04 abril 2018

[Resenha] A Menina Que Tinha Dons



Sinopse :

Cultuado autor de quadrinhos e roteiros da Marvel e da DC Comics, entre eles algumas das mais elogiadas histórias de X-Men e O Quarteto Fantástico, o britânico M. R. Carey apresenta uma trama original e emocionante em sua estreia como romancista com A menina que tinha dons, lançamento do selo Fábrica231. Aclamado pela crítica, o livro se tornou um bestseller imediato na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos ao contar a história de Melanie, uma menina superdotada que faz parte de um grupo de crianças portadoras de um vírus que se espalhou pela Terra e que são a única esperança de reverter os efeitos dessa terrível praga sobre a humanidade. Uma comovente história sobre amor, perda e companheirismo encenada num futuro distópico.

O que eu achei?
Melanie é uma criança com apenas 10 anos que acorda todos os dias em uma cela e é amarrada em uma cadeira para assistir suas aulas diárias, tornou-se uma rotina tão natural que não questiona como é tratada apenas tem uma pergunta: O que ela é? Sabe que não é b humana mesmo tendo o corpo e capacidade de pensar e por onde passa todas as pessoas parecem ter medo ou raiva, a única pessoa que consegue amar e recebe reciprocidade é sua professora favorita, Srta. Justineau.

Todos os dias é acordada aos berros, gritos e insultos pelo sargento Parks e seus soldados, e mesmo diante desse tratamento incomum, a garota lida com bastante respeito e ingenuidade, sempre dando bom dia e referindo aos soldados, professores e outros alunos por seus respectivos nomes ou sobrenomes. Por ser educada e gentil acaba sendo tratada um pouco melhor ou recebendo alguma resposta ou agradecimento.

Melanie é uma garota bastante inteligente, a melhor cobaia da Dra. Caldwell, é o destaque entre todas as crianças  e ainda é apaixonada pelas histórias contadas pela Srta. Justineau, em sua maioria da mitologia grega, a personagem favorita que gostaria de ser é Pandora, a garota que tem todos os dons. Aos poucos começa a descobrir que é um dos famintos devido a inúmeras características em comum.

O desejo de saber como é o mundo exterior é enorme na garota, nunca conseguiu saber como é o sol, as estações do ano, como é um lar, ter uma família e muitos detalhes que a humanidade criou, para a ela o planeta deve ser bastante excitante e fantástico mas vai descobrir de uma forma drástica que esse mundo um dia existiu…

Assim, Srta. Justineau, Sargento Parks, Dra. Caldwell, soldado Gallagher e Melanie tentarão sobreviver até chegar em Beacon, uma base até então segura e que dava suporte a eles até o momento que tiveram que fugir. É óbvio que Parks não achou uma boa ideia ter que estar junto de Melanie, mas  Caldwell precisa da cobaia para conseguir uma possível cura, enquanto Justineau está empenhada em proteger a garota das garras da doutora.

“ – De jeito nenhum! – Caldwell a censura. – Eu já falei, sargento. A menina faz parte de minha pesquisa. Ela pertence a mim.
Justineau meneia a cabeça, olhando fixamente o chão.
– Terei de lhe dar outro murro na cabeça, Caroline? Não quero ouvir você dizer isso.”

A relação entre Helen Justineau e Melanie desenvolve-se aos poucos, mostrando como a humana não consegue enxergar um monstro e sim uma criança que não sabe nada sobre o mundo além do que aprendeu em sala, seus instintos são agressivos quando a garota é ameaçada ou está em perigo, e acaba sendo uma questão bastante intrigantes entre as pessoas que estão ao seu redor que não conseguirão desenvolver esse afeto. Para Melanie sua professora favorita sempre foi alguém que admirou é quase um Deus, seu amor pela Justineau é tão forte e sincero que consegue enfrentar diversas adversidades e a ter um pouco de controle sobre o que é, é admirável a forma como ambas protegem uma a outra.

O retrato desse mundo pós-apocalíptico mostra como a humanidade tornou-se decadente, o verdadeiro eu das pessoas é libertado, as pessoas tornam-se cruéis,egoístas e gananciosas, em um momento a pessoa era um pai, mãe, policial, mendigo, estudante ou outro alguém e as tragédias transformaram-nos ou despertaram o pior lado que o ser humano pode ter, não importando quem você foi. Essa imagem é bem refletida no comportamento dos lixeiros, sobreviventes que esqueceram de fazer qualquer outra coisa a não ser sobreviver, são parasitas, só querem viver, roubam, não cultivam e são quase como nômades.

Por mais devastado que o mundo tenha ficado, aos olhos de Melanie ele é simplesmente surpreendente e maravilhoso, toda forma de vida ou o que sobrou é singular para a garota, a natureza é sempre impressionante para aqueles que não carrega a maldade e violência no coração, a realidade pode ser mais horrível ou extraordinária e para ela é a segunda opção, então ler sobre como enxerga os lugares é simplesmente amistosos e cativante.

Dra.Caldwell está obcecada e empenhada em conseguir desenvolver um antídoto, cura ou algo semelhante que possa salvá-los ou até combater esta epidemia que aos poucos consegue sucumbir os últimos sobreviventes. Porém, sacrifícios precisam ser feitos e sua cobaia número um pode ser a chave para às respostas que procura e aparece um grande dilema: O que vale mais? A compaixão por uma faminta ou a “morte” e esperança para uma possível cura? Por mais que estivesse apegada a Melanie encarava essa questão com os prós e contras em bastante equilíbrio.

É impressionante como o desespero e medo mudam e consegue fazer as pessoas a cometerem atos em sua maioria estúpidos, teve alguns momentos que quase quis entrar na história para estapear ou gritar com os personagens, até agora estou com uma raiva imensa do Gallagher, apesar de ser um garoto gentil, dedicado e obediente teve algumas atitudes que me incomodaram. Tendo algumas cenas que deixaram-me impotente, mesmo quando o personagem tem que fazer o certo mesmo sendo triste.

Eu amo histórias sobre zumbis, adoro essas criaturas e sempre serei fisgada por livros que tenham um mundo pós-apocalíptico, gosto de perceber como é as críticas que os autores fazem, as interpretações que o leitor tem e claro, a maneira como surgiu os zumbis, seja através de um vírus como em The Walking Dead, através de um  astro como a série As Crônicas dos Mortos, sem contar também como são os zumbis em si, em muitos livros  e filmes alguns têm variações: ficam mais lentos ou mais rápidos, mais fracos ou mais fortes. Esse livro em questão é uma nova maneira de explicar sobre essas criaturas e até como chamá-las.

Eu nunca iria imaginar que esse livro falava sobre zumbis por dois motivos: A capa e título. Acho que a maioria deve pensar em ser uma fantasia onde uma menina tem dons que são perigosos ou desconhecidos pelas pessoas, mas só fui saber do que tratava-se quando uma amiga falou que era sobre zumbis, fora que o título é uma metáfora que só descobre-se seu sentido ao ler o livro. Essa capa não expressa nem 5% do que a história retrata, acho que se mudá-la talvez atraia mais leitores que são atraídos primeiramente pela capa.

Fora esses dois detalhes, gostei bastante da forma como o Carey retratou a humanidade e essas criaturas fascinantes, teve um diferencial com relação a história, não é só “mais uma história sobre zumbis”, vai muito além das aparências e finais felizes, consegui captar sua essência. Apenas uma coisa não sou capaz de definir que é sobre o final, não sei se consigo gostar ou desgostar, só debatendo para conseguir ter uma opinião formada.

Um lembrete: O livro foi adaptado para os cinemas e no exterior já foi lançado em Setembro do ano passado e infelizmente aqui no Brasil não tem data de estreia e nem sabemos se vão lançar.

Como falei antes não gostei muito da capa mas não desmereço o trabalho que a Fábrica 231 teve com o livro, gostei do efeito emborrachado que colocaram na capa, a tradução de Ryta Vinagre está impecável, a revisão excelente e com uma boa diagramação.

Se você gosta de livros que vão além das histórias que já conhecemos e com uma escrita  envolvente não pode deixar de ler sobre garota especial que tinha dons. 


Por Thaís Marinho



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