lugar, como chamam Deus de Zig, como alguns se comportam e amadurecem mesmo tendo aparência física de alguém com 13 anos.

“ – Por que você sempre pensa o pior das pessoas?
  – Porque as pessoas são o pior –Esther diz.”

Boo e Johnny começam a ter uma amizade que nunca exploraram ou aprofundaram ter na Terra, antes cada um seguiu seu caminho e não se falavam muito, lemos alguns episódios dos dois quando tinham momentos juntos, entretanto seus mundos eram diferentes, Boo era uma sombra e invisível para outras pessoas enquanto que Johnny era popular, admirado por muitos e um grande atleta. Dois garotos completamente diferentes mas que parecem ter uma conexão inexplicável.

Até onde vai o preço de uma amizade? Até onde alguém é confiável? As pessoas podem mudar e deixar de ser quem eram no pós-morte? Podem arrepender de suas ações impensáveis? São essas questões que são feitas no livro e que refleti bastante, será que Zig apagar algumas memórias para aliviar a dor das pessoas ou para elas terem uma segunda chance? 

  Quando terminam, Tim diz a Tom:
    – Você demonstraria compaixão por mim, se eu matasse você?
   Tom responde:
   – Ficou maluco? Nem pensar!”

Encontraremos muitos personagens engraçados como os gêmeos Tim e Tom, esse dois são hilários demais, além de questionadores demais, ficam completando o pensamento e fala um do outro de uma forma bastante divertida, o Czar que participou de cenas engraçadas e soltou frases cômicas e Ringo que mostra ser divertido com o tempo. Ainda temos a Esther, o que essa garota não tem de tamanho, ela tem de petulância e ousadia, uma personagem que você consegue imaginar com facilidade se tem um amigo assim ou é essa pessoa.

“ – Os 13 anos foram a idade mais perigosa da minha vida, filho.”

Contado na visão de Boo e em forma de um livro dedicado a seus pais, o autor fala sobre a dura realidade do Bullying, como ele pode afetar de uma forma horrível a vida de alguém, como sentia-me impotente com raiva e tristeza nessas partes no livro, como é possível alguém sentir prazer em praticar essas maldades? Acho que a maioria de nós já sofreu bullying em uma certa idade. Ser adolescente talvez seja uma das etapas mais difíceis da vida, é quando começamos a nos descobrir, quando somos mais pressionados seja pra escolher a profissional que queremos, o que devemos querer da nossa vida, ganhamos responsabilidades, aprendemos a amadurecer, muitas vezes de uma forma dolorosa, aprendemos a ser independentes. Foi mais ou menos na idade de Boo que comecei a perceber a crueldade das pessoas, a gostar mais de mim e a me valorizar e ainda assim continuo aprendendo e levando às rasteiras da vida. Mas a vida é assim,  não é mesmo? Como diz a frase ‘ Há males que vem para o bem”.

“ – Você é um sinal – Johnny diz.
  – Do quê?
  – De vida – ele diz. – A vida a que eu devo me agarrar.”

Terminei a história com um aperto no peito e com os olhos transbordando de lágrimas, é uma história que você só consegue sentir sua profundidade no final, depois levar um balde de água fria na cabeça quando termina de ler sentindo que deixou um pouco da sua essência no livro. Boo  é muito mais que uma história sobre bullying e o pós-morte, é sobre a importância de uma amizade, de saber que não está sozinho nesse mundo, aprender a se amar e dar valor a vida que tem, sobre amadurecimento, compaixão, empatia,  escolhas que temos e não sabemos que possuímos, sobre o poder da tristeza e tantas outras mensagens profundas e silenciosas que cada leitor deve absorver de uma forma diferente. É uma história intensa, misteriosa e imprevisível.  Talvez tenhamos um amigo como Boo do nosso lado e nem percebemos, alguém que só queria ser notado.

“Vocês não querem me deixar ir. Em todo caso, alguma vez deixamos realmente que alguém se vá? Mesmo aqueles que já não estão conosco, continuam conosco.”

A capa do livro é linda demais e a Rocco manteve adicionando alguns detalhes que não tiraram a beleza do livro, e o formato da capa achei genial e incrível só pegando o livro pra perceber. A tradução da Elisa Nazarian ficou impecável, a revisão e diagramação estão ótimas.

Boo é uma história que vai fazer você rir, refletir e chorar no final mas querendo abraçar esse livro pela sua profundidade e beleza escondida entre as páginas.

Thaís Marinho

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