25 setembro 2017

[Resenha] It - A coisa



Sinopse: Durante as férias escolares de 1958, em Derry, pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança e... do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa. Em 'It - A Coisa', clássico de Stephen King em nova edição, os amigos irão até o fim, mesmo que isso signifique ultrapassar os próprios limites.

O que eu achei: 



Em 2014 ganhei IT de amigo oculto, sempre quis esse livro, pois havia em mim a necessidade de conhecer a obra que inspirou o filme que tanto amava. Logo iniciei minha leitura, porém a escrita de Stephen King, me parecia um tanto arrastada e isso sempre acabava me desmotivando, aliado claro, as 1102 páginas que acompanhavam; esse looping se repetiu por pelo menos umas 2 vezes mais.
No final de julho, incentivada agora, pelo lançamento do Reebot, eu e uma amiga reiniciamos a leitura, mas agora em dupla para que não houvesse mais desistências, e sim foi a melhor coisa que eu fiz! 

Como falei acima, uma característica muito importante sobre IT é a necessidade que "King" tem de narrar tudo, com mínimos detalhes, isso me incomodou bastante, pois eram detalhes que não influenciavam em absolutamente NADA no contexto da história.

It se passa em uma cidadezinha chamada Derry, onde em outubro de 1957, Georgie sai para brincar com um barquinho de papel, feito pelo seu Irmão Bill, após um grande temporal; e acaba sendo uma das vítimas, do grande mistério que ronda os desaparecimento das crianças que acomete a cidade.

O Livro se passa em dois momentos, adultos e com flashbacks de quando crianças, além de alguns interlúdios que contam os grandes derramamentos de sangue já presenciados em Derry, pelos antigos moradores.

Diferentemente do filme, o livro começa com os personagens já adultos, Bill, Ben, Beverly, Ricchie, Eddie e Stan com suas vidas, e profissões definidas. Mike, é o bibliotecário da cidade e tem investigado a história dos misteriosos desaparecimentos, e grandes eventos com grandes números de mortos ao longo dos anos. Se passaram 27 anos desde que estiveram frente a frente com "a coisa" pela primeira vez, e os sumiços e mortes voltaram a assombrar Derry, e Mike se vê obrigado a contatar seus amigos e convoca-los de volta a cidade, mas porquê?
Isso é o que todos precisarão lembrar. Memórias à tona, após os telefonemas... Para alguns grandes consequências, para outros um recomeço; O que eles não sabiam, é que "a coisa",  que eles enfrentaram no verão de 1958, estava mais forte e preparada para o retorno dos "Otários", afinal ela havia planejado tudo isso.

Os capítulos seguintes, se intercalam entre a vida atual (adulta), e as memórias de Derry quando crianças, mesmo que ainda "enevoadas": Bullying (Henry Bowers e sua gang), superproteção, abuso sexual, exclusão paternal, solidão, MEDO... eles lembraram... De como o clube dos otários, liderados por Bill "gago", era o refúgio deles e como eles se uniram pela vontade de destruir o que matou Georgie, e tantas outras crianças, era ela, a coisa, que se nutre dos medos, e que usa a forma de palhaço para se aproximar.
Eles lutaram.

Essas memórias são de extrema importância para entendermos o contexto da história e o que levou a cada um a embarcar nessa "luta" juntamente com Bill, bem como  para sabermos como "a coisa", Bob Gray ou Pennywise - o palhaço dançarino, surgiu. Já para os otários, as lembranças mostrarão principalmente como derrotar o mal.

O fator esquecimento, foi o que mais mexeu comigo, o fato da coisa manipular toda a cidade, para que em determinados momentos ninguém percebesse a existência deles, para mim foi sensacional, e mostra claramente o quão conectada a Derry, "a coisa" está.

It me prendeu tanto, que eu não conseguia parar de ler, mesmo nos poucos minutos que me eram disponíveis para tal, estava lá eu com meu "tijolo" na mão, e posso dizer que fui arrebatada, AMOR, AMIZADE e COMPANHEIRISMO... Definem.

Muitos devem estar se perguntando pós resenha: "E a cena da "Orgia", aconteceu mesmo?"
Eu respondo: Sim, aconteceu... e diferente do que pensam, não é bizarra, mas cada um interpreta da forma que preferir, no contexto a cena é totalmente necessária e compreensível, mesmo sendo crianças, tem um significado, além da conexão entre eles, a transição existente na puberdade.

Stephen King, demorou 4 anos para escrever a obra, uma obra que realmente mexe com seu emocional, uma história de escolhas, de amizade e do bem contra o mal,  e que todo amante de literatura e de terror deveria ler.




Modelos de capas de IT

Escrito por Juliana Brito






Um comentário

  1. Uma opção mais recomendável! O filme tem seus melhores momentos na dinâmica do Grupo, lembrando os clássicos de Spielberg e a nostalgia dos filmes da década de 80. IT, a Coisa. uma obra prima do medo!! O início do livro é arrastado: pelo menos até a página 500, nada de muito emocionante acontece. É preciso paciência. A história de Beverly é incrível, mas pode ter muitos gatilhos para quem tem problemas com assuntos como violência contra a mulher, estupro e assédios. As cenas de espancamento e abuso são relatadas detalhadamente, o que torna os capítulos referentes à garota difíceis de serem lidos. Aliás, cenas de violência estão presentes em todo a obra. A ação sinistra da Coisa parece brincadeira de criança (literalmente), se comparadas com as surras que o “valentão” Henry Bowers dá nas outras crianças. Depois de ler mil páginas, o que o leitor espera é que as últimas 100 sejam excepcionais — e expliquem toda a doideira que rolou até aquele momento. Mas não é isso que acontece. O fim de It decepciona por ser muito alheio ao que se esperava. A história do livro parece muito real, até o leitor se deparar com um final completamente místico e desconexo. Outro fator crucial, é claro, é a prosa de Stephen King. O homem faz sucesso por um motivo: a história é tão bem contada que o leitor se sente dentro da pequena cidade de Derry, onde tudo acontece, e se emociona com os personagens.

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